quarta-feira, 19 de novembro de 2008

É no repente, é de repente


Se a palavra esmaga e se agiganta, se a sílaba não alimenta nem põe de pé e a vida esbraveja letras soltas ao vento...



“É no sangue, é no povo, é no tipo, é na raça,
É no riso, é no gozo, é no gosto, é na graça,
É no pão, é no doce, é no bolo, é na massa:
É na massa, é no bolo, é no doce, é no pão”
(extraído dos versos cantados do repentista Dimas Batista)



que o caminho se refaz no passo seguinte, na volta por cima, lá de cima, onde o que é grande fica tão pequeno, submisso numa nova idéia...



Nota: Hoje, 19 de novembro, é dia do cordelista. O cordel, pra quem não sabe, é de inestimável importância na manutenção das identidades locais e das tradições literárias regionais, um grande incentivo à manutenção do folclore nacional. Entre os educadores é pacífico o entendimento que a literatura de cordel, pelo fato de poder ser lida em sessões públicas e de atingir um número elevado de exemplares distribuídos, é de grande ajuda na disseminação de hábitos de leitura e na luta contra o analfabetismo.


12 comentários:

mãezinha, anna maria disse...

Filhote, interessante, abri seu blog para fazer um comentário do texto "O ser e a bandeira" e tive a surpresa de ler este ouro falando sobre o dia do cordelista.

Ontem estava comentando sobre isto com Luiz,pois li algo falando que devemos incentivar as crianças e jovens sobre a importância das identidades locais e das tradições.
Há pouco tempo eu li um artigo sobre isto e achei interessante você escrever também e dando ênfase à literaturas regionais, folclores, etc.
Gostei, meu lindo, você sempre buscando trazer textos para despertar o conhecimento daqueles que têm pouca leitura.
Gosto sempre de buscar no google sites que trazem coisas boas e agora mesmo fui em um blog "Blog do professor" e encontrei um texto que diz:

"O autor e estudioso de cordel, Bráulio Tavares, na introdução de seu livro A Pedra do Meio-Dia ou Artur e Isadora, descreve com mais rigor as características desses folhetos. Ele diz: 'Um folheto de cordel é um livro pequeno (geralmente 16cm x 10 cm) e muito fino (a maioria tem 8, 16 ou 32 páginas). É impresso em papel barato, e nas capas aparecem xilogravuras (gravuras entalhadas em madeira), reproduções de cartões-postais antigos, ou fotos mostrando cenas de filmes'".

É uma pena que não tem jeito de colar uma gravura aqui nos comentários, mas tem um livro que o dito professor fala e que se entitula "A língua escrita e a linguagem do cordel" e eu tentei colar a capa do mesmo, mas não deu.
Depois se você quiser entre no blog dele, é muito interessante. O site é: www.alemdasletras.org.br

Um beijo meu lindo neste coração que ainda está em silêncio.
Su madrezita

O amor e etc. disse...

Eu gosto de literatura de cordel, até porque é daqui da minha terra. Jpa fiz muito na escola e já participei de alguns. Pena que cada dia mais vem caindo no esquecimento. E eu gostei da forma que escreve.

Dany disse...

moro no Nordeste, então tenho muito contato com Cordéis... adoro, tem de todos os tipos diferentes, alguns bem reais, outros bem humorados... mas todos de uma simplicidade ímpar, o que deixa a poesia ainda mais linda!
Tem um velhinho vizinho meu que vende, às vezes leio alguns que até esqueço do mundo, hehehehe
Parabéns a eles!
Bjs

Robson disse...

Mudança!


Vou contar a minha história
Pra meu povo tão amigo
Vou mostrar para vocês
O que aconteceu comigo
Atenção eu peço agora
Com amor agora eu digo.


Nasci no meio do mato
Nunca li nem escrevi
Na revista, só figuras
Nunca uma linha eu li
Só Deus sabe o que passei
E o tanto que sofri.


Ao abrir qualquer jornal
Era grande a agonia
Só abria na minha frente
Como quem lia e entendia
Minha vida eram imagens
Escrever, não escrevia.


E assim eu fui levando
Cada hora e segundo
Mas de tudo via um pouco
Só da vida, soube ao fundo
Minha grande alegria
Pus três filhos nesse mundo.


E assim eu trabalhei
E o tempo foi passando
Para os outros, tudo certo
Para mim, algo faltando
Então foi comigo mesmo
Que eu fui já conversando.


Perguntei para mim mesmo
Mas que mal que me aflige?
Sinto que uma coisa nova
Minha vida já exige
Mas se tem algo de errado
Vê se acerta e corrige.


Foi então que decidi
Aprender o alfabeto
Desde o A até o Z
Eu queria ele completo
Coloquei para mim mesmo
Vou fazer esse projeto.


Eu não vou contar das aulas
Que dois anos eu passei
Nem tão pouco os amigos
Que na escola eu ganhei
Vou contar que na escola
Aprendi o que hoje sei.


Porque não quero contar
Quais os dias dessa agenda
Nem tão pouco que serviam
Uma genial merenda
Que aprendi bastante coisas
Desde história até lenda.


Mas não conto pra vocês
O qu'é começar a ler
Ir somando cada letra
Começando a entender
Como se um novo mundo
Eu ali visse nascer.


Também não sei se eu conto
Que a vida teve vida
Que a foto da revista
Hoje é mais colorida
Pois também eu leio o texto
Nada mais me intimida.


Eu ainda tenho dúvida
Se eu devo lhes contar
Aprendi a matemática
dividir, multiplicar
Aprendi que essa vida
É mais que observar.


