Comida pegando fogo de tão quente. Pergunto: pra quê? Como curtiria os excessos? Imagina um pão entupido de manteiga, margarina ou lá que seja maionese. Mais uma vez pergunto: pra quê? Não é melhor o equilíbrio? Outra coisa, gente sem-noção. Não curto. Acho que não preciso explicar os porquês. Sem-noção é adjetivação de inconveniência. Dispensável, todos entendem (exceto os sem-noção, esses nunca respeitam os limites do outro). Até que gosto da noite (juro!), mas a madrugada pra mim só tem sentido se for pra dormir ou mergulhar nos braços amantes. Nos últimos longos tempos, tem servido apenas para dormir... Quando quero a quietude como inspiração, busco o momento em qualquer lugar apropriado, e não ao socorro precípuo da madrugada. Não curto de jeito nenhum os lugares altos, o odor impregnado de nicotina, a louça largada dentro da pia, bem como meias furadas, chá de boldo (embora ame chás!), arroz queimado, bolo solado, remédios pra dormir, remédios de qualquer jeito, pássaros engaiolados, insetos, livros de auto-ajuda, paisagens sem árvores, fé sem atitude, atitude sem viço de coerência, música eletrônica, roda de pagode, ambientes sem janelas, quartos escuros, escada sem corrimão, chats (um saco!), unhas grandes, pêlos rapados, tintura no cabelo, andar de moto, atravessar ruas com sinal aberto, calor em excesso, frio em excesso, duvidar em excesso e o exceder no excesso. Embora tenha falado dos excessos, convenhamos, não oferece prazer ao paladar um pão sem manteiga. Conveniências à parte, que se registre que gosto de samba e dos batuques de percussão! No entanto, não é assim que me coloco ante os partidos de direita, os guetos como diminuição geográfica identitária e o Deus implacável da religião. Saiam de retro! Distância quero de toda forma de mentira, de toda forma de covardia, bem como da preguiça, do descaso, da grosseria, das verdades impostas, da meia-verdade, do egoísta, do ególatra, de gente problemática, de gente que diz mas não faz e de gente que ultrapassa o direito da existência do outro. Não gosto também de gente que se vitimiza só pra buscar uma atenção como esmola. Penso que é tão insuportável quanto o ser vaidoso (não pela estética, mas em razão do sentir-se superior aos demais). No desafio do que não curto, afirmo que não suporto projeções: o cara é, por exemplo, mentiroso e crê que todos são assim também. A mulher é infiel e crê que todas e todos são assim também. Isso pra mim é projeção. Pra mim não é questão de mau-gosto e sim de injustiça para com quem não for assim. Crianças adultas e homens infantilizados também não me soam bem. Há que se respeitar as estações da vida sem medo de ser o que se é em cada uma delas. Passaria o dia inteiro pensando em muitas outras coisas que não me atraem (às vezes, até me causam indignação) e cuja lista entesa como um arco e flecha: tudo o que é “fake”, a desesperança, a VIL-olência, a sequidão de sonhos, os estereótipos, os barulhos inchados de desrespeito, a aridez de idéias, o não-ser, etc. O que, todavia, colocaria como "top of tops", ou seja, como o que me causa maior distanciamento do meu bem-querer, seria o amor sem entrega e o amor como produto (pra não dizer "coisa") de um capitalismo internalizado como uma espécie de “modo de ser com as pessoas”. Há que se ter respeito. O outro – o qualquer outro para além de minhas fronteiras! – pode ser alguém com aspirações completamente diferentes... Pelo que já me expus, dei-me como cara à tapa a muita gente. Um aviso, porém: não me leia interpretando pra si o que é apenas meu próprio olhar de mundo, de vida, de mim mesmo... De repente, você curte pão ensopado de margarina e não tá nem aí para as taxas de colesterol LDL ou HDL, bebe em excesso, curte um bom pagode na roda de amigos, troca de namorado(a) como quem troca de camisa, enxerga o amor como mera satisfação fisiológica e até se esconde nos estereótipos pra se auto-proteger. "Cada um no seu quadrado", canta a sabedoria simples das massas. No entanto, em meio às linhas entrelaçadas do meu pensamento exposto nu e cru, eis-me numa leitura-de-mim conforme meus próprios sinais em forma de letras e na textura de palavras. Eis-me sendo assim no lado B da vida (sobre o lado A, antagônico a este, o das minhas paixões e curtições, direi mais tarde em outros tecidos de palavras costuradas)!
sábado, 4 de fevereiro de 2012
meu lado B________________
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Meus heróis morreram de “overdose” (de talento)

Numa semana em que me entristeço com tantos fatos que se entrelaçam com o cotidiano da cidade e do país, tento destemperar a existência com os episódios mais recentes dos noticiários. E antes que alguém suponha que destemperar é abstrair, afirmo que não. É retirar o excesso, o que desequilibra. Casos de bullying em várias cidades. Assassinatos do lado de fora das janelas de nossas casas. Atos covardes em toda a parte. Crescimento do fundamentalismo religioso nos cenários do Poder Político. Intolerância gerando desamor sob vários graus. Oquidão dos seres que se coisificaram tanto que, de tão fúteis, nada restou.
