segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

[Im]possibilidades reais de uma noite de domingo


Chego em casa, ontem à noite, vindo de uma reunião que celebrou, entre outros fatos tão abençoadores pra mim, os 12 anos de união conjugal de duas amigas que-ri-das. Como disse o Lord, outro amigo muito estimado [e engraçado] que falou coisas lindas na reunião, “eu vejo que é possível!”. Imediatamente me veio à mente o slogan: "Yes, we can!" – cantarolado ao êxtase pelos correligionários de Barack Obama nas últimas eleições norte-americanas. E quem duvida que seja possível? Falando de possibilidades, afirmo que eu creio na maior delas: o amor!

Pois, bem. Ao chegar em casa, um telefonema. Aliás, dois. Perdão, três. O segundo deles foi uma espécie de “S.O.S.” alertado por outro casal de amigos. Me informaram que estavam se dirigindo na companhia de outra amiga à Baixada Fluminense, lá pelas tantas da noite, pois a mãe de uma amiga em comum [e que eu conheço desde a adolescência], tinha acabado de expulsar a filha de casa pelo fato de ser lésbica. Segundo as informações, ela [a filha] foi agredida de todas as formas. Tinha lesões sobre a pele e outras na alma que só o tempo ajudará a cicatrizar.

- O que vocês vão fazer na Baixada Fluminense a esta hora? – perguntei.

- “Vamos levar a L_______ na casa da namorada dela, em São João de Meriti. Mas não se preocupe, a gente tá cuidando dela, tá aqui ao nosso lado.” - respondeu um dos meus amigos no celular, tentando me tranquilizar.

Sentei na minha cama e me perguntei: alegrias e dores na mesma noite. Como tudo isso [ainda] é possível!?

[...]

Lembrei-me que em agosto do ano passado um casal de amigos [A_____, 19; R_____, 21] teve que fugir de suas respectivas casas, pois os pais – ambos líderes evangélicos – descobriram o romance dos filhos. Na minha modesta opinião, os pais fizeram tudo o que pais não poderiam ter feito. Resultado: saíram da cidade, fugiram para o Rio de Janeiro. Encontrei-me com eles assim que desembarcaram na Rodoviária. Eu e um grupo de amigos os ajudamos, de início. Hoje estão bem, já conseguiram restabelecer a amizade dos pais e [...] bastante felizes [...] certos que “o amor é mais forte que a morte”, parafraseando um texto bíblico.

[...]

Preciso ligar para L______, saber como está, se precisa de [...], essas coisas que amigos demonstram quando se faz necessário...


Nota de rodapé: os versos de Virginia Woolf inseridos na imagem foram propositais para este post.

16 comentários:

Serginho Tavares disse...

Virginia Woolf sempre soube o que dizer

Uber Expresso disse...

Quem tem amigos tem tudo... Uma vez entrei nessa pergunta... estava no hospital vendo o nascimento da filha de uma amiga, quando a outra me liga falando que o tio tinha acabado de falecer... é meu querido, a vida... que tenhamos paz para aguentar as surpresas que nela trás... Beijos Roberta.

Mãezinha, Anna Maria disse...

Boa noite filho.
Vim apenas dizer que amei este texto.
Puxa, não imagina como a alegria me bateu no coração quando soube da sua preocupação em estar ajudando e inclusive atendendo a todas as ligações e ligando para saber notícias da sua amiga que foi expulsa de casa.

Infelizmente ainda temos pais que não aceitam isto. Será necessário um trabalho muito grande de AMOR para poderem entender.

Era isto, meu filho. Vou agora para a reunião da EdC.
Dia 07 estarei partindo para São Paulo. Vou pelo Movimento.
Beijos, mãe.

AD disse...

Amigos são como filhos, alegrias e preocupações sempre. Mas, vale à pena cultivá-los.

Vi um comentário seu no blog do Wans, gostei e tô aqui. Vlw.

Daniel Savio disse...

Cara, amigos são a familia que escolhemos...

Fique com Deus, menino.
Um abraço.

Sergio Viula disse...

