sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

40 anos pra não esquecer


Um pesadelo cujo clímax surgiu no dia 13 de dezembro de 1968...

Os mais novos, principalmente o segmento dos alienados nesta geração contemporânea que só procuram saber acerca dos enlatadinhos como Big Brother, por quantos países a turnê “Sticky & Sweet Tour” vai passar ou qual o hit musical do verão, talvez não se interesse pela História que faz deste país o que é. Alguns falam mal, porém não fazem a menor idéia do que era viver naquela época sem a conquista da liberdade.

O Ato Institucional Número Cinco, ou AI-5, foi o quinto de uma série de decretos emitidos pelo regime militar nos anos seguintes ao golpe militar de 1964. Foi o AI-5 que deu ao regime poderes absolutos e cuja primeira conseqüência foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano.



Entre as muitas proibições que o ato instituiu estavam a proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política; a suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais; a aplicação da liberdade vigiada, da proibição de freqüentar determinados lugares e do domicílio determinado. Nem "Habeas corpus" poderia mais ser impetrado pra livrar ninguém de prisão. Por falar nela, qualquer um poderia ser preso [e morto] sem ter direito de saber os porquês...

Eleições diretas, passeatas, greves, parada gay, reivindicações, liberdade de imprensa, artística e musical? Hã?! Impensável!

Pra relembrar o episódio, o Centro Cultural da Caixa Econômica inaugurou a exposição “AI(s) nunca mais – Imagens que o Brasil não viu ou esqueceu”. [Leia +] Quarenta anos se passaram. Eles não podem ser esquecidos. Se liberdade era pouco pra Clarice Lispector, imaginem não tê-la nem por um momento...

Como Miguel de Cervantes, também creio que a liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem os tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a nossa vida”.



9 comentários:

Dany disse...

Deus me livre não ter meu poder de escolha, de voto, de voz, de liberdade, enfim... Ser punidos até pelo que pensávamos, por discordar do regimento ou coisa do tipo!! Ai, deve ter sido uma loucura, deus me livre viver num tempo assim!
E viva a democracia, viva a liberdade de expressão!!
AI(s) NUNCA MAIS!
Bjs

Tônio disse...

Li teu texto e me lembrei do que meu pai me falou outro dia, tem um projeto de um político aqui do sul (um tal de Zachia ou coisa do gênero), o dito-cujo quer estabelecer um lugar específico para protestos políticos e me parece que este lugar vai ser lá pra Zona Norte. Se não me engano os senhores residentes nos arredores da prefeitura e colégio parobé estão incomodados com a bateção de panela. Cada uma que me aparece, tem gente que precisaria viver o período do AI-5 na pele.

Cris Animal disse...

Uau....Liberdade, liberdade...abra suas asas sobre nós!
Um homem com sua expressão caçada, castrada, sem direito a contar seus ideais e sonhos é realmente um homem morto. Morto com um coração que bate. Têm coisa pior?
caramba....
Legal seu blog!

Serginho Tavares disse...

é uma pena que essa geração seja alienada!

mãezinha, anna maria disse...

Boa noite lindo!
Ler este artigo postado, me fez lembrar dogolpe militar de 1964. Eu trabalhava na FACE-UFMG e naquele tempo o curso de Sociologia e Política fazia parte dessa Faculdade,mais tarde,foi para FAFICH-UFMG.Os estudantes desse curso eram muito agitados,vários deles foram presos,torturados,inclusive uma amiga de infância,e foram vários momentos que a mãe passou presa ali,pois os militares fechavam a a porta da Faculdade,não deixavam ninguém sair e ninguém entrar. Era um verdadeiro tormento para quem estava dentro.
Foram anos de agitação naquela Faculdade... Muitos professores foram presos, alguns até mortos, alunos que conheci, estrangeiros que foram deportados por fazer parte da agitação, inclusive um patrício do paizão, faltando 1 ano para se formar em Economia, foi deportado para Nicarágua.

