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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Meus heróis morreram de “overdose” (de talento)


Numa semana em que me entristeço com tantos fatos que se entrelaçam com o cotidiano da cidade e do país, tento destemperar a existência com os episódios mais recentes dos noticiários. E antes que alguém suponha que destemperar é abstrair, afirmo que não. É retirar o excesso, o que desequilibra. Casos de bullying em várias cidades. Assassinatos do lado de fora das janelas de nossas casas. Atos covardes em toda a parte. Crescimento do fundamentalismo religioso nos cenários do Poder Político. Intolerância gerando desamor sob vários graus. Oquidão dos seres que se coisificaram tanto que, de tão fúteis, nada restou.

Enfim, o cenário não é de chuva, mas também não é de céu de brigadeiro. É de realidade mesmo. Com toda a expressão de seus matizes.

Pensando nas coisas boas que me transportavam para os melhores anos, revisitei a memória à procura de coisas ou pessoas pra recordar. Lembrei dos cadernos de poesia que escrevia aos montes na adolescência. Lembrei das pilhas de livros que faziam parte de meu cardápio diário (literatura nacional e estrangeira). Engraçado, não sei por que mas adorava livros de auto-ajuda). Lembrei dos ratinhos brancos que criei. Lembrei da febre pelos álbuns de figurinhas, fosse qual fosse. Lembrei dos programas de rádio nas ondas curtas e das correspondências que recebia de amigos de várias partes do mundo. Como estarão hoje em dia? É apenas uma perguntinha retórica sem muitas pretensões...

Pois, então. Neste embalo saudosista, esta semana me lembrei com uma puta saudade dos 21 anos de partida do Laurinho Corona. Vivia meus idos de adolescente quando o vi partir. Era um ator carismático, sorridente e dotado de uma beleza que *#@! encantava a muitos, senão a todos. Excelente profissional, fez par com excelentes atrizes contemporâneas. Dancin’ Days (1978), era par da personagem de Glória Pires. Em 1984, se não me engano, fez o personagem Rodrigo em Bete Balanço, par romântico da personagem de Débora Bloch. Mas foi nas telenovelas que se destacou. Marina, Baila Comigo, Elas por Elas, Louco Amor, Corpo a Corpo e Direito de Amar. A última foi Vida Nova, de 1988, no papel de um imigrante português que namorava uma judia brasileira, interpretada por Deborah Evelyn. Além das novelas, gostava bastante do programa Globo de Ouro, que ele apresentava nos anos 80.

Laurinho foi uma das primeiras personalidades brasileiras a morrer de complicações decorrentes do vírus da AIDS. O personagem na novela Vida Nova teve um final apressado com uma viagem para Israel, por causa da doença do ator. A última cena mostrava um carro preto partindo numa noite chuvosa, ao som de um poema de Fernando Pessoa, declamado em off pelo próprio ator.

Os boatos de que estaria com AIDS surgiram em janeiro de 1989, quando pediu afastamento de Vida Nova, na qual era protagonista, alegando estafa. Voltou dois meses depois, muitos quilos mais magro e com uma visível queda de cabelo. Logo em seguida mudou-se para a casa dos pais, isolando-se até mesmo dos amigos. Quando o estado de saúde piorou, foi internado, mas os pais proibiram o hospital de dar qualquer informação à imprensa sobre o estado de saúde do filho.

Depois de nove dias internado, partiu... e se eternizou em nossa memória. Um ano após a partida de Laurinho, foi o poeta Cazuza quem partiu em condições semelhantes... Poderia parar por aqui, mas aqueles idos me deixou órfão de heróis vestidos de humanos talentosos. Um ano após Cazuza, foi a vez de Freddie Mercury, astro iluminado do Queen nos deixar...

As constelações foram aumentando sobre nossas cabeças e, paradoxalmente, se silenciando nos céus de nossos tempos, nos idos de minha adolescência e início de juventude...

