domingo, 13 de julho de 2008

Pérolas de Alice e de Cinara


"te procuro
nas coisas boas
em nenhuma
te encontro
inteiro
em cada uma
te inauguro"

(Alice Ruiz)



"As pessoas precisam de pessoas,
mais que de sol e dinheiro".

(Cinara Diniz)

sábado, 12 de julho de 2008

O amor e o que desejo


Desde há alguns dias tenho refletido sobre as relações humanas. Falei ontem sobre uma vertente dessas relações, talvez a mais importante pra muita gente boa. Ao menos pra mim é, sem dúvida alguma, a mais importante delas: o amor.

Nenhuma casa se mantém firme, de pé, se não for pela estrutura bem fundamentada. Igualmente o ser humano não será saudável se não tiver amor correndo pelas veias. Veja que não falei de saúde física propriamente, mas de saúde emocional. Somente os que amam e se sabem amados obtêm saúde emocional. São sólidos. Não oferecem queixas algumas a quem quer que seja. São felizes. Felicidade é conseqüência de quem ama. Não importa quem. Ama-se.

Pois bem, hoje as palavras engravidaram de outros significados. Não, não mudei pensamento acerca de nada. O que mudou foi apenas a ótica das coisas. Tem a ver com o extravasamento do olhar interno pelo externo. Ao me referir sobre o amor como alicerce, pensei como os alvos desse amor se estabelecem nas nossas relações, no campo subjetivo do desejo humano. Pareço chover no molhado? Explico. Sei do que tô falando. Desejo também tem a ver com as interpretações do nosso olhar. O olhar pra fora é sempre resultante do olhar de dentro de nós.

Minha sensibilidade nestes dias de reflexões assume algumas proporções inimagináveis diante de certas realidades. Falando nelas, penso como cada um projeta aquilo que lhe é agradável num outro ser. Não sei do gosto de terceiros, mas sei o que considero agradável justamente por aquilo que não buscaria pra mim. Eu não buscaria estar com alguém que não tivesse um bom olhar da vida. Seres adoecidos por compulsões estranhas, taras e comportamentos sexuais ao estilo “fast food”, definitivamente, não estariam em minha lista de desejo como homem. Alguns tipos de predicados, como a preguiça, a excessiva vaidade, o individualismo, a ausência de papo sério (tem mais a ver com maturidade do que com formação), mas sobretudo a falta de fé Naquele que é também não me encheriam os olhos. Isso me é importante? Sim, tanto mais quanto quem tem elevada altura (confesso minha fraqueza...), é inteligente e se reconhece pela integridade! E por que a fé é importante? Porque desejar é, pra mim, querer estar junto. E junto por muito tempo. De minha parte, não conseguiria caminhar muito tempo junto sem a troca de energia que a fé produz como resultado do relacionamento dentro do qual Deus estaria. Amor sem Deus é mera convenção a dois. O que sonho é mais enraizado!

O livro do profeta Amós ensina com sabedoria oriental: “andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?”. Como posso admitir caminhar por longo tempo juntinho, porém sem acordo no tocante Àquele que é Graça em nós? Não falo aqui de religião, mas de discernimento espiritual em Graça. Papo estranho, não? Graça é tudo e tudo é Graça, ou seja, favorzão de Deus a nós. Vida, ar, sonhos, bem-estar, projetos, família, casamento, enfim, tudo! É tão bom saber que ao seu lado está alguém que também reconhece a imerecida Graça como Bem Maior! É tão bom caminhar rumo ao mesmo alvo, que é Deus, revelado em Graça em seu Filho! A caminhada torna-se prazerosa como um dia perfeito. Como, de fato, o é! Mas, como diria um amigo com quem conversei recentemente, cada um é cada qual. E sei que “cada qual” é pra cada um de nós. Os nossos olhares são como filtros que captam o que nos agrada. Isto tem a ver com escolhas que fazemos. Tem a ver com as seleções naturais dentro da natureza de “cada qual”. A subjetividade está no ar. Contudo, não importa de que forma amemos desde que amemos. Não, não estou olhando “pra fora” ao falar de amor porque meus olhos “de dentro” estão enamorados por alguém. Apenas respondi a uma pergunta que semanas atrás me fizeram. “E você, Cardo, amaria que tipo de alguém?” Já respondi. Hoje apenas pus no olhar “de fora” o que nem todos sabiam estar “dentro”. Se até os brutos também amam, por que descartar os pensadores de bem? É mais uma reflexão para o fim de semana.

