quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Segunda Indignação


Viver não deixa de ser uma loucura diária, bem sei. Mas, convenhamos, há muita gente doente (na psique) lançando o ódio que sente contra si mesmo na direção dos outros. Gente que não se ama, por isso adoece nutrindo o ódio. Mais uma vez o mundo (leia-se planeta) paga a conta!



Neste final de semana (01/08) um desses doentes lançou seu ódio num bar (Café Noir), na cidade de Tel Aviv, na esquina das ruas Ahad Haam e Nachmani, e disparou contra os homossexuais. Em seguida, fugiu.


Os disparos mataram Nir Katz, 26, e Liz Tarbishi, 17, além de deixar 15 feridos a tiros e também pelo tumulto. Deste total, três estão internados em estado grave. O atentado é considerado o mais grave da história de Israel contra gays.



Que a comoção contra o terrível episódio (incitado pela semente do preconceito, quase sempre concatenado a discursos advindos da religião quando esta confunde fé com moral, o que é muito comum nas principais religiões monoteístas) venha nos chamar à reflexão de que não apenas naquele país (Israel) mas também neste (Brasil) o ódio prevalece em muitos outros episódios parecidos. Os atentados feitos – consciente e inconscientemente – contra a dignidade de um semelhante ser humano falam por si. Versos me incomodam com o significado dado a eles na voz de Renato Russo ao dizerem, profeticamente: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã". Pra pensar.





2 comentários:

kikoriaze disse...

O fanatismo religioso das religiões monoteístas é o nosso principal algoz. Aqui no Brasil, são os conservadores cristãos que emperram as causas LGBT's no Congresso, deixando-nos à deriva neste mar de preconceito, homofobia, descaso e violência. Lamentável este episódio em Tel Aviv...Lamentável...
...
Querido, retribuo a visita ao meu blog. Tenha certeza de que passarei aqui muito mais vezes. Se não se importar, estarei linkando seu blog ao meu. TEm muita coisa interessante para a comunidade gay aqui. Belo trabalho!
Abração!

[Farelos e Sílabas] disse...

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Meu caro,

Inicialmente, sementes de gratidão. Não apenas pelo retorno, mas também pelas palavras em si. Revestem-se de gentileza e importantes pontuações. Permita-me o encontro delas com minhas observações, senão vejamos:

Sim, rapaz. Lamentável o episódio em Israel. Graças a Deus o Governo laico do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem se colocado inteiramente à disposição para não dar trégua à caça do assassino responsável por aquele ataque hediondo.

Quanto ao fato levantado nos discursos religiosos, estou absolutamente convicto que tais discursos incitam o ódio, fomentam o preconceito, sendo, portanto, o grande inimigo do movimento. No Congresso Nacional, o importante PLC 122/2006 é alvo das articulações desses grupos religiosos que odeiam os gays e, se pudessem, exterminariam.

Ainda a respeito do tema, como disse um grande amigo, os religiosos fundamentalistas e seus representantes no Congresso Nacional dizem que o PLC 122 fere o que eles chamam de "liberdade de expressão", criando uma categoria "intocável" de cidadãos, segundo discurso do Pastor Silas Malafaia, influente pregador evangélico brasileiro, um dos maiores opositores ao avanço dos direitos civis LGBT.

Cabe aqui a reflexão: o que é, numa democracia, liberdade de expressão? É o direito de dizer, de manifestar, nos diversos módulos de linguagem, o que quiser, sem respeitar o direito do outro? Numa democracia, vale dizer o que pensa, seja lá o que for que pensa, a respeito do cidadão alheio? Isso não se parece mais como pressuposto de uma ditadura, onde um só ou uma minoria tem o poder de regular a vida alheia?

Crer, como muitos, que uma democracia é uma sociedade livre, onde vale tudo, é um equívoco! Jamais existirá algo parecido: uma liberdade geral e total, onde é possível dizer e se comportar socialmente como convém a cada um. Democracia verdadeira se instala quando liberdades e não-liberdades fazem parte do chamado pacto social. "A Democracia exige que as "Liberdades civis" sejam protegidas por direitos legalmente definidos e por deveres a eles correspondentes, que acabam implicando **limitações da Liberdade**" (Felix E. Oppenheim – verbete "Liberdade", Dicionário de Política, BOBBIO e outros, UNB 2002, 12ª edição).

Bom, de qualquer forma fica a reafirmação da gratidão pelas tuas palavras e a visita feita. Estarei, em contrapartida, favoritando teu blog por considera-lo muito abrangente e útil.

Abraço!

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