
Rubem Alves
Notinhas de rodapé: Já coloquei o link do meu twitter no texto. Acho que vou colocá-lo mais destacado na barrinha ao lado. Ainda decidirei sobre a conveniência ou não. E, como não poderia deixar de ser: um excelente feriado

Eu me pergunto o que os homens estão fazendo do planeta! Até quando a Mãe Natureza suportará as dores com tanta agressão que lhe causamos? Dentro de nossa realidade, trazendo a responsabilidade pra bem perto, dados oficiais do próprio Governo informam que o desmatamento em junho na Floresta Amazônica alcançou uma área correspondente a metade do município do Rio de Janeiro – leia-se a segunda maior cidade do país –, onde vivo. Putz! Quanta loucura!
Pior se torna quando nos assentamos à mesa de qualquer Café e, indiferentes, nos consolamos esperando saber qual será o tamanho do desmatamento no mês de julho... Até quando?
SOS!
Viver não deixa de ser uma loucura diária, bem sei. Mas, convenhamos, há muita gente doente (na psique) lançando o ódio que sente contra si mesmo na direção dos outros. Gente que não se ama, por isso adoece nutrindo o ódio. Mais uma vez o mundo (leia-se planeta) paga a conta!

Neste final de semana (01/08) um desses doentes lançou seu ódio num bar (Café Noir), na cidade de Tel Aviv, na esquina das ruas Ahad Haam e Nachmani, e disparou contra os homossexuais. Em seguida, fugiu.
Os disparos mataram Nir Katz, 26, e Liz Tarbishi, 17, além de deixar 15 feridos a tiros e também pelo tumulto. Deste total, três estão internados em estado grave. O atentado é considerado o mais grave da história de Israel contra gays.

Que a comoção contra o terrível episódio (incitado pela semente do preconceito, quase sempre concatenado a discursos advindos da religião quando esta confunde fé com moral, o que é muito comum nas principais religiões monoteístas) venha nos chamar à reflexão de que não apenas naquele país (Israel) mas também neste (Brasil) o ódio prevalece em muitos outros episódios parecidos. Os atentados feitos – consciente e inconscientemente – contra a dignidade de um semelhante ser humano falam por si. Versos me incomodam com o significado dado a eles na voz de Renato Russo ao dizerem, profeticamente: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã". Pra pensar.
Dia 31 de julho de 2009 entrou para a história do Conselho Federal de Psicologia. O até então inédito caso da psicóloga evangélica Rozangela Justino tornou-se o primeiro a ser publicamente condenado pelo colegiado de seus pares no Plenário Ético do CFP. Ela incutia nos seus pacientes seus argumentos de natureza moral, ideológica e sobretudo religiosa para fazê-los crer que, sendo o que eram, não poderiam viver felizes e, segundo ela, serem "aprovados" por Deus. Detalhe: a psicóloga recebia e ainda recebe o apoio do segmento religioso evangélico, que, inclusive, se mobiliza nos seus representantes junto ao Congresso para derrubar por meio de legislação (decreto legislativo) a excelente norma infraconstitucional que lhe serviu de esteio para a sua justa e histórica condenação - a Resolução 01/99 do Conselho Federal de Psicologia.
Res, non verba, ou seja, realidade, e não apenas palavras, fato é que há luz no fim do túnel! Reafirmo que existe um estado democrático de Direito neste país constitucionalmente laico e livre dos cabrestos ideológicos de qualquer natureza. E tal realidade expôs os sofismas e as falácias da profissional, reverberando o grande mal que acabava cometendo indo ao desencontro da verdade do ser de seus pacientes. Graças a Deus, enquanto houver luz de democracia dentro e fora do túnel, aqui não se instalará um novo Irã!
Como disse no final de um artigo escrito ontem (não publicado no blog), percebemos que as importantes decisões tomadas no histórico 31 de julho de 2009, tanto no Judiciário quanto no âmbito administrativo (no CFP), marcaram simbolicamente o momento para aprendermos com a História a revisitarmos o nosso ideal de Paz, não a Romana, mas a tupiniquim, propagada na literatura modernista de Oswald de Andrade nos idos de 1922, que leva na cor bronzeada por este sol a beleza que toda boa mudança evoca. Mudar pra valores cada vez melhores e que contemplem, portanto, a união entre os semelhantes. Mudar como “conversão” de dentro pra fora. Mudar como exercício do repensamento do que até aqui se feriu (em palavras e falsas promessas baseadas numa visão diminutiva da religião que não religa, mas divide os homens). Mudar a ponto de não mais se reconhecer nos discursos ditos no seio da ignorância, outro fruto produzido pelo desamor.
.jpg)