Enfim, o cenário não é de chuva, mas também não é de céu de brigadeiro. É de realidade mesmo. Com toda a expressão de seus matizes.
Pensando nas coisas boas que me transportavam para os melhores anos, revisitei a memória à procura de coisas ou pessoas pra recordar. Lembrei dos cadernos de poesia que escrevia aos montes na adolescência. Lembrei das pilhas de livros que faziam parte de meu cardápio diário (literatura nacional e estrangeira). Engraçado, não sei por que mas adorava livros de auto-ajuda). Lembrei dos ratinhos brancos que criei. Lembrei da febre pelos álbuns de figurinhas, fosse qual fosse. Lembrei dos programas de rádio nas ondas curtas e das correspondências que recebia de amigos de várias partes do mundo. Como estarão hoje em dia? É apenas uma perguntinha retórica sem muitas pretensões...Pois, então. Neste embalo saudosista, esta semana me lembrei com
Laurinho foi uma das primeiras personalidades brasileiras a morrer de complicações decorrentes do vírus da AIDS. O personagem na novela Vida Nova teve um final apressado com uma viagem para Israel, por causa da doença do ator. A última cena mostrava um carro preto partindo numa noite chuvosa, ao som de um poema de Fernando Pessoa, declamado em off pelo próprio ator.Os boatos de que estaria com AIDS surgiram em janeiro de 1989, quando pediu afastamento de Vida Nova, na qual era protagonista, alegando estafa. Voltou dois meses depois, muitos quilos mais magro e com uma visível queda de cabelo. Logo em seguida mudou-se para a casa dos pais, isolando-se até mesmo dos amigos. Quando o estado de saúde piorou, foi internado, mas os pais proibiram o hospital de dar qualquer informação à imprensa sobre o estado de saúde do filho.
Depois de nove dias internado, partiu... e se eternizou em nossa memória. Um ano após a partida de Laurinho, foi o poeta Cazuza quem partiu em condições semelhantes... Poderia parar por aqui, mas aqueles idos me deixou órfão de heróis vestidos de humanos talentosos. Um ano após Cazuza, foi a vez de Freddie Mercury, astro iluminado do Queen nos deixar...
As constelações foram aumentando sobre nossas cabeças e, paradoxalmente, se silenciando nos céus de nossos tempos, nos idos de minha adolescência e início de juventude...
Hoje, são todas elas (as constelações) mar de doces lembranças. Isso pra mim é reequilibrar o caldo da existência com bons temperos. Por mais que meus heróis tenham morrido de “overdose” de talento e por mais que meus atuais inimigos estejam no Poder, meu mais insistente desejo é sempre trazer à memória o que pode me dar esperança!
Notinha de rodapé:
Por falar em esperança, começaremos aqui no Rio de Janeiro, no projeto Betel, uma série de encontros com candidatos a cargos eletivos que defendem programas em prol da diversidade. O primeiro deles será o Jean Wyllys. Portanto, quem estiver pelo Rio, não custa aparecer na Praia de Botafogo, 430, 2º andar, domingo, 25/07, às 17h30. Apareça(m)! Quero dar um abraço nos meus leitores por lá!
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Versos cantados no aprendizado


Quem assistiu ao musical “Hair” sabe que é preciso “let the sunshine in”, pois é somente quando os raios do Sol entram é que os desdobramentos de um novo pensar produzem bons frutos de mudança. Não estou dizendo que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, embora, se você parar pra pensar, na verdade, não há outro caminho que desemboque em respeito, justiça e paz. Digo, no entanto, que é imperioso dar-se chance para um novo pensar, um pensar mais aberto, mais cristalino, sem vícios e resistências de qualquer natureza. Mas, é claro, que isso implicaria numa mudança, a nossa, a partir das raízes. Num contraponto com os ensinos do Cristo, debruçamo-nos sobre a constatação de que aquele caminho foi-continua-sendo tão mal compreendido. E tudo isso porque o transformaram no discurso de adesão à religião e aos seus partidos. “Os caras”, os que resistem ao laicismo do Estado, diminuíram a beleza do que é simples em manuais de conduta baseados em leis morais de podes-não-podes. É contra tudo isso que eu mesmo me insurgi há alguns anos atrás. Tornei-me um semeador no meu próprio caminhar. Plantei minhas verdades nos acordes da alma. Colhi seus frutos e ainda os colho na mesma alegria de homem-menino buscador. Um desses frutos é a certeza de que mudanças radicais, aquelas que são capazes de nos elevar em sinfonias impregnadas de nossos cheiros e que podem de fato mudar um caminhar, ocorrem dentro de nós, não nas pedras, nas tábuas ou pelas doutrinas...
