quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A reforma ortográfica já começou e não começou




O fim do trema está decretado desde dezembro. Os dois pontos que ficam em cima da letra u sobrevivem no corredor da morte à espera de seus algozes. Enquanto isso, continuam fazendo dos desatentos suas vítimas, que se esquecem de colocá-los em palavras como freqüente e lingüiça e, assim, perdem pontos em provas e concursos.

O Brasil vem se preparando para a mudança ortográfica que, além do trema, acabou com os acentos de vôo, lêem, heróico e muitos outros. A nova ortografia também alterou as regras do hífen e incorporou ao alfabeto as letras k, w e y. As alterações foram discutidas entre os oito países que usam a língua portuguesa --uma população estimada hoje em 230 milhões-- e têm como objetivo aproximar essas culturas, escreveu Daniela Tófoli (Folha de São Paulo, de 20/08/2007).

Não há um dia marcado para que as mudanças ocorram e sejam sentidas de fato --especialistas estimam que seja necessário um período de dois anos para a sociedade se acostumar. No Brasil, a previsão é que 2008 seja o marco divisor entre a antiga e a atual forma. Portanto, já está em vigor mesmo!

O embaixador Lauro Moreira, representante brasileiro na CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), afirma que, tecnicamente, a nova ortografia já poderia estar em vigor desde o início do ano passado. Isso porque a CPLP definiu que, quando três países ratificassem o acordo, ele já poderia vigorar. O Brasil ratificou em 2004. Cabo Verde, em fevereiro de 2006, e São Tomé e Príncipe, em dezembro do mesmo ano.

Portugal não tem motivos para a resistência, como ainda se vê nos dias de hoje. Fala-se de uma pressão das editoras, que não querem mudar seus arquivos, e de um conservadorismo lingüístico.

Por ora, só vejo que o trema já foi tarde. K, W e Y são sempre bem-vindas. Tem algumas coisas estranhas, mas a gente se acostuma. Difícil escrever "heróico", "assembléia", "paranóia" sem acento, né?

P.S.: Apenas para homenagear a língua, segue um videozinho de uma de minhas cantoras prediletas da música portuguesa. Dulce Pontes interpretando a famosa “Canção do Mar”.

5 comentários:

ladyneide disse...

Concordo contigo, Cardo!

Acho que deveria sair de mãos dadas com o trema, o acento grave...assim a crase deixaria de ser um tormento! :)


Beijosss, maninho querido!

Mãezinha, Anna Maria disse...

Boa noite meu filho.
Que maravilha de vídeo!
A cantora portuguesa, Dulce Pontes cantando uma das músicas que mais gosto, "Canção do mar"... Me emocionei.
O texto sobre ortografia está excelente!
Um beijo grande.
Madrezita

[Farelos e Sílabas] disse...

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Neidinha: Hehehe! Crase e trema. Pena que somente um saiu, né? Haja tormentos. Se bem que, pra mim, trema é só por uma questão de preguiça na digitação. Crase é como andar de bicicleta, disseram. A gente só se rala todo no início. Depois que aprende as regrinhas, anda-se bem na garupa dela. Disseram.

Madrezita: Dulce Pontes também tem um pouquinho de homenagem à mãe. Lembra que uma vez ganhei um Cd de presente? Pois, é. Ele tem-me feito companhia, mãe! Beijos!

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Sergio Viula disse...

Lindo tributo a esse povo que encontrou no mar a saída para a sinuca na qual os árabes o enfiaram no final do século XV. Mar que serviu de escape das tropas de Napoleão. Mar que foi janela para o mundo, não só para a conquista de terras e riquezas, mas para o desmantelamento dos mitos que povoavam a mente dos navegantes do Mediterrâneo com monstros e criaturas fabulosas e impedia-os de se aventurarem ao meio do Atlântico. Mar que se fez parceiro da lusofonia, espalhando o idioma português até os confins da terra: das ilhas da Madeira e dos Açores até Macau, uma província da Ídia, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, e o gigante Brasil (campeão em número de falantes da língua lusitana).

Dulce Pontes é mais que uma diva; é divina!!! E o fado é foda!!!! Não tem música que revire o coração mais do que o fado. Pelo menos pra mim, cuja árvore genealógica possui raízes profundas em Portugal, ainda que mais especificamente na Ilha da Madeira - mais conhecida pelos bailinhos. Mãe e todos os avós por parte de pai e de mãe, bisavós e todos os seus antecessores são portugueses. Meu pai é brasileiro, porque meus avós só tiveram filhos depois de virem para o Brasil. Minha mãe veio para cá e acabou conhecendo o luso-brasileiro que seria meu pai. E cá estou, ora pois!!! kkk

Beijo (pronunciado como "baiju") para ficar bem lusitano!!!

Sergio

[Farelos e Sílabas] disse...

...

É v’rdade, meu Serginho. Ora, pois, pois! (rs) Mar que é um tesouro, como já disse Pessoa. Aliás, dele também são estes versos:

Ó mar salgado,
quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos,
quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!



Mas há outros mares, os de beleza e encanto. Disse tudo, amigo. O fado é foda! É um lamento poeticamente excitante para os bons ouvidos. Lamento com causas e emblemático porque um canto cheio de saudades. Você é mais outro mar pra mim. O da liberdade pra que todos os dias nasçam felizes. Ao seu estilo, o que é mais “fodástico” ainda!

Amei te ler por aqui também. Volte sempre e em qualquer onda! Teu blog é meu caso antigo, você sabe. Todos temos um. Sou meio Geni nessas horas. Não largo a leitura por lá de jeito nenhum!

Beijinhos, meu amigão (como dizem meus primos que moram por lá nos e-mails que mandam pra mim).

...

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