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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Falando acerca dos hobbies

Quase todas as pessoas costumam ter algum hobby. Tem gente que pinta nas horas vagas. Tem gente que se doa no voluntariado. Outros preferem o cultivo das coleções. Não importa a caminhada, fato é que o caminho nos direciona ao que nos traz satisfação. Sempre tive os meus hobbies. A literatura me acompanha desde que entendo que existo. Colecionar bilhetes e cartões também é outro que, diria, “foi ficando”. Não consigo parar, ao menos ainda quis. Ainda. Aprender idiomas, pra mim, saiu do legado de hobby para necessidade. E isto há uns aninhos atrás. Mas, para minha total surpresa, acabei enveredando pelos caminhos do design gráfico. Resultado: quando posso, crio imagens para campanhas específicas em causas que acredito.

Esta aqui embaixo forma a mostra que é fruto de uma campanha a ser lançada na Feira da Diversidade em outubro próximo:





quarta-feira, 15 de julho de 2009

Sendo-me – Parte I

Há quanto tempo não correspondia ao desejo de tanta gente ao vir aqui! Passados dois meses ausente [absurdamente ausente diria uns três ou quatro amigos mais chegados], retornei. Não sei dizer se mais blasé do que antes, talvez, quem sabe. Maiorzinho que antes, estou certo. Nem tanto para fora das janelas. O crescimento a que me refiro se alarga das janelas pra dentro desta casa-ser. Não sei medir, foge-me ao pensamento. Apenas olho pra trás e vejo o quão distante fiquei do ponto de partida, o “status quo” de todos os revezes.

Roberto Carlos empolgou o público carioca neste final de semana pondo o Maracanã numa espera de meio-século pelo auge de sua carreira. Queria ter ido, acabei me deleitando com o teatro. Tudo é arte, mas cada qual com suas cores próprias. Por falar em Roberto, lembrei de alguns versos muito próximos deste sentir que me enche os olhos ao olhar pra trás. “Se chorei ou se sorri o importante é que emoções eu vivi!”. Um hino que só se pode entoar quando a gente esbarra no limite. O nosso próprio. seja com a dor mais profunda, seja com a alegria mais festiva e que não se iguala a nada mais.

Obviamente meus olhos se voltam para o presente e não deixam órfãos estes nossos dias do presente. Não há horizontes próximos, ou seja, a caminhada nem chegou ao clímax. A vida [ainda] mostrará grandes surpresas. Este é o fiozinho de esperança que move o coração dos seres-vivos-mesmo. O fator surpresa que apimente o “logo depois” que somente a Deus pertence (pois somente Ele-é desde sempre). Quanto a mim, sigo cantando e seguindo a canção. Chato seria saber do fim sem qualquer trabalho no existir...


Notinhas de rodapé:

[1] Prometo ler e responder cada recadinho deixado nestes dois meses ausente. Aguarde(m)-me.

[2] Dois meses fora acabaram me deixando por dentro de uma série de peças maravilhosas a que assisti no teatro. Desde o empolgante “O homem do princípio ao fim”, de Millôr, até o encantador Machado de Assis em “O homem célebre”. E poderia citar “Isaurinha Garcia”, “Zoológico de Vidro”, entre outras. Assim que desarrumar as malas e retornar à labuta, pouco a pouco, me insurgirei com mais detalhes.

[3] Muita coisa acontecendo no circuito cultural do Rio. O centenário do Theatro Municipal foi simplesmente mágico! Coro, orquestra e Corpo de Baile numa apresentação digna da mais preciosa pérola da coroa desta cidade, como disse Olavo Bilac no discurso de inauguração em 1909. Ainda: “Anima Mundi”, “Os Russos”, e uma dezena de exposições em tudo quanto é canto da cidade. Eba eba! Farei comentários em breve.

[4] Ô saudades disso daqui!...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

40 anos pra não esquecer


Um pesadelo cujo clímax surgiu no dia 13 de dezembro de 1968...

Os mais novos, principalmente o segmento dos alienados nesta geração contemporânea que só procuram saber acerca dos enlatadinhos como Big Brother, por quantos países a turnê “Sticky & Sweet Tour” vai passar ou qual o hit musical do verão, talvez não se interesse pela História que faz deste país o que é. Alguns falam mal, porém não fazem a menor idéia do que era viver naquela época sem a conquista da liberdade.

O Ato Institucional Número Cinco, ou AI-5, foi o quinto de uma série de decretos emitidos pelo regime militar nos anos seguintes ao golpe militar de 1964. Foi o AI-5 que deu ao regime poderes absolutos e cuja primeira conseqüência foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano.



Entre as muitas proibições que o ato instituiu estavam a proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política; a suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais; a aplicação da liberdade vigiada, da proibição de freqüentar determinados lugares e do domicílio determinado. Nem "Habeas corpus" poderia mais ser impetrado pra livrar ninguém de prisão. Por falar nela, qualquer um poderia ser preso [e morto] sem ter direito de saber os porquês...

Eleições diretas, passeatas, greves, parada gay, reivindicações, liberdade de imprensa, artística e musical? Hã?! Impensável!

