sexta-feira, 30 de abril de 2010

Palavras em boas companhias



Em meio ao resfriado que me tomou no início da semana, lenços e descongestionantes não se separaram de mim desde domingo. Fez-se necessário. Melhorei ou, quem sabe (e sei!), estou ficando bem melhor. Juro (sem atchins!). Mesmo!

Sei que parece clichê, mas só parece, eu tava mesmo é com saudades de vir aqui. Trabalhos. Defesas escritas. Alguns probleminhas, ups, oportunidades de crescimento para aprender a resolver. Tudo isso foi formando uma espécie de caldo que venho tomando. Depois de vários dias “ausente”, separei tempo e, dentro dele, alguns e-mails para responder. Há muitos outros. Assim como há alguns comentários no post anterior que merecem um sinal de vida, uns farelinhos para alimento da resposta. Inobstante, rabisco umas frases e as engravido de significados particulares desde sábado passado, quando voltava do teatro. O trabalho ainda requer acabamento.

Por falar em acabamento, resolvi deletar uma narrativa que preparei para postar aqui. Sabe quando você acha que o que escreveu não tinha muito sentido? Mas, para evitar comentários, só adianto que o tema não era nada novo, apenas minha insatisfação com o comportamento delivery dos humanos que buscam fast companhia. É que saí do teatro, estive num barzinho na Lapa, acompanhado de amigos. Invoquei-me com as investidas deselegantes. Sim, sim e sim! Sou chato com essas coisas, não me adequo a esta cultura e tenho plena consciência que a maioria de meus pares discordará de mim, fazendo-me motivo de motejo. Este é o preço a pagar por ser diferente entre os diferentes. Acabei mudando de bar, pois tinha plena consciência do que me propus ao aceitar o convite para sair com amigos. Infelizmente, a coisa se repetiu. Só não perdi a noite porque as cenas do “O amante do Girassol” [Bravo! Bravo!] me inspiraram – assim como ainda me inspiram! – a não semear no vento... no vento!


Nos dias seguintes, assisti com certo interesse ao filme “Pecado na carne” e, na posição de observador-aprendiz, ao espetáculo musical “Vicente Celestino – A voz orgulho do Brasil”, no Teatro Ginástico. Acompanhado de amigas, fizemo-nos necessários uns para com os outros e, além da apreciação às artes, ponderamos sobre muitas questões nos campos profissional e afetivo. Falamos muito sobre companhias e a arte de saber ser boa companhia como necessidade, inicialmente, pra si mesmo (pois quem não se gosta não terá muitos frutos a apresentar para os demais a quem supostamente vir a gostar); logo depois, para os outros.

Em casa, fiquei pensando sobre o que soa necessário no vestir do sangue. Sim, o que se faz necessário quando o que se quer é mais que presença? Rabisquei diversos pensamentos, mas resolvi não publicá-los. São pensamentos. Desculpem a confissão, mas esses a gente semeia é pelo lado de dentro...

O que se faz necessário numa boa companhia?

Que seja presente. Que esteja atenta às necessidades do momento. Que tenha bom senso.

Que não ultrapasse limites, mas acolha sem posse. Em outras palavras: que saiba o seu lugar. Que acredite, pois confiança é um sentir legítimo. Que erre de vez em quando, mas naturalmente. Nada soa mais artificial que o empedramento do comportamento e a maquiagem de heroísmo. Ser humano é ser frágil e forte, gigante e pequeno, mestre e aprendiz.

Que leia-perceba-discirna quando a verdade soar coerente com a trajetória (que é bem mais que o momento dela, seja ele qual for). Que sorria e que chore, sem medos para atravessar as margens do mesmo rio-sentimento. Que se dê chances, sejam elas quais forem. Dar-se chance é abrir janelas. Quanto mais abertas, maior a circulação de ares-sentimentos-fragores-de-vida.




Que saiba satisfazer os legítimos desejos do coração ou ao menos tente, pois ousar é também mostrar-se presente. Que construa – palavras, uma história ou o próprio momento -, seja como faz um bom pedreiro ou um dedicado artífice. Que produza sons nas suas sinfonias mais viscerais, nunca o barulho, restrito apenas aos címbalos que retinem pela desafinação do amor.

Por fim, que seja – e que não aparente ser – qualquer coisa, mas seja com louvor dos próprios suores no caminhar. Que caminhe semeando, não importa de que caminho desde que seja sincero. Se, porventura, houver pedras, que desvie e continue seguindo. E semeando. Pra mim, isto se faz necessário.


Nota de rodapé: os créditos para a segunda imagem são para André Bernardo. Imagem extraída do original (em cores) “Left Alone”.

19 comentários:

Dil Santos disse...