Hoje, são todas elas (as constelações) mar de doces lembranças. Isso pra mim é reequilibrar o caldo da existência com bons temperos. Por mais que meus heróis tenham morrido de “overdose” de talento e por mais que meus atuais inimigos estejam no Poder, meu mais insistente desejo é sempre trazer à memória o que pode me dar esperança!




Notinha de rodapé:

Por falar em esperança, começaremos aqui no Rio de Janeiro, no projeto Betel, uma série de encontros com candidatos a cargos eletivos que defendem programas em prol da diversidade. O primeiro deles será o Jean Wyllys. Portanto, quem estiver pelo Rio, não custa aparecer na Praia de Botafogo, 430, 2º andar, domingo, 25/07, às 17h30. Apareça(m)! Quero dar um abraço nos meus leitores por lá!

sábado, 27 de março de 2010

Lembro-me como se fosse ontem...

Sua composição poética me fascinava na adolescência. Não que não me fascine mais, mas naquela época tudo tinha um outro sabor. O sentido tão forte envolto nas palavras, seus significados como leituras da nossa alma, o tom que ele emprestava a cada em-TOM-nação, tudo isso me compunha um misto de admiração e perplexidade. Era assim que me sentia ao ser absorvido pelas canções de Renato Russo. Hoje, exatamente hoje, no dia que o teatro e o circo festejam a data em suas comemorações, nosso poeta rock n’ roll completa 50 anos. Sim, diante dele o verbo faz sentido é no presente! Ele completa – e não completaria – cinquentinha porque antes de qualquer coisa não morreu, sequer foi enterrado ou cremado, como queiram os exigentes com suas canções!

Sua mensagem se entrelaça a história de uma geração ao estilo ‘coca-cola’, como ele dizia. Anos oitenta, muita coisa estava em [re]construção. “Diretas Já”, por exemplo, tinha ocorrido há menos de um ano quando nasceu o primeiro álbum da “Legião Urbana”. O cenário social era o de muitos questionamentos. A vontade era a de explodir uma revolução, mas não de armas, e sim de ideologias re-VITAL-izadas. “Que país é este?”, a gente cantava e se perguntava. “Tempo perdido” era mais um dos muitos questionamentos que nos fazíamos. E assim correram os versos de sua poesia pra dentro daqueles anos que me construiram a adolescência...

"Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto" foi outro exemplo de como me fez bem saber que havia luz naquilo que cantava. Aprendia como um bom pupilo os versos que me ensinavam, aconselhando: “Lembra e vê que o caminho é um só”. Sim, eu me debruçava sobre a letra devorando cada verso com a atenção devotada a uma prece. Chorei ao cantá-la muitas vezes. “Meninos e meninas” me fascinou de cara, pois me surpreendia saber que havia gente neste mundo cantando suavemente seus segredos mais íntimos sem se importar. Ca#&*lho! Sem se importar! Era o que queria pra mim: não me importar.

Mas eu ainda me importava com muita coisa, nem tinha maturidade suficiente pra bancar o preço de nada – ou quase nada. Verdade é que, não poucas vezes, eu me sentia um refém trancado pelo lado de dentro. Não havia em mim naqueles anos um desbravamento épico o suficiente pra realizar o gesto mais simples e mais extraordinário, que era me abrir para a vida. A minha própria, sem intervenções de qualquer natureza. No meu caso, como se não bastassem as corriqueiras no universo adolescente, o fardo da carga religiosa. Mas eu chorei muitas vezes com outras canções, como, aliás, ainda espero chorar ao som de muitas outras. Sou fiel à minha natureza deliciosamente humana. Fiel e feliz, diga-se.

“Hoje eu já sei que sou tudo que preciso ser, não preciso me desculpar e nem te convencer”, era o que diria hoje para aquele jovem iniciante, puro e sonhador que fui.

Na faculdade, em meio aos livros da biblioteca [naquele tempo a internet era artigo de luxo, o jeito era pesquisar nos livros!], arranhava um italiano insosso porém coberto de prazer para meu paladar musical. “Strani Amore” e “La Solitudine” iam e voltavam comigo, dentro do ônibus. Nariz grudado no vidro da janela, olhava absorto o ‘nada’. Em meio ao movimento do ônibus, cantava as canções de “Equilíbrio Distante”. Eu mergulhava no mais profundo dos meus sentimentos. Era delicioso [me] saber que ali naquelas canções eu encontrava mais sentido [pra não dizer Evangelho] sobre a vida do que nas mensagens que ouvia dos púlpitos.

