sábado, 2 de janeiro de 2010

Em 2010...


Zero hora. Abraços e pirotecnia esfuziante. Virada de ano. Virada de página também? Cada qual saberá de si na delícia do ser, já dizia Cervantes. Sobreviventes dos paradoxos de 2009, chegamos incólumes em 2010! Voilá!

Depois de algum tempo sem vir nesta praia blogueira [“mea maxima culpa”!], banho-me a partir de uma espécie de marco zero (ou quase isso). É que recentemente formatei meu PC. O pior não foi o tal vírus Win32, mas sim o fato de não ter feito backup de todos os meus arquivos, incluindo-se – ó céus!!! – os meus textos paridos neste blog! Sinto-me como se estivesse em apuros com minha própria ignorância, a de ter ignorado vários arquivos na hora de fazer backup! Mas não adianta chorar pelo leite derramado nem pelas letras derramadas como leite. Derramou. É verbo. É pretérito. E daqueles perfeitos de se ler!

Fico pensando como é a vida quando a gente pensa em oportunidades. Não é tão diferente, suponho. Nem todas voltam. Aliás, não voltam. Elas são únicas. E mesmo que se levantem os otimistas por patologia endêmica, assegurando que sim, ainda assim serão únicas; no máximo, um pouco semelhantes. Pensando em vida, me satisfaço em saber que a existência é esta. A vida tem muitos cenários, embora seja uma só em todos eles. Vida e ser pra mim se fundem. É por isso que são únicos (tais como as oportunidades).

Zerei todos os meus cenários interiores, que eram múltiplos e todos distantes do que de fato queria pra mim. Zerei para festejar com champanhe meu recomeço. Não, não foi agora que zerei. Tem já algum tempo atrás. História recente, mas minha. Estou pronto? Já posso fazer “backup”? Certamente que não! Sou um produto humanamente inacabado, construindo-me enquanto aprendo no caminhar desta existência. Nada de “backup”. Cópias de mim pra nada serviriam. O novo e, portanto, o recomeço se auto explicam pelas mudanças emprestadas. Tudo é inédito. Nem mesmo o sorriso dado enquanto festejava a virada de ano foi igual ao do ano anterior. Nada é absolutamente igual. Nem a vírgula no final da idéia. Tem sempre algo a ser revelado pela idéia seguinte que a torna diferente. Assim somos nós. Assim são nossos cenários. Assim é o olhar que enfatizamos as oportunidades. Eu vivo, particularmente, alguns desses olhares. Olho 2010 com a certeza de que “é possível”. E aqui segue uma infinidade de verbos a serem conjugados dentro deste princípio de recomeço, cada qual a seu tempo: sonhar e colher, buscar e alcançar, chorar e sorrir grato, sentir doer e crescer por dentro, ceder e vencer, repartir e dobrar, oferecer chance e construir pra sempre.

Estou diante de meu PC à zero hora do dia seguinte. O ano começa do zero. Muita coisa nova ta pintando. Muitos sentires dentro de mim também. Que venha o “novo”! Que venha a concretização do novo em mim e em cada um dos que sonhamos com os pés plantados! Se é o ar de recomeço pedindo passagem ou não, não sei, mas o fato é que gostaria de tocar uma música. Qualquer uma e em qualquer instrumento. Tocaria imaginando que ao redor de mim há uma sequência de sons, sílabas e flores em forma de botão. Este é tempo de florescer! Floresce-se a partir do zero? Penso que as sementes diriam que sim; caso não venham a dizer: plantemos do zero!

4 comentários:

Serginho disse...

meu amigo querido que tanto some e me deixa assim com muitas saudades...

beijos

Alex&Elisa disse...

Que bom que você voltou...

Mãezinha Anna Maria disse...

Que bom meu filho, você voltou mesmo e com um desejo enorme de poder sonhar e realizar muitos dos sonhos que estiveram apagados e desfeitos.

É isto aí, meu filho, sempre há tempo para tudo...

"Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida.
Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade!" (Cora Coralina)

Um beijo, meu querido!
Mãezinha

[Farelos e Sílabas] disse...

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Serginho:

Eu voltei agora pra ficar... rs!

Amigo querido, vamos somar as saudades!? Que matemática!

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Alex:

[sorriso]

Aceitas um chá, amigo?

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Mãe:

Cora, nossa bela menina das rendas tecidas em poesia do cotidiano, das gentes simples e da sabedoria da vida!...

Que presente! Presentaço!

Sabe sempre como me agradar, né... rs!

Beijos poéticos!

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