Graças a Deus que hoje estamos em um país livre, tanto para falar, quanto para ler, pois naquele tempo até a leitura de certos livros era proibido.

Que bom filhote, 40 anos! Mais uma comemoração. E hoje é aniversário da nossa Belo Horizonte, completando 111 anos.

Com carinho, beijos da mãezinha, Anna Maria

Markus disse...

obaaaaaa;
Pérolas históricas na madrugada...
Quem não passou por isso (pegamos os resquícios dessa morbidez), não sabe e tampouco se interessa em manter os direitos.
Bração e bom fds.

O Pequeno Diabo disse...

em 64 minha mãe estava nascendo e jah ouvi ela contando historias d como as coisas eram rígidas

como liberdade era algo com um valor mt maior q tem hj

hj axo q tem tnt libverdade q a gente nem sempre faz o certo cm ela

eh o homem evoluindo
ainda bem

xx

Sieger disse...

AI5 era meu pesadelo nas aulas de história... Detalhe, caiu no meu vestibular.
Mas, é uma grande verdade, os jovens de hoje andam alienados... Culpa de quem? da mídia?

[Farelos e Sílabas] disse...

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Dany:

Sim, minha querida! Vivas, muitas vivas à democracia, conquistada com suor e sangue.

Literalmente!

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Tônio:

Assim inicia-se a segregação... há um sinal amarelo se acendendo no semáforo da política sul-riograndense... Um chamado de “atenção”, diria. Tenho CERTEZA que o bom senso prevalecerá. O tal projeto, sem sombra de dúvida, não há de passar pela inconstitucionalidade do mesmo!

Bem, AI-5 é algo que não gostaria de viver. Aliás, se tivesse inimigos, nem a eles gostaria que vivessem. Mas fato é que é preciso não se calar, é preciso denunciar, é preciso LEMBRAR a ditos-cujos parecidos como este que você citou o preço que precisamos pagar para sermos o que somos hoje... recordar é reviver já dizia um samba [muito verdadeiro]...

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Cris:

Não, querida. Não há coisa pior. Triste porém fato...

Adorei os versos da Imperatriz Leopoldinense! Salve Rosa Magalhães!

Salve sua visita aqui!

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Serginho:

Mas sempre é oportuno crer que os cenários podem ser mudados...

Beijo, meu querido arretado!

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Mãe:

Conheço a história, querida-minha. Ouvi de sua boca quando estive contigo na FACE-UFMG, numa tarde após o almoço... lembro quando falávamos sobre o tema... veja só a sintonia!

Sim, graças por vivermos hoje a conquista das lutas de tantos braços (alguns torturados).

Parabéns a nossa querida Beagá! Beijos!

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Markus:

Ainda há conquistas a serem conquistadas, mas muitas surgiram a partir da luta e resistência ao sonho pela democracia. AI(s) nunca mais! Mesmo!

Valeu, queridão. Bom fim de semana pra ti também!

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O pequeno diabo:

Penso que as coisas eram pra lá de rígidas, eram terríveis. Ilegais. Arbitrárias, portanto (pra não dizer desumanas).

Você tocou numa questão, a de não se saber o que fazer com o que se tem (se é). A absorção dessas conquistas não pode ser algo dispensável ou, em alguns casos, preterido. Mas penso que muitos hoje em dia, de fato, não conseguem se nortear com tantos caminhos oferecidos de bandeja... Nem sempre todos saudáveis...

Valeu pelas palavras, meu caríssimo. Abraço(s)!

...

Sieger:

As perguntas dão bom debate e boa reflexão. A mídia é somente uma pontinha emergente. Há que se tocar na base do iceberg. Famílias desinteressadas pela formação de valores, em grande parte dos casos – sei que há as exceções, ufa! – transferindo a responsabilidade para as escolas ou, o que é pior ainda, para o (dês)aprendizado nas ruas... Este diria ser uma questão bem mais intrínseca.

A mídia, como diria, Cartola, é apenas o café pequeno...

Diga-me: foste bem no vestibular? Espero que sim, muchacho! (rs)

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