Pensando sobre um tema muito em voga no momento – exclusão versus inclusão -, acabei me lembrando dos vários artigos e posts que li nos últimos dias sobre a questão. IN-cluir é pôr dentro de alguma coisa, é chamar pra perto. EX-cluir é justamente o contrário. Não há como forçar a barra com pretensas posições que não sejam ‘IN’ ou ‘EX’-cluir quando se fala em aceitação ou respeito à diversidade. No entanto, vale aqui questionar se toda EX-clusão é de fato oriunda da ojeriza, do descarte ou da fobia ou se é uma questão mais direcionada à ignorância (de fatos, de detalhes desses fatos ou dos outros mundos para fora do nosso-próprio).


É preciso separar os fatos e analisar as declarações em suas devidas circunstancialidades. Se assim não fosse, todos – repito: todos! – os programas humorísticos na TV e várias peças
Mas vamos à análise do preconceito...

Do ponto de vista de sua origem, de sua etimologia, a palavra preconceito significa pré-julgamento, ou seja, ter idéia firmada sobre alguma coisa que ainda não se conhece, ter uma conclusão antes de qualquer análise imparcial e cuidadosa. Na prática, a palavra preconceito foi consagrada como um pré-julgamento negativo a respeito de uma pessoa ou de alguma coisa.
Um problema grave, que merece muita atenção, é a verificação dos mecanismos do preconceito. É muito raro que alguém reconheça que tem posição preconceituosa em relação a alguma coisa. Muitas vezes, o preconceituoso não percebe que age dessa forma, pois, como adverte o professor Goffredo Telles Júnior, o preconceito geralmente atua de forma sutil, sinuosa, levando uma pessoa a tomar como premissa, como ponto de partida, aquilo que deseja que seja a conclusão.
Evidentemente, o fato de alguém não gostar de alguma coisa, não desejar a companhia de uma pessoa determinada, recusar uma idéia, uma teoria ou um padrão estético, nada disso é suficiente para que se afirme que aí existe preconceito. E assim como não se deve aceitar a atitude preconceituosa, desprovida de racionalidade e sem o suporte
Por isso mesmo, por exemplo, não gostar de uma escola de pintura, de um gênero musical ou mesmo de um autor ou intérprete faz parte dos atributos da liberdade humana e é direito fundamental que deve ser respeitado. Mas quem exigir -
A ignorância é uma das mais ricas sementeiras de onde nascem preconceitos. Mas a presa mais fácil do preconceito é o ignorante que não sabe e não quer saber, é aquele que está satisfeito com a sua ignorância. A intolerância, hoje tão disseminada, é mais um desses venenos. O egoísmo também anda muito próximo da intolerância, não pode ser ignorado. O egoísta não se preocupa com a justiça de suas atitudes, de suas palavras e de seu comportamento. É bom o que lhe convém e é mau o que lhe causa embaraço ou prejuízo.

O preconceito não tem justificativa moral nem jurídica e é essencialmente mau e pernicioso. E por quê? Porque o preconceito estabelece a desigualdade entre as pessoas, sacrifica valores fundamentais, justifica agressões à dignidade da pessoa humana e, por isso tudo, é expressão de uma perversão moral que deve ser, incansavelmente, denunciada e combatida.

Inspirado na obra “Policiais, juízes e igualdade de direitos”, Dalmo de Abreu Dallari, jurista e professor universitário.