A musicalidade na existência só faz sentido quando meus olhos estão afinados aos seus acordes mais verdadeiros, promovendo graciosamente o benefício da liberdade para semear e semear e semear o Bem que eu apenas carrego, mas não possuo. Ele é livre como o vento!
Em meio ao processo de semeadura – e aqui não sistematizo nem o processo em si, mas apenas o identifico como parte integrante de mim como o transpirar, o sorrir e o fabricar versos – vou sentindo de perto os ventos da alma humana. Às vezes, encontro mais que isso. Sinto a fragrância de uma ‘boa notícia’ [literalmente “Evangelho”, ευαγγέλιον no grego], a do amor que embala a vida com ninhos de presença. Falei de Renato Russo, mas também falei de Hebert Vianna, outro que me inspira pelas letras codificadas de bom norte para meu caminhar seguro.

Eu sou mais uma dessas pessoas que chegam e se fincam no Cais de Porto dos versos de "Lanterna dos afogados" como se fossem barquinhos. Aproveitando os versos de Daniel Lobo com quem ontem jantei palavras e me embuchei de versos os mais lindos, compartilho que também “trago no peito meu Porto Seguro, contorno a boca com lápis escuro e brinco, eu quero recolher as âncoras, puxar as cordas, eu quero é navegar por entre as estrelas e tocar o azul da lua e sonhar...”.
Não tenho medo de mim mesmo, ainda que nem me conheça em todas as estações. Estou ocupado no processo frutificador, de olho no sabor da polpa e no pipocar dos brotos no caule do ser que se renovam como esperança e certezas. Mas sou orgulhosamente humano, o que vale dizer, sou flor, sou fruto, mas também sou caule, sou quebradiço, sou incerto, sou barquinho no meio dos mares... dos mares-de-mim... dos mares... É por isso que não corro atrás de elogios; aliás, não tenho alma ameninada pra isso. Sou um homem inteiramente homem, pleno de defeitos e limites como diz "Ao coração", outra canção que me inspira e me seduz ao aprendizado:
“Nem sempre sei fazer o bem que eu desejo
e, às vezes, eu me vejo me enganando sempre mais
não que eu não queira acertar, mas nem sempre é possível
Humano eu sou assim: virtudes e limites
se agora me permites eu pretendo ser feliz
sem prender-me ao que não fiz,
mas olhando o que é possível”
Nesses últimos dias andei falando por e-mail sobre acordes, sinfonias e sobretudo sons. Gosto de me ouvir, mas fato é que deveria gostar mais. Talvez acordasse para todas as possibilidades que me são oferecidas. Distraído que sou, sobretudo em algumas áreas, nem sempre percebo o que diante de mim está. Os sons na vida são os acordes que, literalmente, dão sentido nas notas mais particulares que carrego. Estes sons, juntinhos, se transformam num conjunto de notas a-FIM-nadas e outras apenas iniciadas, inexperientes, em profundo estado de gerundismo latente. A minha sinfonia é assim, nem simples nem complicada. É alguma coisa muito parecida comigo.
Em meio a tudo isso, não tenho do que reclamar. E por que reclamaria? Bobagem pensar assim. Onze horas da noite e eu assistindo tevê. Zapeando por um e outro canal, ouço "Tocando em frente" nos versos de Almir Sater. De repente, os sons invadem o ar e se achegam pra dentro das minhas janelas. Há um silêncio no meu peito que se desmorona em sentimentos devocionais. A musicalidade que me habita faz orquestra nos córregos da emoção. A música tem pra mim essa capacidade de me apontar o Belo na vida na linguagem mais simples. Entro nas juntas mais profundas dos acordes e avisto minha história musicada. As notas seguem com essa percepção e valseiam entrelaçadas às minhas verdades mais íntimas...
Sussurrando a canção [na letra inserida na imagem acima], descubro-me na percepção dos versos tecendo meu sentir-viver-sonhar. Literalmente, ando devagar porque já tive pressa. Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei. E nada sei para além de mim mesmo, um ser humano inacabado. Hoje sorrio com ‘ene’ possibilidades diante das minhas janelas. Quero-as pra mim. Todas elas, cada uma a seu tempo. Eu as convido pro meu regaço, vem!
Notas de rodapé: Tava com saudades de vir aqui, abraçar as palavras e fazer amor com seus significados. Ando ultimamente precisando ouvir mais sons, abrir as janelas, fecundar terrenos férteis, essas coisas...