Oi Cardo, vc tá bem?
E esse resfriado já tá melhor mesmo? rs
Gente, lindo esse texto q escreveu, achei perfeito, rs, me vi em nele, nos momentos, nas situações, rs
Tenho uma mente super fértil, aí já viu, rs.
E ser cantado assim tão descaradamente ñ posso falar, pq ñ costumo ser cantado, rs
Ai deve ter sido ótimo o programa heim? rs Eu m lembrei de uma vez q sai com um ex, nem sei pq
veio isso na cabeça, mas lembrei de uma gargalhada q eu havia dado dentro do carro. rs
Estavamos conversando e começou a tocar uma músíca das milhares q adoro, rs aí do nada eu falei, ai gente, adoro essa música, ele achou tanta graça nessa minha expontaneidade, q ao mesmo tempo q eu fiquei meio sem graça, achei engraçado e dei uma gargalhada, rs
Foi um momento bem gostoso vivido, rs
Vc trabalha com o q? Eu sou meio curioso, tá muito curioso, rsrs
Kd vc menino, sumiu do blog heim? Tá muito relapso vc, rsrs
Um bjo carioquinha, rs
Melhoras
;)

Wans disse...

Escrevi sobre "Pecados na Carne" há um tempo atrás. Gostei muito do que vi, viu? E vc?

Quando vc se encontra em outro lugar que os outros, isso gera um certo desconforto por vc não aderir ao "comum". Seja sempre você mesmo. É por isso que sempre venho aqui, pela originalidade e temas que não constumo ver em outros blogs.

bjão!

Sergio Viula disse...

És assediado, porque és desejável. Eles podem ser inconvenientes, mas isso não diminui o teu natural poder de sedução. A côrte é um beijo no ego. Desfrute o momento, amigo lindo!!!

Abraço,
Sergio Viula
www.glsgls.blogspot.com

Robson Schneider disse...

A cantada precisa ser de fato cantada.tem que ter musicalidade e classe... sempre.Um abraço meu querido amigo.

Maezinha, Anna Maria disse...

Filhote, que negócio é esse? Quem está te dando cantata?
Me fale porque estarei aí em 2 minutinhos, rsrsrs....

Lindo de mãe, achei o máximo o seu texto e foi para mim uma higiene mental pois dei ótimas gargalhadas.
Ah! Isto não são coisas que meu filhote aceite assim, tão gratuitamente, não é mesmo?
Agora que você é charmoso, lindo, maravilhoso, e como mãezinha sua posso dizer até muito mais coisas, mas vou deixar para outras pessoas comentarem.

Lindinho, desejo de coração uma noite maravilhosa, abençoada por Aquele que um dia nos deu vida e que vida!

Beijinhos repletos de ternurinhas.
Mãezinha

Dil Santos disse...

Cardo, tu tá bem?
Sumiu
Se cuida
Bjo
;)

Sergio Viula disse...

Este é o meu segundo comentário neste post, mas não é novamente sobre o post. Só quero te desejar feliz aniversário, porque neste dia 06 de maio (apenas dois dias antes de mim) vc comemora mais um ano de vida!!! Que coincidência MARA!!!

Parabéns por seres esta pessoa fantástica que és!

Tudo o que tu precisas já tens, inclusive a inteligência e sensibilidade para fazer bom uso de tudo isso.

Continua feliz, cada vez mais feliz!!!!

Luv ya!

Sergio Viula

Abraão Vitoriano disse...

saudades de refletir
e aprender com seus posts...

e se faz necessário: " ser feliz" (regra legítima, prícipio)

beijos,
do menino-homem

fica com Deus!

Mãezinha, Anna Maria disse...

Filhote, estou sentindo falta de você por aqui. Não só eu, mas tenho certeza que todos os seus seguidores blogueiros estão saudosos.

Hoje tive participei de uma assembléia com alguns paulistas e cariocas que vieram para a preparação do retiro nos dias 28, 29 e 30 de maio. Foi muito bom pois conheci mais gente nova do MCL.
Estou muito feliz.

Era isto, meu filho.
Hoje liguei para sua mãezinha e a cumprimentei pelo dia do "niver" e também pelo dia das mães.
Dia 05 liguei para seu irmão, mas ele está lá pelas bandas da Argentina. Deixei um abraço.

Um beijo, meu filho e que Deus continue sempre ao seu lado, te guardando e te protegendo.
Você é muito especial para mim.
Sua mãezinha mineira, Anna Maria
__________________

Hoje me emocionei com um presete que me chegou "Flores online". Era do Paulinho. Um buquê de rosas e uma caixa de bombom e um lindo cartão que diz assim:

"Mãezinha, sei que todo dia é dia de fazer memória agradecida do presente que é uma mãe... mas, não custa nada aproveitar esse momento - no mês de Maria - para fazer memória ainda mais potentemente dessa graça: você participa da minha certeza de que "... eu sou Tu que me fazes". Feliz dia das mãos! Um abraço apertado do seu filho, Paulo".

[Farelos e Sílabas] disse...

===

Dil:

SAUDADES, SAUDADONAS!

Sim, melhorei do resfriado. Ufa!

O sumiço se deu, querido, por conta das necessidades profissionais. Andei uma semana inteira ‘preso’ num julgamento na área criminal. Dormia altas horas, acordava cedo, me lançava no estudo da defesa, nos códigos Penal e Processual Penal, nas técnicas de argumentação, retórica, etc e tal. É uma área linda da qual venho me aproximando, naturalmente. Então, por conta de algo de sublime responsabilidade (afinal, estamos lidando com vidas e a possibilidade de condenação criminal), tive que sair com algumas semanas de antecedência para poder me dedicar ao caso.

