terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Desabraçar pra desmatar e dividir


Subindo e descendo escadas rolantes, entrando e saindo dos buracos do metrô, ora com guarda-chuva, ora sem guarda-chuva, a primavera acontece primeiro em mim. Das lições que aprendi durante a caminhada é que amor que encurta o braço pra não abraçar é qualquer coisa, exceto amor.

Lembro-me dos anos que encurtava meus braços para o que considerava “diferente”. Poucos sabem, mas já fui o pior dos cegos. Ainda, já caminhei nas estradas desniveladas da religiosidade respirando os ares fabricados na natureza dos homens, quais sejam, aqueles que vêm dos títulos eclesiais. Já tive um, mas não é disto que desejo falar. Fato é que os olhos quando cegos não alcançam a diversidade da Criação. Aliás – perdoem-me pelo óbvio –; não enxergam nada. Tateando daqui e dacolá, entre acertos e equívocos, meus joelhos trôpegos foram se restabelecendo. Inteiros. Posso dizer que a mesma coisa ocorreu com o meu olhar.

Hoje, procuro ver ao tentar compreender. Há tudo tão belo na Criação! Por mais diferente de mim e do que penso, como se faz rico o conjunto do que existe! Sim, sejam pessoas; sejam os universos que compreendem cada indivíduo. Não há cor alguma sem beleza.

E por que digo isto? Porque é bem melhor enxergar (ainda que não entendendo, de início, o que vejo) do que, assentado num alto e sublime trono, FÔRMA-tar – em alguns casos, for-MATAR – o que não quero saber como sendo o que desejo que seja.

Se até agora as letras se embaralham, confundindo a cor do entendimento, traduzirei o momento numa tela com cores fortes e absolutamente solitárias – a do vaticínio! – num sentir sem amor:

O papa Bento XVI, formatando todo o ser e sua estrutura psíquica, engolindo a própria diversidade pra dentro de um único cenário padronizado [segundo o seu olhar, evidentemente], encolheu seus braços pra não abraçar. Ele disse nesta segunda-feira que "salvar" a humanidade do comportamento homossexual ou transexual é tão importante quanto salvar as florestas do desmatamento. O mundo, portanto, tem agora um algoz contra o qual lutar... e dele “salvar” a humanidade!


"As florestas tropicais merecem nossa proteção. E os homens, como criaturas, não merecem nada menos do que isto".




"(A Igreja) também deve proteger o homem da destruição de si mesmo. Um tipo de ecologia humana é necessária". Os comportamentos que vão além das relações heterossexuais são "a destruição do trabalho de Deus", disse o pontífice em seu discurso na Cúria, a administração central do Vaticano. [Leia + aqui]

Se temos que “salvar” é porque está em perigo. Se está em perigo [em razão dele] é porque o temos como inimigo. Se é inimigo, está em lugar oposto a nós, que somos “do bem”. E se somos “do bem” [falo da humanidade], “ele” [o algoz] é do mal. E se é do mal precisa ser exterminado. Eis a divisão!

E tem gente que ousa falar que as florestas e os homens merecem proteção. Talvez seja de si mesmo, posto que o que divide é, literalmente, “diabolon”.




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3 comentários:

Rodrigo Brower disse...

Ele fala, alguns ouvem, eu ignoro, eis minha conjugação sobre o tema! 8) Abs

Mãezinha, Anna Maria disse...

Bom dia filho!
Eu li o comentário do Papa Bento XVI e não vou falar sobre o que acho, pois no meu entendimento acho que ele deveria se preocupar mais com os pedófilos que estão enchendo as igrejas e deixar os gays viverem a vida que querem.
Não vou me estender para não entrar em assunto que foge do seu tema.
Inclusive se você quiser ver um vídeo que coloquei no meu orkut dá uma chegadinha lá. É uma linda história de dois adolescentes que foram criados juntos, como irmãos, mas um era adotado e o pai não gostava deste garoto adotado desde pequeno. O título é "O amor contra o destino" (everytime). Você já deve conhecer este vídeo como já conhecia o outro que coloquei um tempo atrás.
Com carinho, beijos, mãezinha

[Farelos e Sílabas] disse...

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Aos dois, Rodrigo e mãe:


Vocês soltam palavras e eu aceno com o coração! Pra que dizer mais?


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