Pela ordem, as imagens são de minha autoria e seguem com referências a versos cantados: excetuando-se a primeira, a segunda imagem possui versos de Renato Russo em “Ventos no Litoral” e créditos de imagem para André Bernardo em “Oh Fascination”; a terceira imagem possui versos de Hebert Vianna em “Lanterna dos afogados” e a última imagem possui versos de Almir Sater em “Tocando em frente”.
No dia em que se celebra, além da Inconfidência Mineira, a grata lembrança de um movimento iluminista porém acovardado pelos seus cabeças, à exceção do alferes Joaquim José da Silva Xavier, faço dos versos extraídos do poeta Virgílio (“Libertas Quæ Sera Tamen”), até hoje expostos na bandeira mineira, meu canto de aprendizado para o dia a dia. E não apenas isso, mas também parabenizo os 50 anos de Brasília e, como não poderia deixar de ser, homenageio a cidade com beijos enviados aos três sobrinhos nascidos por lá, Tiaguinho, Felipinho e Rodriguinho!
sábado, 27 de março de 2010
Lembro-me como se fosse ontem...
Sua composição poética me fascinava na adolescência. Não que não me fascine mais, mas naquela época tudo tinha um outro sabor. O sentido tão forte envolto nas palavras, seus significados como leituras da nossa alma, o tom que ele emprestava a cada em-TOM-nação, tudo isso me compunha um misto de admiração e perplexidade. Era assim que me sentia ao ser absorvido pelas canções de Renato Russo. Hoje, exatamente hoje, no dia que o teatro e o circo festejam a data em suas comemorações, nosso poeta rock n’ roll completa 50 anos. Sim, diante dele o verbo faz sentido é no presente! Ele completa – e não completaria – cinquentinha porque antes de qualquer coisa não morreu, sequer foi enterrado
Sua mensagem se entrelaça a história de uma geração ao estilo ‘coca-cola’, como ele dizia. Anos oitenta, muita coisa estava em [re]construção. “Diretas Já”, por exemplo, tinha ocorrido há menos de um ano quando nasceu o primeiro álbum da “Legião Urbana”. O cenário social era o de muitos questionamentos. A vontade era a de explodir uma revolução, mas não de armas, e sim de ideologias re-VITAL-izadas. “Que país é este?”, a gente cantava e se perguntava. “Tempo perdido” era mais um dos muitos questionamentos que nos fazíamos. E assim correram os versos de sua poesia pra dentro daqueles anos que me construiram a adolescência..."Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto" foi outro exemplo de como me fez bem saber que havia luz naquilo que cantava. Aprendia como um bom pupilo os versos que me ensinavam, aconselhando: “Lembra e vê que o caminho é um só”. Sim, eu me debruçava sobre a letra devorando cada verso com a atenção devotada a uma prece. Chorei ao cantá-la muitas vezes. “Meninos e meninas” me fascinou de cara, pois me surpreendia saber que havia gente neste mundo cantando suavemente seus segredos mais íntimos sem se importar. Ca#&*lho! Sem se importar! Era o que queria pra mim: não me importar.
Mas eu ainda me importava com muita coisa, nem tinha maturidade suficiente pra bancar o preço de nada – ou quase nada. Verdade é que, não poucas vezes, eu me sentia um refém trancado pelo lado de dentro. Não havia em mim naqueles anos um desbravamento épico o suficiente pra realizar o gesto mais simples e mais extraordinário, que era me abrir para a vida. A minha própria, sem intervenções de qualquer natureza. No meu caso, como se não bastassem as corriqueiras no universo adolescente, o fardo da carga religiosa. Mas eu chorei muitas vezes com outras canções, como, aliás, ainda espero chorar ao som de muitas outras. Sou fiel à minha natureza deliciosamente humana. Fiel e feliz, diga-se.“Hoje eu já sei que sou tudo que preciso ser, não preciso me desculpar e nem te convencer”, era o que diria hoje para aquele jovem iniciante, puro e sonhador que fui.
Na faculdade, em meio aos livros da biblioteca [
Era um estudante cheio de sonhos quando ele partiu pra eternizar seus ricos versos em nós. Foi cremado no cemitério pertinho de minha casa. Eu não quis me despedir porque acreditava que um profeta jamais morreria. Ele era um dos meus profetas prediletos. Minha devocional neste início de sábado é a lição inspirada no capítulo 13 da primeira carta aos Coríntios, escrita em grego no 1º século, cantada em versos de Renato Russo nos muitos outros séculos à frente:
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos,
sem amor eu nada seria.
É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal.
Não sente inveja ou se envaidece.
O amor é o fogo que arde sem se ver.
É ferida que dói e não se sente.
É um contentamento descontente.
É dor que desatina sem doer.
