Dia 31 de julho de 2009 entrou para a história do Conselho Federal de Psicologia. O até então inédito caso da psicóloga evangélica Rozangela Justino tornou-se o primeiro a ser publicamente condenado pelo colegiado de seus pares no Plenário Ético do CFP. Ela incutia nos seus pacientes seus argumentos de natureza moral, ideológica e sobretudo religiosa para fazê-los crer que, sendo o que eram, não poderiam viver felizes e, segundo ela, serem "aprovados" por Deus. Detalhe: a psicóloga recebia e ainda recebe o apoio do segmento religioso evangélico, que, inclusive, se mobiliza nos seus representantes junto ao Congresso para derrubar por meio de legislação (decreto legislativo) a excelente norma infraconstitucional que lhe serviu de esteio para a sua justa e histórica condenação - a Resolução 01/99 do Conselho Federal de Psicologia.
Res, non verba, ou seja, realidade, e não apenas palavras, fato é que há luz no fim do túnel! Reafirmo que existe um estado democrático de Direito neste país constitucionalmente laico e livre dos cabrestos ideológicos de qualquer natureza. E tal realidade expôs os sofismas e as falácias da profissional, reverberando o grande mal que acabava cometendo indo ao desencontro da verdade do ser de seus pacientes. Graças a Deus, enquanto houver luz de democracia dentro e fora do túnel, aqui não se instalará um novo Irã!
Como disse no final de um artigo escrito ontem (não publicado no blog), percebemos que as importantes decisões tomadas no histórico 31 de julho de 2009, tanto no Judiciário quanto no âmbito administrativo (no CFP), marcaram simbolicamente o momento para aprendermos com a História a revisitarmos o nosso ideal de Paz, não a Romana, mas a tupiniquim, propagada na literatura modernista de Oswald de Andrade nos idos de 1922, que leva na cor bronzeada por este sol a beleza que toda boa mudança evoca. Mudar pra valores cada vez melhores e que contemplem, portanto, a união entre os semelhantes. Mudar como “conversão” de dentro pra fora. Mudar como exercício do repensamento do que até aqui se feriu (em palavras e falsas promessas baseadas numa visão diminutiva da religião que não religa, mas divide os homens). Mudar a ponto de não mais se reconhecer nos discursos ditos no seio da ignorância, outro fruto produzido pelo desamor.



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