Nota: na imagem acima, montagem com múltiplas faces de um mesmo sorriso, no caso, o meu.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

A palavra, o verbo e o que agrada


Desde há alguns dias tenho refletido sobre as relações humanas. Falei ontem sobre uma vertente dessas relações, talvez a mais importante pra muita gente boa. Ao menos pra mim é, sem dúvida alguma, a mais importante delas: o amor.

Nenhuma casa se mantém firme, de pé, se não for pela estrutura bem fundamentada. Igualmente o ser humano não será saudável se não tiver amor correndo pelas veias. Veja que não falei de saúde física propriamente, mas de saúde emocional. Somente os que amam e se sabem amados obtêm saúde emocional. São sólidos. Não oferecem queixas algumas a quem quer que seja. São felizes. Felicidade é conseqüência de quem ama. Não importa quem. Ama-se.

Pois bem, hoje as palavras engravidaram de outros significados. Não, não mudei pensamento acerca de nada. O que mudou foi apenas a ótica das coisas. Tem a ver com o extravasamento do olhar interno pelo externo. Ao me referir sobre o amor como alicerce, pensei como os alvos desse amor se estabelecem nas nossas relações, no campo subjetivo do desejo humano. Pareço chover no molhado. Explico. Sei do que tô falando. Desejo também tem a ver com as interpretações do nosso olhar. O olhar pra fora é sempre resultante do olhar de dentro de nós.


Minha sensibilidade nestes dias de reflexões assume algumas proporções inimagináveis diante de certas realidades. Falando nelas, penso como cada um projeta aquilo que lhe é agradável num outro ser. Não sei do gosto de terceiros, mas sei o que considero agradável justamente por aquilo que não buscaria pra mim. Eu não buscaria estar com alguém que não tivesse um bom olhar da vida. Seres adoecidos por compulsões estranhas, taras e comportamentos sexuais ao estilo “fast food”, definitivamente, não estariam em minha lista de desejo como homem. Alguns tipos de predicados, como a preguiça, a excessiva vaidade, o individualismo, a ausência de papo sério (tem mais a ver com maturidade do que com formação), mas sobretudo a falta de fé Naquele que é também não me encheriam os olhos. Isso me é importante? Sim, tanto mais quanto quem tem elevada altura (confesso minha fraqueza...), é inteligente e se reconhece pela integridade! E por que a fé é importante? Porque desejar é, pra mim, querer estar junto. E junto por muito tempo. De minha parte, não conseguiria caminhar muito tempo junto sem a troca de energia que a fé produz como resultado do relacionamento dentro do qual Deus estaria. Amor sem Deus é mera convenção a dois. O que sonho é mais enraizado!

O livro do profeta Amós ensina com sabedoria oriental: “andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?”. Como posso admitir caminhar por longo tempo juntinho, porém sem acordo no tocante Àquele que é Graça em nós? Não falo aqui de religião, mas de discernimento espiritual em Graça.

Papo estranho, não?

Graça é tudo e tudo é Graça, ou seja, favorzão de Deus a nós. Vida, ar, sonhos, bem-estar, projetos, família, casamento, enfim, tudo! É tão bom saber que ao seu lado está alguém que também reconhece a imerecida Graça como Bem Maior! É tão bom caminhar rumo ao mesmo alvo, que é Deus, revelado em Graça em seu Filho! A caminhada torna-se prazerosa como um dia perfeito. Como, de fato, o é! Mas, como diria um amigo com quem conversei recentemente, cada um é cada qual. E sei que “cada qual” é pra cada um de nós.

