Quatro paredes. Um tempo e um contratempo. O copo pela metade. A outra, em mim. Um minutinho é o atraso do meu relógio. Em segundos, já consertei. Um bom tempo é o que tive neste final de semana. Lançamento do livro de meu amigo, seu primeiro romance. Aos jardins do Palácio do Catete, lado a lado aos burburinhos do lançamento, a melodia outonal de uma roda de seresteiros. Amo serestas, embora às vezes me assalte a idéia de que o “clima” saudosista é que me contagia. Soube que aos sábados o pessoal da antiga faz encontro naqueles jardins. Do encontro, vários outros encontros com a música de boa qualidade. Se ainda não rabisquei em palavras por aqui, quem me conhece sabe que sou das antigas (ainda que não tendo vivido nesses áureos tempos).
E por falar em sons que não são tocados, os do abraço e os do tapinha nas costas são estimulantes. O som da lembrança que a memória não apaga também o é. Às vezes, até o som do pranto (e por que não?). Há outros mais estranhos, mas não perdem o destaque enquanto fabricantes de sons. A folha que rasga quando assume que era rascunho. O plac-plac dos sapatos pelos corredores famintos de ecos. O selvático tabefe na cara do filho que assume ser original, e não rascunho social. O cansaço da madrugada que rasga tal como folha até que tombe na cama. Há um sem número de sons espalhados pelas ondas que, por sua vez, são pela física conhecidas como perturbações que se propagam pelo espaço. Se perturbam, emitem qualquer ruído. E assim, fabricando e fabricando sons a gente se percebe vivos.

Há sons de ventos lá fora. Aqui dentro, calmaria. É o que importa. Tomo a outra metade do copo sem companhia. Volto ao pré-texto e me embriago de lembranças e alguns pensamentos torpes. Rasgo alguns deles como folha de papel. Vou fabricando ruídos em ondas e rascunhos. A noite tomba, mas o pensamento sobrevive à queda. Estou no melhor horário pra procriar textos. Há um clima fértil me esquentando as idéias, mas até que tudo se consuma vou de leve pelas bordas das divagações. Gosto dessas coisas, preliminares ou não, só sei que gosto. As quatro paredes são meras testemunhas silenciosas. É assim que deve ser. Somos somente eu e as palavras. Breve, se tudo der certo, após o ciclo natural da gestação, o texto. Enquanto não penetro no absurdo das palavras, levanto-me para encher só mais um copo. A noite promete...
Notinha de rodapé [convite]:
Não poderia deixar de mencionar um evento que ocorrerá no fim de semana e para o qual fui convidado. Quem estiver pelo Rio neste sábado, 29 de maio, segue aqui o convite para uma discussão interessante sobre o filme “Meninos não choram”. Após a exibição, os doutores em psicologia Luiz Ribeiro e Fátima Almeida, ambos da PUC/Rio, darão uma palestra seguida de debate sobre a temática envolvida no filme. O endereço do evento consta na imagem.
E por falar em sons que não são tocados, os do abraço e os do tapinha nas costas são estimulantes. O som da lembrança que a memória não apaga também o é. Às vezes, até o som do pranto (e por que não?). Há outros mais estranhos, mas não perdem o destaque enquanto fabricantes de sons. A folha que rasga quando assume que era rascunho. O plac-plac dos sapatos pelos corredores famintos de ecos. O selvático tabefe na cara do filho que assume ser original, e não rascunho social. O cansaço da madrugada que rasga tal como folha até que tombe na cama. Há um sem número de sons espalhados pelas ondas que, por sua vez, são pela física conhecidas como perturbações que se propagam pelo espaço. Se perturbam, emitem qualquer ruído. E assim, fabricando e fabricando sons a gente se percebe vivos.

Há sons de ventos lá fora. Aqui dentro, calmaria. É o que importa. Tomo a outra metade do copo sem companhia. Volto ao pré-texto e me embriago de lembranças e alguns pensamentos torpes. Rasgo alguns deles como folha de papel. Vou fabricando ruídos em ondas e rascunhos. A noite tomba, mas o pensamento sobrevive à queda. Estou no melhor horário pra procriar textos. Há um clima fértil me esquentando as idéias, mas até que tudo se consuma vou de leve pelas bordas das divagações. Gosto dessas coisas, preliminares ou não, só sei que gosto. As quatro paredes são meras testemunhas silenciosas. É assim que deve ser. Somos somente eu e as palavras. Breve, se tudo der certo, após o ciclo natural da gestação, o texto. Enquanto não penetro no absurdo das palavras, levanto-me para encher só mais um copo. A noite promete...
Notinha de rodapé [convite]:
Não poderia deixar de mencionar um evento que ocorrerá no fim de semana e para o qual fui convidado. Quem estiver pelo Rio neste sábado, 29 de maio, segue aqui o convite para uma discussão interessante sobre o filme “Meninos não choram”. Após a exibição, os doutores em psicologia Luiz Ribeiro e Fátima Almeida, ambos da PUC/Rio, darão uma palestra seguida de debate sobre a temática envolvida no filme. O endereço do evento consta na imagem.