Bom, mas já to de volta, heim!

Beijo de chegada, ups, de retorno!

===

[Farelos e Sílabas] disse...

===

Wans:

Menino, meu doce menino!

Cara, gostei da percepção do filme pra dentro de algo que nos foge à cultura, que invade um tema de particular importância e sobre o qual há muitos muros – a ortodoxia dos sentimentos e das tradições religiosas normativo-heterossexistas.

Bem, traduzindo: a temática foi uma sacada extraordinária. Gosto dessa polêmica pela possibilidade de reflexão. Não importa os “nichos”. Saí do cinema entristecido, porém com muitas idéias em pulsões!

Sobre o tema “cantada”. Foi apenas um fato. Não passou disso. Há que se ter raiz pra poder sustentar uma plantinha, quiçá, uma árvore...

Cara, você é um gentleman! Putz!

===

[Farelos e Sílabas] disse...

===

Serginho:

Que iusso, para diusso! Huahua! São seus olhos, são seus olhos, amigão!

[Tô lembrando das tuas gargalhadas quando a gente se encontra! PQP!]

Não digo que tenha sido uma corte. Esta, na verdade, é fruto de uma operosidade criativa e sedutora. Ao meu ver, os fatos se autoexplicam como sendo apenas desejos ensimesmados, aqueles que não alcançam pretensões acima disso. É um pensar que trago. Pode ser que esteja certo ou não. A noite estava [mais] para os papos de poesia e os sorrisos em sintonia com os amigos presentes.

Rapaz, outra coisa. Não, meu niver no foi perto do seu, não. Aliás, não é. Você é de maio, no mesmo dia de meu sobrinho. Sou de dezembro, portanto, há muito o que percorrer até lá... rsrs... Em todo o caso, VOCÊ SIM MERECE MEUS PARABÉNS PELO SER HUMANO COM CORES VIBRANTES QUE ÉS! FELIZ ANIVERSÁRIO!

Beijão!

Cardo

===

[Farelos e Sílabas] disse...

===

Robson:

Tá vendo só, amigão?!

É por isso que você se finca nos meus mares com essa doce amizade, ainda que virtual! Vais na alma e rasga o verbo com conjugações de fundamental importância!

Um só, não. Dois abraços, daqueles com a classe que a boa amizade requer!

Sempre e sempre, viu!

P.S.: Desculpa a demora na resposta, querido. Expliquei no primeiro comentário neste post.

===

[Farelos e Sílabas] disse...

===

Mãe:

Garota, ups, mãe, veja só! Hehehe!

Mas devem ter tomado uns drinks alem da conta, só pode ter sido isso! Huahua!

Adoro-te, lindona. Beijo com carinho e fé!

Hijito

===

[Farelos e Sílabas] disse...

===

Abraão:

Aprendizes sobre o mesmo tapete de vida.
A gente tece, entorpece,
tropeça, enriquece,

enfim...

conjuga com ou sem princípios,
mas impõe cores, as nossas,
todas elas, o necessário.

Beijos com o carinho de sempre, rapá!

===

[Farelos e Sílabas] disse...

===

Mãe - Parte II:

Tô sabendo, queridona!

Hoje é seu dia...!!!

O DIA DAS MÃES...

Todas elas, nascidas, geradas, feitas, tornadas, queridas, não importa. Pelo que és, pelo que continuas sendo, pela tua história, pela tua garra, pelas tuas cores, pelas tuas lágrimas, pelo teu caminhar, pela tua trajetória, pelos altos e baixos, pelas vezes assustada ou insegura, pelos momentos felizes e outros nem tanto, pelas certezas em meio às incertezas, pela vontade louca de viver e ser inteira, putz, só agradeço. Sim, agradeço por seres assim. Agradeço pelo fruto do seu ventre. Agradeço, sorrio e choro. Mas, agradeço.

Te gosto tanto que nem sei!

Um abraço apertado – como o do Paulinho – e um beijo estalado – como os meus!

Hijito

===

Mãezinha, Anna Maria disse...

Filho não sei o que aconteceu com os comentários que ficaram minusculos, não consigo ler nada e nem escrever direito. Peço, por favor, ver o que aconteceu, pois sei que tem 16 comentários, mas na hora de ler estão minusculos. Estou custando enxergar a senha paa mandar. Vou bver se consigo.
Beijo, mãezinha

[Farelos e Sílabas] disse...

===

Hã?!?

Verifica, mãe, se não é o caso de configuração no seu próprio PC. Faça um teste, feche a página e reinicie com outra. Vá até o endereço do blog e acesse novamente. Provável que dê certo.

Beijo grande, no pós-dia-das-mães!

===

Daniel Savio disse...

Mas alguns desejamos esconder de toda forma, que nos privando vai nos fazer melhores, mas não vai...

Pelo menos penso assim.

Fique com Deus, menino.
Um abraço.

Related Posts with Thumbnails