Que post tocante! Fiquei chocado, mas ao mesmo tempo senti-me irmanado com as pessoas que vc citou pela primeira letra do nome. Passei por coisas bem difíceis quando "saí do armário". Hoje colho certa tranquilidade que só os teimosamente persistentes vivem para ver.

Tenho certeza que essas pessoas serão muito felizes se tomarem as rédeas de sua própria vida e cavalgarem sem medo "sobre as celas dessas dores".

Um grande beijo pra ti, pra eles pra elas.

Sergio Viula
Fora do Armário: www.glsgls.blogspot.com

[Farelos e Sílabas] disse...

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Serginho:

E dito como ela só!
Saudades, amigo!

;)

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Roberta:

Uns chegam; outros se vão...
Eis a escola-vida em movimento.
Afinal, se é vida, é naturalmente dinâmico...
Sim, seja bem-vinda a paz! Sempre!
Beijão, Roberta!

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[Farelos e Sílabas] disse...

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Mãe:

Boa noite, mãe!

Mas ajudar acaba sendo algo intimamente ligado a natureza do ser, a mãe já [me] conhece... E quanto aos pais, quisera muitos deles despertassem na própria vida como ela é surpreendentemente diversa, sempre além do que imaginamos nas nossas convenções morais, sociais, etc e tal. Ela é sempre além!

Hummm... dia 7 é na próxima semana. Teremos bastante tempo e trocaremos bastante palavra até lá! Beijo!

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AD:

E penso que sempre valerá à pena amar, pois quem ama, acolhe, traz pra perto!

Que bom que veio, então! Aproxime-se, sente-se, escreva mais...

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[Farelos e Sílabas] disse...

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Daniel:

A que escolhemos...
Isso, meu menino!

;)

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[Farelos e Sílabas] disse...

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Serginho Viula:

Cara, o que dizer de você que já não tenha dito olho no olho!? (rs) Você é um homem que imprime cores VIVAS neste cenário de vida! Conheço-te desde o “armário” (de vidro, como você adora me dizer! Huahua). Como saíste enorme, maduro e o tempo todo íntegro à tua história! Seus filhos têm de quem se orgulhar!

Um beijo pra ti e a certeza do conforto de tuas palavras pra todos, não apenas pra eles e elas...

P.S.: Ando um pouco ausente do teu blog. Prometo consertar isso!

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Solsekisi disse...

Ain, eu tinha deixado um meeega comentario aqui e nao salvou! ¬¬

Preguiça de escrever tudo de volta, mas no resumo da opera eu contava que já sofri com isso tb, mas uma dica é deixar o tempo curar todos e ensinar tudo.

Força pra sua amiga! Ela vai precisar!

Beijao!

[Farelos e Sílabas] disse...

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Poxa, poxa!... não tem problema se não conseguiu salvar o 'meeega comentário', pois você veio na companhia das palavras e fez toda a diferença!

Ela tem precisado, mas, graças a Deus, um outro amigo querido já conseguiu até um lugar pra ela ficar pelo que tempo que desejar.

Ah, o tempo... grande mestre!

Beijos!

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Wans disse...

Querido, mas é claro que podemos. Estou há quase 8 anos com meu companheiro e nos amamos e nos respeitamos muito. Sei que ter o paio dos pais é fundamental, mas a dos amigos é tão importante quanto.
Fiquei tocado pelo texto e pelo carinho dos próximos.

[Farelos e Sílabas] disse...

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Querido, eu é que fico tocado toda vez que leio alguém sinalizando anos e anos de convivência em carinho e cumplicidade. “(...)nos amamos e nos respeitamos muito”. Isso é que me tocou!

A questão do apoio é, de fato, fundamental. Imagina quando vem da família, o alicerce que nos pôs nesta existência e nos formou?

Beijo e felicidades!

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Priscila Bispo - disse...

Caro rapaz das palavras alimento, caso possa, dê uma boa olhadinha nesses 2 posts do .deouvirdizer.
Penso que seja isso:

http://deouvirdizer.blogspot.com/2010/01/super-in.html

http://deouvirdizer.blogspot.com/2009/10/por-favor-pare-agora.html

Beijo grande ;)

Alexandre Lucas disse...

Vejo com horror que essas coisas ainda acontecem.

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