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos,
sem amor eu nada seria.
É um não querer mais que bem querer.
É solitário andar por entre a gente.
É um não contentar-se de contente.
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade.
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem
todos dormem todos dormem.
Agora vejo em parte.
Mas então veremos face a face.
É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua do anjos,
sem amor eu nada seria.
Parabéns, Renato, profeta renascido dos versos que me construíram homem, humano, cidadão, poeta, proseador, sonhador e alguém de fé na vida! “Olho pra trás, lembro-me como se fosse ontem. Não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo. Temos todo o tempo do mundo...”.
Não repare nas minhas lágrimas, mas é exatamente nisso que penso-rezo-oro-acredito! Axé, shalom, amém e amém!

Notas de rodapé:
[+] Marcinho Retamero, meu amigo de caminhada, como foi lindo e surpreendente ver [mais uma vez!] que temos a mesma sin-TOM-nia. Sem nos confessarmos nada, escrevemos sobre o mesmo profeta com muitas impressões semelhantes! Seu artigo me emocionou!
[+] Fiquei mais saudosista de ontem pra cá. Sei lá, recordar me dá este sentimento revisitante dos meus baús. Piorou um pouco depois de ter assistido às maravilhosas Nathália Thimberg e Rosamaria Murtinho em "Sopros de Vida", no teatro CCBB.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Rapidinhas ao acordar
Acredita em Deus?
Eu acredito no amor, serve?
Céu e inferno...
O primeiro: amar e ser amado. O segundo: não amar, que triste escolha!
Morte ou miséria, o que temer?
Nem um nem outro. A solidão.
Homens ou mulheres?
Pessoas, não importando o sexo que carregam, a cor que lhes veste a pele, o sotaque que lhes alimenta a fala, nada disso.
Amante à moda antiga?
- Desculpe, em que anos estamos?
- 2010.
- Ah, bom...
[Insistindo] Do tipo que ainda manda flores e paga a conta?
Um, quero que me façam; outro, acho respeitoso. Só não digo qual é qual!
Ménage à trois?
Minha vitamina da banana, maçã e beterraba.
Um grande amor...
A gente nunca esquece!
Você esqueceu?
Ainda não encontrei. Ainda, grife isto!
A maior violência...
Se é vil, não é maior nem menor. É. Por isso, vil mesmo é não-ser.
Hoje é o melhor dia pra...
Recomeçar.
Uma burrada?
O ignorar-se. A ignorância.
Virtude?
Nenhuma, sou humano. Isso se auto-explica.
Uma verdade?
Quem sou.
Mais outra verdade?
O amor.
É possível ser feliz?
Pergunte-se a si mesmo!
Nunca faria...
O que não aprovasse.
Existe fim?
Muitos, depende do recomeço.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Nas reticências...
Sou um isso. Constante. Um amante. Tanto da justiça quanto das letras, da política em prol das minorias e dos convites à singularidade da vida. Não sou qualquer vida. Sou a minha própria. Íntegro. Inteiro. Sem coisificações. Exceções. Senões. Bemóis. Emotivo à raiz de mim. Atraído pelos seres altos na simplicidade, na pacificação e na generosidade. Errante-e-aprendiz. Um binômio. No meu bolso, apenas algumas moedas. E sonhos de sobra!
A que vem depois__________
Já escrevi muito, em muitos textos em vários perfis.
Já cansei de responder aos outros-fora-de-mim.
“Quem sou eu” agora é pergunta retórica:
Sou uma antítese. Um anti-herói.
Diferente entre os diferentes.
Reexistindo tardiamente.
Fora dos padrões.
Blasé. Mas,
De pé.
Por
Fé
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Sendo-me – Parte II
Sabe, to ficando cansado de alguns programinhas da virtualidade. MSN, então, nem digo mais nada. Definitivamente não faz parte de mim. Orkut, o mais famoso programa de relacionamento deste país, já me cansou tantas vezes quantas necessárias foram até que saísse e retornasse. A mesmice me cansa. A falta de [qualquer] coisa nova, o fator surpresa ao qual me referi no texto acima, tudo isso corrobora o cansaço de meu ‘sentir pra fora’. É como assistir ao mesmo filme umas quinhentas vezes e crer que poderá ser diferente. Não, não é. Diferentes são as interpretações conforme as prioridades destes meus sentires. De resto, não. Pouca coisa muda de fato. E não me refiro a fotinhas ou novos amigos.