Os nossos olhares são como filtros que captam o que nos agrada. Isto tem a ver com escolhas que fazemos. Tem a ver com as seleções naturais dentro da natureza de “cada qual”. A subjetividade está no ar. Contudo, não importa de que forma amemos desde que amemos. Não, não estou olhando “pra fora” ao falar de amor porque meus olhos “de dentro” estão enamorados por alguém. Apenas respondi a uma pergunta que semanas atrás me fizeram. “E você, Cardo, amaria que tipo de alguém?” Já respondi. Hoje apenas pus no olhar “de fora” o que nem todos sabiam estar “dentro”. Se até os brutos também amam, por que descartar os pensadores de bem? É mais uma reflexão para o fim de semana.


Nota: na imagem acima, montagem com múltiplas faces de um mesmo sorriso, no caso, o meu.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Contra o “dane-se”, germine amor!


Há quanto tempo não venho mergulhar neste rio de palavras do blog, banhar-me nelas, encontrar-me com as sílabas cabreiras porém inteiras, sejam ditongos ou consoantes. Os dias correm na mesma velocidade dos fonemas e na mesma intensidade das sílabas átonas. Eu é que o diga!

Na última vez que aqui postei, a notícia foi cruel. Gâmbia legisla em prol do terror contra seus próprios nacionais. A dita “limpeza” a que se propõe o sr. Jammeh, presidente daquela nação, é a manifestação fria e covarde de quem vê a diversidade como ameaça. Muito mais fácil, pensam, eliminar o que não suportam ver. Neste caso, que o digam os homossexuais de lá. As severas leis islâmicas já corroboram bastante do que falo aqui (lembrando que Gâmbia é um país pobre e muçulmano), aumentando ainda mais o sofrimento de muitos seres humanos. Eu disse “seres humanos” sim! Por favor, avisem ao presidente de Gâmbia!

Minhas mãos me levam hoje a escrever aquilo para dentro do qual mergulho com um pouco mais de inquietude. Os dias são maus. Há uma palavra profética dita por Jesus nos Evangelhos, lá em Mateus 24, acerca dos dias maus nos quais, “por se multiplicar a iniqüidade”, o amor de muitas pessoas seria convertido em esfriamento nos sentimentos em relação ao ser humano. Não falo em violência, ato de não comiseração. Falo de frieza mesmo. Indiferença. Estar nem aí pra nada. Não importar-se.

Falava com um amigo dia desses sobre estes temas. Percebemos que o império do dane-se é a coqueluche sobre a visão de mundo de muitos. Dane-se o mundo. Dane-se a violência, a injustiça, a falta de presença do Estado nas áreas mais críticas das cidades. Simplesmente, dane-se. É o que muita gente fala, inclusive vivendo. É o que muita gente planta nas terras de seus próprios caminhos. Dane-se nos gestos. Dane-se nas omissões. Dane-se na própria sentimentalidade. Duro ouvir de minhas palavras o que não queria encarar neste teclado, mas o mundo caminha segundo o curso de seu desamor. A semeadura tem sido na direção dos latifúndios do mundo. Quando falo em mundo, arrisco-me a dizer sobre os sistemas (políticos, econômicos, sociais e religiosos) de controle, escravidão, poder e perversão. Era desse mundo que Jesus falava. Não era de geografias, como muitos pensam. Os ambientes não são maus. Nós é que os transformamos. Nossos atos comutam as decorações de cada ambiente, seja ele visto pelo olhar mau ou pelo olhar bom. Por isso defendo que nenhum lugar é em si mesmo ruim. Depende de cada semeadura. Na época de militância social dizia para muita gente no complexo portuário do Caju que cada um tem o dever de lutar contra a miséria, de não se estigmatizar como “favelado”. A favela entra por onde se permite. Teve muita gente boa que me ouviu. Lutou. Perseverou. Colheu boas sementes.

Cada um de nós sabe a dor e a delícia de ser o que se é. Frase de Miguel de Cervantes colhida há séculos atrás. Pra mim é o impulso necessário para saber amar. Quem não “se” ama, não ama a ninguém. Quem não sabe amar, não sabe fazer diferença em meio à vida. Quem não faz diferença, manifestando-se no chão da existência como contrário ao curso do mundo, não muda a vida ao redor. O “dane-se”, neste caso, acaba prevalecendo. Meu dever (e assim deve ser o de todos que amam amar, que não apenas sonham mas querem a paz) é o de evidenciar em mim uma existência cuja semeadura impeça o estigma e a pior das misérias: a indiferença, que é o não-amor.


