sexta-feira, 21 de março de 2008

O mosquito que mata a Rede de Saúde Pública


O bicho é sinistro pra uns. Assustador pra outros. Há quem já o note com estilo electroclash no reino da entomologia. Tudo por conta dos detalhes nas perninhas pintadas de listas brancas. Hábitos diurnos. Picadas nos membros inferiores. Melhor deixar claro: pernas e pés. Ah, bom! Pra mim, como todo mosquito que se preze, o pior é o estrídulo perto de meus ouvidos. Inofensivo? Tudo menos isso! Quando menos se espera, febre alta, dores pelas juntas no corpo, falta de apetite e vômitos. Dengue! Em alguns casos, hemorragia. Cada caso é um caso, sei disso. Mas nem por isso dois vizinhos meus (uma criança e uma adolescente) estiveram internados com a febre hemorrágica. Todos estamos alertas. Minhas pernas não param de balançar. Síndrome das pernas nervosas. A esta hora da noite “aedes aegypti” não me picaria. Faz parte da tensão. Segunda-feira aqui no Rio o ministro da Saúde fará a sua primeira reunião no gabinete de emergência. O sindicato dos médicos do estado denunciará junto ao Ministério Público o caos endêmico dentro do qual estamos vivendo. No mesmo período em 2007 pode-se dizer que ultrapassamos o dobro dos casos da doença. Se não fosse a possibilidade real que leva à morte (são 38 casos de óbitos na capital) ninguém estaria tão preocupado. A responsabilidade é, de início, das redes públicas pela omissão no trabalho de prevenção aos vetores. Verba houve até para implantação dos agentes de saúde. Aonde foi parar? Mais outra daquelas em que a grana estava dentro da cueca nem os mosquitos agüentariam! Arnaldo Jabor acabou de se apresentar no Jornal da Globo. “Estamos andando pra trás... as redes municipal, estadual e federal tiram o corpo quando se fala em responsabilidade... Oswaldo Cruz, onde é que você estará agora?”.

O que um mosquitinho listrado não faz!

Nota 1: Na imagem acima, créditos para Marco Gaiani.
Nota 2: Perdoem-me, mas os dados estão imprecisos. Onde se lê "são 38 casos de óbitos na capital", leia-se a partir deste início de sábado, 22/03/2008, "são 49 casos de óbitos na capital". Uma vergonha epidêmica que poderia ter sido evitada pelos governos.

2 comentários:

ladyneide disse...

O carioca sente na pele mais uma vez, as consequências do descaso governamental... é vergonhoso e muito triste ver este "postal" da Cidade Maravilhosa!

Beijosss entristecidos!

Vovó Anninha disse...

Filho, ando preocupada com você, viu? Porque? Ainda pergunta?
Você não se cuida. Olha só o que anda acontecendo aí no Rio e não é brincadeira, é sério. Quantas mortes? Mais de 54 e entre essas a maior parte era criança, mas tome cuidado, por favor. É uma súplica que faz uma mãezinha mineira que está distante e não pode fazer nada.
Sniff... sniff...
Beijinhos e mais sniff...
Su madrezita

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