Bem, não desejo compartilhar o cansaço de minhas percepções de vida e de seus enraizamentos, sobretudo considerando o modo orkutiano de viver entre “amigos”. Fato é que, pra quem quiser saber quem sou [e lá essas coisas acabam prevalecendo como “cartão de visitas”, quando poderiam ser norteadores de uma fabulosa rede de a-FIM-nidades, sejam elas quais forem], agora terá que me ler num todo. Um único texto será pouco, figurará apenas como pista. Será preciso tecer toda uma colcha de retalhos pra poder me visualizar mais perto. Por ora, reproduzo aqui o que por muito tempo constou no perfil de apresentação do tal programinha. Eis o que sou-sendo e o que não me disponho a ser [neste meu hoje-agora]:
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Encontros e despedida: uma questão lispectoriana
Ontem, dia de finados. O congestionamento fica incalculável pelas ruas nas quais preciso trafegar. A resposta não sobe estranha à razão. Moro no bairro onde se concentram estranhamente quatro cemitérios, o maior do estado, um religioso, um israelita e outro com a pompa de ter sido o primeiro vertical do país. Policiamento ostensivo é reforçado. Camelôs e flores dão brilhos e cores à la Joãozinho Trinta. Mas o dia tem um ar grave pra se respirar diante desses cenários. Prefiro sair daqui, buscar novos ares fora do bairro. Caminhando, vejo no chão um desenho que parte o lúgubre ao meio. Um desenho de amarelinha, a brincadeira que não se vê mais nos pés de ninguém. Sorrio, mas prossigo. Entro no ônibus. Encontro conhecidos até lá. Aceno educadamente. Assento. Viajo. Salto. Caminho. Encontro amigos. Encontro abraços. Encontro uma notícia triste. Alguém que conheci há uns meses atrás veio a falecer. Sepultamento nesta segunda-feira. Trinta e poucos anos de existência. Preocupo-me com as causas. Amigos me respondem. Meningite. Reunimo-nos e fizemos uma prece. Adrielly, o primeiro transexual que conheci de perto. Chamavam-na “dama da cozinha”. Disseram que preparava excelentes quitutes. Nunca deles provei. Pouco conversamos, mas tenho boas recordações. Discreta – o que nunca imaginei encontrar numa “trans” para ignomínia minha –, elegante, temente a Deus e de poucas palavras. Um obliquoso antagonismo no estereótipo homicida que nos habita. Pra muitos juízos de plantão, uma imoral. “Perdida”, no linguajar da religião e de seus adeptos tão cheios de coisa-alguma-pra-deus.
Puxei uma folha qualquer na memória e comecei a rabiscar uma reflexão sobre o que seria imoral no sentir-pensar de nossos dias. Na volta, caminhando pelas ruas do Centro, preferi traduzir as palavras em idéias que não se calam diante de perguntas famintas. No silêncio, pus poesia como degelo nas tristezas. E fiz com que elas se tornassem mensagens pregadas num varal. Não que resolvesse expor minhas palavras, idéias ou, quem sabe, fragilidades masculinas. Não temo por isso. É que decidi interagir comigo mesmo. Publicamente. Tem vezes que penso que tudo se ergue tão transitório à razão. A vida. A idéia. A paixão. Quem chega e quem vai. Nós apenas conjugamos enquanto vivemos.O verbo existe de per si. "No princípio era o verbo", assevera a epifania no primeiro capítulo do Evangelho de João. Sabedoria antiga que ensina o que a vida traz: o verbo sempre esteve presente... Hoje sou eu quem não estou para muitas palavras, sejam verbos, sujeitos ou predicados.
Seguindo pela rua, telepaticamente, a voz e o sotaque de Clarice surgem como chuva de papel picado:
Eu me agacho e cato minha resposta nos pedacinhos em branco que ainda escreverei...
...
sábado, 11 de outubro de 2008
Cartólico, orgulhosamente!
Ao longo de seus 72 anos de vida, Cartola compôs, sozinho ou em parcerias, cerca de quinhentas canções. Seus principais parceiros: Elton Medeiros, Carlos Cachaça, Noel Rosa e Dalmo Castello. Até hoje essas músicas são regravadas por vários intérpretes, tamanha é a grandeza de seus versos e melodias. "O Sol Nascerá" (uma composição do início dos anos 60), por exemplo, já teve mais de seiscentas regravações até o momento. Entre algumas antológicas gravações das músicas de Cartola estão "Alvorada no Morro" (de Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho) na voz de Carlos Cachaça; "Garças Pardas" (parceria dos anos trinta de Cartola e Zé da Zilda), na voz de Clementina de Jesus; "Soldado do Amor" (de Cartola e Nuno Veloso) com Maria Creuza, e "Não Posso Viver Sem Ela" (de Cartola e Bide), com Paulinho da Viola.

Carioca do Catete, mudou-se com os pais para o Morro da Mangueira aos onze anos. Desde criança trabalhou como pintor de paredes, lavador de carros e pedreiro. Vaidoso, ganhou o apelido de Cartola quando passou a usar um chapéu coco para não sujar os cabelos de cimento.