Pra relembrar o episódio, o Centro Cultural da Caixa Econômica inaugurou a exposição “AI(s) nunca mais – Imagens que o Brasil não viu ou esqueceu”. [Leia +] Quarenta anos se passaram. Eles não podem ser esquecidos. Se liberdade era pouco pra Clarice Lispector, imaginem não tê-la nem por um momento...

Como Miguel de Cervantes, também creio que a liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem os tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a nossa vida”.



segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Em homenagem ao azul de ontem...




“Existe cor sem forma? Boa pergunta... Não existe! Posso ser um pontinho mas também posso tomar as proporções de uma grande área de cor...”


(Extraído de uma das obras expostas na Nova Arte Nova, no CCBB do Rio de Janeiro)


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Tarde (super) agradável em boas companhias. Entre tantos lucros, o saber-me em profuso diálogo de olhares. E mais: dia 10/12 marquei encontro com Elisa Lucinda e Maria Rezende no projeto “Poesia no Jardim da Filosofia”. O tema do debate para o qual me convidei é “A fala da poesia: o deleite da palavra”. Projeto com a curadoria da filósofa Viviane Mosé, lindamente sábia, como sempre...


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domingo, 28 de setembro de 2008

Memórias de quem não irá nunca: Clarice


Sábado colorido de várias tonalidades de chumbo. Tal como a vida. Mas, e daí? Eu amo viver nem que seja pra aguardar o renascimento, quando houver. Sim, estou embriagado de Clarice Lispector. Resolvi apresentá-la a uma amiga (a outra já a conhecia). Encontro marcado. Horas e ponteiros na nossa direção. Nós fazemos o tempo. Não, não precisa avisar aos que não souberem. Parei de me importar, o que eu preciso é o agora. De fato, Clarice mexe com a gente. Dá uns nós em qualquer sílaba, quem disse que palavra também não engasga? Eu fico mudo quando a linguagem me destrói. Às vezes sou vencido pela palavra. Emudeço. Tem gente que saberá do que falo.

Não imaginava que iria me apaixonar mais ainda pela aura de Clarice. Ela é danada (“arretada”, como escreve acerca dela meu Serginho), mas dana-se quem pensa o contrário. É dessas que nos esclarece: ‘eu sei o que faço neste mundo: incumbida!’ Não há como não querer senti-la. Mergulhei no seu mundo durante três horas na exposição do Centro Cultural Banco do Brasil. Vi seus retratos particulares, catei os detalhes nos seus documentos, perscrutei seu título de eleitor, a seção em que votava, o passaporte, os boletins, cartõezinhos do INSS, cartas escritas aos 21 anos de idade ao presente Getúlio Vargas pedindo que fosse-lhe deferido o pedido de naturalização como brasileira (o que foi aceito). Encantei-me com a sintonia que nós dois – ela e eu – temos em nossa peculiar história: graduamos no mesmo curso e na mesma Faculdade Nacional de Direito, nasci no dia em que ela deixou de existir (embora o seja sempre, o que é mui diferente), só mudando o ano. Ela costumava emendar o texto da mesma forma que eu no final de meus escritos (crônicas e poesias), sempre puxando setinhas com caneta e bagunçando o coreto de tal forma que ninguém – exceto nós mesmos – entenderíamos os nossos originais. Amei o carinho dela para com o filho caçula, lá pelos idos de 1969, quando o menino ainda era adolescente e fazia intercâmbio nos EUA: “A pessoa que mais te quer neste mundo”, assim assinava no final das cartas cobertas de maternidade. “Não traga gato para este apartamento, exceto se já estiver treinado para os pipis” – foi o bilhete escrito à caneta numa margem de outra correspondência para o filho Paulinho. Ria nos detalhes. Nem me importava com os demais vendo minha autenticidade incorrigível – a liberdade de ser-me. Ouvi-a dizer que, certa feita, pegou um táxi e foi até a Feira dos Nordestinos, no Campo de São Cristóvão, só para sentir o clima do que precisava para uma próxima obra. Pois ao sair da exposição, não é que passei pelo mesmo lugar! Mas nada poderia sentir pela exaustão do que já tinha absorvido. Digerir Clarice não causa náuseas. É um empanturramento satisfatório. Eu é que o diga na constatação da palavra: ela está, nunca foi!


Nota: na imagem acima, Clarice durante a entrevista. Maravilhoso poder ouvi-la num telão enorme. Sentados em puffs ou espalhados pelo chão, como foi meu caso, a maioria dos visitantes se emocionou durante muitas de suas falas e divagações. Que vontade de aplaudi-la. Contido e já de pé, preferi simplesmente suspirar e dizer: sou teu fã, louca em absoluta sanidade perfeita!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Clarice Lispector - A Hora da Estrela


Segue até o dia 28 de setembro no CCBB aqui do Rio a mostra de fotografias, manuscritos, correspondências, documentos pessoais e fotografias da eterna Clarice. Não são poucos os críticos que consideram a escritora, ao lado de Guimarães Rosa e João Cabral de Melo Neto, como os melhores romancistas da terceira geração modernista brasileira. Eu concordo.

Ainda não estive na mostra, mas assim que puder lançarei algumas palavras pra gente pescar por aqui. Ao sair do Fórum ontem, à noitinha, passei pelo CCBB mas sem muita expectativa. Eu sabia que não abriria às segundas-feiras. Aguarde-me, minha estrela.

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