quinta-feira, 20 de março de 2008

O dia de hoje é quarta-feira

Quarta-feira tida como santa. Não nos esquecemos que nesta semana todos os dias carregarão adjetivações para a maior festa religiosa cristã. Não, não me chamem ateu. Eu creio na existência, e não na inexistência de Deus. Mais que isso. Respiro tal existência em mim como ar que me conduz a plenos pulmões de Graça. Mas hoje é quarta. Dia de enfrentar a hora do rush, a multidão pelas ruas, os rostos procurando caras em todas as faces que vejo de relance. Alto lá! Todos os dias não são assim? Nem todos os dias carregam adjetivações. Alguns são substantivados, mais densos e mais fechados em si mesmos. Outros, não. São dias pendurados em qualquer coisa que inventemos. Hoje é quarta, mas nem toda quarta é semana santa. Nem todas as semanas santas gestam dias como hoje, que, além de tudo, é dia de São José. Santo protetor das famílias e dos trabalhadores. Acreditem se quiser, mas ao sair do fórum passei pela Igreja de São José, que situa-se bem ao lado. Gente pelo ladrão. Seria ainda a hora do rush? Entre ambulantes e pedintes que aureolavam o quarteirão entre a igreja e o Palácio Tiradentes, sede da Assembléia Legislativa, fuçei a melhor saída daquele tumulto devoto. Atravessei a famosa 1º de Março, caminhando pelo passeio junto a Antiga Sé. O que vejo? Um pelotão de policiais trajados de gala. Conversando e aprumando-se, preparavam pra entrar na igreja. Olhando os detalhes dos vitrais que espigavam da nave, entendi que na igreja em cujo altar foram coroados nossos imperadores, rolava algum barato importante. Bastava observar os galhardetes que escorriam pelos vitrais para o lado de fora. Todos anunciavam as comemorações do bicentenário da vinda da família portuguesa. Quis entrar, mas temi por não encontrar lugar pra mim em toda aquela pompa. A pressa me auxiliou, de certa forma. Meu alvo era voltar pra casa. Passar por ali, àquela altura, foi mera distração.

Comecei falando de uma quarta-feira incomum. Adjetivada. Quarta-feira santa. Quarta-feira, dia de São José, o esposo de Maria, aquela, aquela mesma que é a mulher mais adjetivada que conheço. Mas ela também não é uma simples mulher. Eu sou devoto das adjetivações. Sei dar importância a isso. Respeito Maria e José. Ambos santos. Parecidos com esta semana. Ambos incomuns. Mais cheios de significados que esta quarta-feira. Tenho certeza que, do jeito que viveram, qualquer dia carregava um quê de suma importância. Eles souberam viver por fé. Isto torna qualquer dia santo. E, neste caso, não há necessidade de uma semana de festejos pra que se comprove o que tô falando. Nós somos os dias que fazemos. Santos ou profanos, substantivados, adjetivados ou lá o que seja. Era isso o que queria dizer desde o início. São José foi só um pretexto, assim como o meu dia. Uma quarta-feira dessas, mas não uma qualquer...


Na imagem: Igreja de São José, uma das mais antigas do país. Localizada no Centro Histórico do Rio de Janeiro, bem próxima da antiga Sé (Igreja do Carmo), ao lado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

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