Cartola foi um dos fundadores da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, em 1928, e responsável pela escolha das cores verde e rosa como símbolo da escola. Farelos não poderia deixar de homenagear aos cartólicos do Brasil com a lembrança do centenário do Mestre Cartola. [Leia +]
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Não quero mais
Portanto...
Não quero mais o ontem que se foi com todas as marcas que já doeram. Não quero mais a nostalgia do que poderia ter sido. Qual o proveito? Não quero mais prender coisas nem pessoas. Quem precisa de mim sou eu que me esqueci por não poucos anos. Quem quiser me amar, que ame. É de graça, jamais cobraria. Mas, um porém é certo: que me ame mesmo coberto de casacos de defeitos e sem pretensões de querer me “endireitar as veredas”. Não quero mais me embriagar com a noite, apesar de não querer largar os encantos da lua. Saibam que meus dias pedem luz solar, e eu sinceramente não raciocino tão bem depois de uma da madrugada. Não quero mais ambientes barulhentos porque não consigo “me” acomodar, só me incomodar (meus amigos me dizem que tô ficando velho, mal sabem que canto os versos de Marisa Monte: “Vivo tranqüilo, a liberdade é quem me faz carinho”). Não quero mais falar e ter que me explicar quando tecerem ambigüidades (não abandonei o trema, viu!) no meu discurso. O que disser, tá dito. Façam suas interpretações e as assumam pra si. Mas há coisas que nunca falei, pensem bem na hora de me cobrar. Não quero mais a companhia duradoura de sentimentos que não me suprem os reservatórios de energia da alma. Não quero mais, ao menos por enquanto, dizer que tá bom assim e que assim ficará. Cada momento tem seu quê de mistério. Por ora, é meu torpor ficar assim, quietinho no meu canto. Não quero mais pular as fases de qualquer coisa. Já disse o que precisava acerca do mistério de cada momento. Não quero mais me agarrar ao ativismo enebriante que ativa o “stress”. Como diria o Marcelo Medici, “a vida é minha, o pobrema é meu”. E por ser a minha vida, tão preciosa a mim e sobretudo Àquele que a deu pra ser significativamente bela, não quero mais que me confundam nas aparências de quem sou e como sou. Não quero mais porque não quero. Quando voltar a querer, a gente chama as reticências e toma umas e outras pra predicar o meu retorno. Ah, sim, não quero mais consumir álcool. Se bem que nunca fui um bebum, mas é que me cansei do incômodo de temer ficar embriagado.
Rapidinhas:
1. Hoje, mais outro sobrinho teen aniversaria. Leo e os seus 16 anos. Aeeee! Parabéns! Já pode tirar o título de eleitor (risos). Luv u!
2. Bem-aventurado é mais dar do que receber. Prédica cristã que me inspira a vida toda como Graça no viver. No entanto, são tantas histórias de gente que me sugou, que não pagou o que devia, que ganhou às minhas custas e não agradeceu, enfim, não vem ao caso. Hoje, no entanto, para minha surpresa, logo pela manhã recebo a ligação de um senhor de idade. Conheço-o há algum tempo. Militar, costuma ser sisudo e cheio de formalidades. Mas quem vê cara não vê coração, diriam os antigos. Ligou para agradecer. Explico: precisando de um dinheirinho extra (sou brasileiro, sabe como é que é...), aceitei a empreitada de “ghost writer” e preparei um minucioso relatório de atividades de um determinado trabalho que ele deveria entregar aos superiores. Trabalho feito, entregue e devidamente pago. Pra mim, encerrado. Que nada! Ligou para agradecer à vista dos elogios que recebeu. Poucos lembram de agradecer quando, de alguma forma, se dão bem. Fiquei surpreso e feliz. Agradeci, evidentemente, mas, como todo “escritor fantasma” que se preze, aplico num outro sentido neste post a famosa confissão de São João Batista: “convém que ele cresça e que eu diminua”.
sábado, 13 de setembro de 2008
Des. Maria Berenice Dias, mulher
A desembargadora Maria Berenice Dias foi fundadora e é vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), entidade que veio a transformar o entendimento tradicional do que é uma família.
Maria Berenice Dias também é reconhecida internacionalmente por suas posturas progressistas em relação aos direitos da mulher na sociedade. Ela fundou o Jornal Mulher, o Disque Violência, entre outros projetos mais que vieram a marcar e continuam a influenciar profundamente a sociedade brasileira moderna. É autora do livro Homoafetividade - O Que Diz a Justiça, A Lei Maria da Penha na Justiça, Conversando sobre o Direito das Famílias, entre várias outras obras.
