domingo, 14 de fevereiro de 2010

Apontamentos em pleno carnaval



Pleno domingo de carnaval. Cidade do Rio de Janeiro, berço do samba. Marchinhas nas avenidas. Blocos arrastando multidões. Ontem, eu mesmo acompanhei a histórica Banda de Ipanema no seu 46º aniversário. Foliões não faltaram. Vestidos de todos os trajes possíveis. As drag queens fizeram enorme sucesso. Os heróis das histórias em quadrinho também. A Farme de Amoedo, badalada rua de Ipanema, virou uma private rave party depois que a famosa Banda passou. Eram milhares de pessoas aglomeradas – pra não dizer comprimidas! – por toda a rua. Muita gente bonita e perfeitinha por metro quadrado. Como tudo por ali parecia uma vitrine de personas estereotipadas demais pra mim, saí daquela aparente perfeição estética para ver rostos comuns e sobretudo abraçar a brisa salgada do mar. Caminhei até a praia e me encantei ao encontrá-la superlotada quase perto das 23h. Descalço na areia, assisti a uma partida de beach volleyball. Depois, como me disse um amigo auto-intitulado filho de Iemanjá, fui lavar os pés nas águas da rainha do mar. Reis e rainhas à parte, pra mim, o carnaval converge para o maior espetáculo que é assistir a alegria no sorriso dos foliões. A alegria é contagiante e nos reimprime boas lembranças. Gosto disso tanto quanto gosto de me banhar nas ondas da esperança. Voltei pra casa num metrô que quase saiu do trilho tamanha a fanfarra dos passageiros cantando (e tocando) todas as marchinhas conhecidas. Na estação da Praça Onze, ao lado da Marquês de Sapucaí, o indivíduo que não estivesse fantasiado era a exceção. Eu, que já sinto-me exceção por natureza, mais excetuado me tornei. Ao menos, naquele contexto. Não havia fantasias em mim. Nunca houve senão as do coração. “Um dia, se Deus quiser, eu vou... eu terei... eu...”, essas coisas dos baús da psiquê humana. Sob a cortina de céu estrelado adormeci horas depois que cheguei em casa. Ao acordar, a luz coriscante deste verão saariano me pôs de pé num segundo. Ao longo de toda a semana, não se vê uma nuvem esquecida no firmamento. Céu de brigadeiro, dizem os mais antigos. Não é diferente nesta manhã de domingo. São as cores do cenário deste carnaval. Céu azul. Rostos bronzeados de alegria. Clima de paz. Tudo parece democraticamente colorido, sem puxar a tonalidade para nenhuma tribo. Como tem que ser quando se abrem as alas para todos passarem! Bom carnaval a todos!



Notas de rodapé: Créditos para as imagens captadas na máquina do Rodrigo Soldon. [*][*][*]Assim que der, durante o carnaval responderei aos e-mails dos queridos.


5 comentários:

Daniel Savio disse...

Cara, é bom quando você sia para se divertir e realmente e diverti...

Mas neste calor, penso que tenha acordado e já pensando num banho de mar.

Fique com Deus, menino aniel.
Um abraço.

Mãezinha, Anna Maria disse...

Olá filhote, passei apenas para deixar aqui a minha alegria ao saber que esteve acompanhando a Banda de Ipanema no seu 46º aniversário e que as drag queens fizeram enorme sucesso e também os heróis das histórias em quadrinho.

Fico realmente feliz porque dá para perceber a grande mudança que ocorre em sua vida.
Que você está procurando ter tempo para si; esteve andando descalço nas areias e depois foi molhar os pés nas águas da rainha de Iemanjá.
Que bom, meu filho, tomara que essa mudança continue por muitos e muitos anos.
Filho, você não é nenhuma exceção, pois gosto não se discute.
Você é assim hoje, mas quem sabe um dia, se Deus quiser, você vai... você terá... você..., "essas coisas dos baús da psiquê humana".

Que esses dias de carnaval você possa descansar bastante.
Gostei muito do seu texto, viu?
Um beijo da mãezinha.

HSLO disse...

Feliz carnaval para você viu amigo...
abraços


Hugo

[Farelos e Sílabas] disse...

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Daniel:

Rapaz, o calor aqui é o excesso que já disse. Pelo que pude observar, sabe-se lá por que razão, o excesso de calor tem levado excesso de pessoas para as ruas em plena folia... uma multidão que, assim como eu, não dispensa o banho de mar logo em seguida...

Deve ser por isso que a praia tava tão superlotada quanto as ruas (levando-se em conta o horário avançado da noite).

Abraço grande com sons de Graça!


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[Farelos e Sílabas] disse...

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Mãe:


És uma delícia porque deliciosa é a leitura que faço de ti!

Que seriam dos filhos sem mães que realmente amassem e soubessem “interpretar” a alma humana?

Sem palavras... é só AMOR!

Saudades de te responder!

Saudades de ti!


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Hugo:

E pra ti também, meu amigo!

Abraços em folia, Hugo!


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