Eu decido já contar
Nada pra ninguém eu devo
Escrever meu próprio nome
Juro que eu já escrevo
Eu escalo a leitura
Eu enfrento esse relevo.


Eu já vejo que a revista
Não é feita só de foto
Vejo muito mais que o rosto
De quem ganha o meu voto
Entender essas palavras
É mais que ganhar na loto.


A leitura é diversão
Uma nota de jornal
A receita de um bolo
- Quanto é o percentual?
São palavras na minha mente
De um modo natural.


Um bilhete de amor
Eu o faço com coragem
Hoje com a minha escrita
Eu embarco na viagem
Eu carrego o mundo inteiro
Dentro da minha bagagem.


Hoje não estou mais rico
Hoje não estou mais pobre
Ler não me deu mais dinheiro
Mas eu digo: -Sou mais nobre!
Ler me deu um novo mundo
Que mais vale do que cobre.


Já não tenho agonia
Acabou o meu tormento
Sou mais que alfabetizado
Tenho em mim o letramento
E eu grito para o mundo:
- Salve, salve meu talento!


FIM

http://www.teatrodecordel.com.br/

Abraço meu amigo

Ps: Minha mãe alfabetiza adultos.

[Farelos e Sílabas] disse...

...

Mãe:

E depois diz que eu é quem estou sempre buscando despertar alguma coisa boa... a senhora é exímia nesta arte: coisas boas!

Anotei o endereço do site. Gosto de aprender. Aprendo tanto contigo, lindona, com teu carinho e com teu respeito, mesmo sabendo que de muitas coisas já o sabes há tanto tempo...

Beijo enternecido de vínculos afetivos-consanguíneos-parentais-eternos!

...

[Farelos e Sílabas] disse...

...

O amor e etc:

Terra boa, terra de meus avós, tios e primos!

Saber que as escolas incentivam à regionalidade é um presente pra minha leitura nestes dias de tanto “enlatamento comercial”. Você, tenho certeza, está enriquecido pelo que é chão, suor e sangue sobre tua pele, dentro das tuas veias e nas brisas dos teus conceitos!

Abraço quente no pó de todas estas letras!

Ah, sim, e volte nas asas do vento!

...

[Farelos e Sílabas] disse...

...

Dany:

Fato 1) To feliz em ver tanto sol e tantas almas coradas por estas linhas.

Fato 2) Literatura de cordel é nosso pão com manteiga de garrafa, uma sustança cultural da gota!

Fato 3) Sobre o vizinho velhinho vendedor de cordéis: privilegiada, jogado aos seus pés, você é mesma uma privilegiada! Hehehe!

Beijos!

...

[Farelos e Sílabas] disse...

...

Robson:

De pé: BRAVO!

Assentado, reflexivo: que amigo!

Na porta da geladeira: (Pensando): o que tenho pra dividir com ele durante a visita?

Voltando à sala: parabéns ao “sim” de sua mãe a uma Grande Missão! Teria muitas histórias sobre alfabetização de adultos, até um abaixo-assinado que idosos fizeram quando tinha dito que não poderia em razão dos outros projetos sociais... Uma grande amiga pegou a doce Missão... foi até o fim... estava lá no dia da entrega dos diplomas.

Na hora da despedida: pode deixar que o site já foi anotado. E não esqueça de voltar, faz-me bem...

Inté!

...

mãezinha, anna maria disse...

Lindinho, queria agradecer todas as palavras escritas ao responder os meus comentários com esta linda frase de Everett Hale:

"Eu sou apenas um, mas sou alguém. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. Tenho o dever de fazer tudo o que posso e, com a ajuda de Deus, serei capaz!"


Filhote fico com vontade de colocar uma porção de historinhas para você, mesmo que não se trate do assunto em pauta. Acho que vou arriscar, não tenho outro meio pois tá difícil a comunicação contigo. Lá vai...

TELEFONE

Pronto, desliguei! Mas por que terá telefonado?
Ah! Sim, Senhor... eu já me lembro.
É que falei demais e bem pouco escutei.
Perdão, Senhor, recitei um monólogo e não dialoguei.
Impús minha opinião e não troquei idéias.
Por não ter escutado, eu nada aprendi.
Por não ter escutado, nada levei comigo.
Por não ter escutado, eu não comunguei.
Perdão, Senhor, eu estava em comunicação e agora estamos cortados.
(Michel Quoist)

Que você possa sempre estar atento aos chamados, pois eles são muitas vezes importantes e especiais.

Com um carinho muito terno receba um beijo carregado de rosas para você colocar naquela jarrinha do coração.
Su madrezita que te ama en el silencio del corazón!

P.Winter disse...

Olá
Prazer enorme em conhecer seu Blog...muito bom!
Taí,não sabia que 19 de novembro,além de ser o Dia da Bandeira é tb o Dia do Cordelista.Pra mim,a literatura de cordel é a raiz de toda a literatura...simples e regional traduz a tradição de um povo.
Parabéns pela lembrança.
Obrigado pela visita.Vou favoritar seu Blog.
abraço

[Farelos e Sílabas] disse...

...

Mãe:

Michel Quoist é um dos meus prediletos da literatura francesa, acho que já lhe disse. Cada dia estou mais convicto.

E procurando estar atento. Um exercício e tanto, mãe!

Beijos silenciosos e eloqüentes!

...

[Farelos e Sílabas] disse...

...

P.Winter:

Olá! – em singular
Olás! – no meu plural

A literatura apenas acalenta o que se ouve pelas ruas, pela tradição de um povo, seja ele qual for.... Cordel, como disseste, é uma raiz. Um povo nasce na semente, mas se sustenta é pela raiz!

Estás certo! Volte mais vezes, será muito bom recebê-lo! Abraço!

...

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