Recentemente entrevistada no Marília Gabriela Entrevista, ela conta que uma vez os colegas da faculdade da filha, diante da militância da mãe na causa homoafetiva, chegaram a questionar a sexualidade de Maria Berenice. Tomando o episódio como exemplo, diz: “Parece que não podemos defender outras causas a não ser a própria!”. Gabi elogia o trabalho da convidada e pergunta qual é sua maior vitória. A resposta: “Ter recebido o título de juíza dos afetos”.
Destacarei, ainda, outras falas que tenho desta admirável jurista na área da família:
“Todo mundo ria, porque era uma coisa completamente fora das possibilidades da época querer ser Juíza, era como se eu dissesse que queria ser astronauta.”
“Quando nasceu meu primeiro filho, me deram licença-saúde e me mandaram trabalhar depois de 30 dias. E falaram assim: Viu como mulher não pode ser Juíza mesmo?”
“Toda essa exclusão que tive ao longo de uma vida foi o que me sensibilizou para esse viés um pouco mais social, um pouco mais atento a essas discriminações.”
Certa vez, numa palestra, Maria Berenice ouviu a pergunta: "A senhora é lésbica?". A resposta veio fundamentada: "Sou lésbica, sou negra, sou vítima de violência doméstica, sou tudo aquilo que defendo e acredito". Isso resume sua trajetória corajosa para quebrar tabus. Detalhe: ela é loira, foi casada cinco vezes com homens e é mãe de três filhos.
“Não se reconhecer a possibilidade do casamento homossexual daqui a 50 anos vai soar tão absurdo como hoje soa absurdo, por exemplo, o impedimento de as mulheres votarem.”
“Sou completamente contra qualquer influência da religião, principalmente na Justiça. Acho horrível a idéia de ter o crucifixo como símbolo no Tribunal.”
Por fim: “O afeto é uma realidade digna de tutela”.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
11 de setembro: desculpa para outras recordações
Numa determinada época da vida, lecionei religião para adolescentes. Cheguei a criar um grupo de teatro. “Peça-fé-no-ato”. Tínhamos diretoria, eleição e tudo o mais. Era diretor. Produtor. E autor de muitas peças e esquetes. Sempre questionadoras. Eles mesmos, por volta dos 15 a 18 anos, me diziam: “Ih! Se a gente encenar isso aqui que tu escreveu seremos expulsos da igreja!”. Que nada! Jesus era muito mais revolucionário do que imaginamos. Imaginem alguém chegar na cara do clero e dizer contra o stablishment: “as prostitutas vos precederão nos céus!”. Pois ele o fez. O original grego diz exatamente isso: putas. E não “putas convertidas ao cristianismo” como alguns ensinam. Eu me divertia no ensino catequético, verdade seja dita. Tudo o que é feito por prazer torna-se qualquer coisa leve, um hobby. Nunca me expulsaram de igrejas. É, nem tudo é perfeito... Tanto que instiguei para fazerem... Consideraram a briga muito maior do que poderiam crer. E era assim que me sentia uma espécie de Dercy Gonçalves. Talvez cressem não haver mais jeito. Melhor seria não me questionar... (risos). Mas eu mesmo questionava. E tanto que, anos após, mais precisamente em agosto último, os que então eram adolescentes (eles cresceram e alguns até pais já são) me convidaram para dar uma palestra. Relutei, mas aceitei. Não deu outra. Muitos gostaram, exceto os religiosos. Pouparei os curiosos do que rolou ao final da palestra...
Nota: Apenas para constar que na imagem acima vêem-se meus dois sobrinhos teenz, Camilinha e Tiaguinho. Os dois nos seus dezoito anos. O diminutivo - "inho" e "inha" - vem enternecido de carinho desde que nasceram. Lógico que não mudarei. Ao menos neste caso.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Coisas, apenas coisas, que não curto
01. O medo, a pressão, a fala negativa nos discursos feitos e também ouvidos. Como faz bem ser feliz! Como perde quem não faz do bem sua força motriz!
02. Gente coisificada. Um "isso". Alguma coisa que se esvai, se perde. Empobrece pra ser apenas - comerciavelmente - “prazer”, “aparência”, "incoerência". Quando muito, apenas um sufixo: “desejável”, “cobiçável”. Que morfema lamentável! Isso pra mim é que é inumano! E alguns seguem o fluxo sem nem se aperceber...
03. Balas de café. Chá com açúcar. Acordar cedo. Fofoca. Noitadas e suas variantes pela “night” afora... Me desculpem, é que meus dias são melhores servidos ao sol.
04. Verdades impostas. Mentiras. Gírias de gueto. Roupas extravagantes. Brincos. Trincos. Fumaça de cigarro. O próprio cigarro. Desrespeito a mim, a ti, a quem for.
05. A superficialidade. A falta de compromisso. O “desromance”. O pagar com a mesma moeda. A falta de atitude. Nossa, sou atípico!






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