Muita gente boa de Deus sabe do que falo; aliás, sabe e tem me ensinado como semear boas sementes cada dia melhor!


sábado, 31 de maio de 2008

Desigualdade e intolerância: um pedido a favor do ser humano em Gâmbia


Recebi um e-mail ontem que me deixou preocupado. Um amigo religioso, líder de uma determinada comunidade de fé, repassou para seus contatos uma informação que carrega o grito dos seres humanos excluídos.

Em 18 de Maio, domingo, após um alerta para que os gays e as lésbicas deixassem o país em 24 horas, e citando um esforço de fazer da República de Gâmbia, na África Ocidental, "um dos melhores países para se viver", o presidente Alhaji Yahja A.J.J. Jammeh ameaçou decapitar qualquer pessoa homossexual encontrada em seu país.

Ele prometeu uma "patrulha em massa" para "separar os maus elementos", e fez ligação da homossexualidade com o tráfico de drogas e o roubo. O presidente prometeu duras conseqüências para as pessoas homossexuais que permanecerem no Gâmbia e ameaçou punir qualquer que fornecer apoio ou abrigo para essas pessoas.

Mais que uma notícia triste, carregada de intolerância, mostra-se uma violência em si pois nega ao ser humano o direito à existência. Sim, não sendo quem se é, como ser então? É como se as estrelas no firmamento não pudessem mais brilhar, pois, por alguma razão considerada nas leis daqui de baixo, só o sol pudesse irradiar sua grandeza e luz.

Meu amigo, então, pede para que algumas ações sejam tomadas pelos que se sentirem preocupados (e até indignados) com a proliferação do ódio subsidiado pelo próprio Estado. Aponta três passos: 1º) escrever para o governo de Gâmbia, pedindo não sejam incitados o ódio e a intolerância em seu país se, de fato, quer que seja “um dos melhores países para se viver”, mas sobretudo para que respeite a Declaração Universal dos Direitos Humanos que chama todos os governos a permitir que seus cidadãos vivam livres de ameaças, coerção, intimidação e discriminação; 2º) escrever para as Nações Unidas, mediante e-mail para Louise Arbour, Alta Comissária de Direitos Humanos, no endereço civilsocietyunit@... [servidor das Nações Unidas], explicando-lhe que a situação no Gâmbia é urgente e exige que as Nações Unidas tomem medidas para proteger os direitos humanos das pessoas GLBT naquele país; 3º) repassar a informação aos amigos e comunidades religiosas para se unirem nesta campanha. O lema nacional do Gâmbia é "Progresso, Paz, Prosperidade". Nada avançará o progresso até a paz e o bem estar humano mais do que nosso compromisso comum com os princípios básicos das Escrituras que reverenciamos nas nossas diferentes linhas de pensamento religioso ou fé. E um desses princípios mais básicos é o "Não matarás". Não há exceção.

Não bastassem as informações que este mesmo amigo me passou há cerca de uns três ou quatro meses atrás sobre a perseguição em massa da população na Jamaica contra os seus cidadãos gays e lésbicas, cometendo assassinatos a sangue frio, seqüestros e torturas de pessoas homossexuais – sim, bem aqui ao lado, na terra do reggae! -, agora me surpreendo com a disseminação da intolerância também em outra nação. Triste quando a questão, por si só vergonhosa e absolutamente na contra-mão da lei que vale no Reino de Deus, nasce como ato rechaçado pelo próprio Poder Público.

Onde andará a paz? Ei-la ali ou acolá? Se "o Reino de Deus está dentro de vós”, nas palavras de Jesus conforme registra Lucas 17, o que também quer dizer que está em mim como exercício livre de uma consciência que me chama à participação, caberá a mim todos os esforços possíveis para que, no que depender de mim, os limites deste reino no qual impera o profundo respeito pelo meu próximo (o ser humano seja ele quem for), sejam alargados por onde eu andar. Ta bom, to sendo utópico por demais? Porém, se não for, as pedras serão convocadas a clamar em meu lugar. Penso que este dever não é tão difícil a ponto de permitir pedras cumprindo-o em meu lugar...

O silêncio é igual a morte!

Related Posts with Thumbnails