Era um estudante cheio de sonhos quando ele partiu pra eternizar seus ricos versos em nós. Foi cremado no cemitério pertinho de minha casa. Eu não quis me despedir porque acreditava que um profeta jamais morreria. Ele era um dos meus profetas prediletos. Minha devocional neste início de sábado é a lição inspirada no capítulo 13 da primeira carta aos Coríntios, escrita em grego no 1º século, cantada em versos de Renato Russo nos muitos outros séculos à frente:

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos,
sem amor eu nada seria.
É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal.
Não sente inveja ou se envaidece.
O amor é o fogo que arde sem se ver.
É ferida que dói e não se sente.
É um contentamento descontente.
É dor que desatina sem doer.
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos,
sem amor eu nada seria.
É um não querer mais que bem querer.
É solitário andar por entre a gente.
É um não contentar-se de contente.
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade.
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem
todos dormem todos dormem.
Agora vejo em parte.
Mas então veremos face a face.
É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua do anjos,
sem amor eu nada seria
.

Parabéns, Renato, profeta renascido dos versos que me construíram homem, humano, cidadão, poeta, proseador, sonhador e alguém de fé na vida! “Olho pra trás, lembro-me como se fosse ontem. Não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo. Temos todo o tempo do mundo...”.

Não repare nas minhas lágrimas, mas é exatamente nisso que penso-rezo-oro-acredito! Axé, shalom, amém e amém!


Notas de rodapé:

[+] Marcinho Retamero, meu amigo de caminhada, como foi lindo e surpreendente ver [mais uma vez!] que temos a mesma sin-TOM-nia. Sem nos confessarmos nada, escrevemos sobre o mesmo profeta com muitas impressões semelhantes! Seu artigo me emocionou!

[+] Fiquei mais saudosista de ontem pra cá. Sei lá, recordar me dá este sentimento revisitante dos meus baús. Piorou um pouco depois de ter assistido às maravilhosas Nathália Thimberg e Rosamaria Murtinho em "Sopros de Vida", no teatro CCBB.


segunda-feira, 22 de março de 2010

Soltando grãos de pensamentos

O verão nos deixou como necessidade. Era preciso partir pra que o outono desabrochasse. Com a despedida silenciosa do verão, foram-se os dias mais quentes dos últimos anos. Foram-se litros de transpiração por todos os poros da pele desde o primeiro dia de sua chegada. Foi-se para o baú das memórias. No final do ano, depois de abrilhantar muitas peles com seu bronzeado, é certo que voltará. A certeza do retorno é precisa nas dinâmicas do jogo da vida. Não estou falando do inesperado, menos ainda do que nos foge às certezas [sim, porque há muito mais incertezas debaixo do céu que as ditas certezas]. Ao menos neste caso a gente sabe que o verão há de voltar. Eis uma certeza daquelas certeiras, coisa rara. A realidade de que foi ninguém duvida.

Não falarei sobre o outono, até porque gosto dos ares da estação. Só fico cauteloso quanto aos elogios porque a previsão – feita por quem diz que entende – é a de que este outono nasça esculpido pela forte sensação de calor. Mais que suposições do momento, os pensamentos insistem que sejam elocubrações meteorológicas. Nada muito certo, coisas das nossas incertezas mais sutis. Segredos irônicos da natureza. Deixemos isso de lado.

Minha mais absoluta certeza é a de que o verão nos deixou. Gosto de pensar ‘o deixar’, não de deixar propriamente. Costumo deixar pensamentos na janela da minha varanda. Não deixo propositalmente, quando me dou conta foi lá que permaneceram. Tem dias que os quero de volta de súbito. Não consigo. Gosto de me deixar à vontade quando preciso. Confesso que não gosto de deixar certas manias. Exemplo disso é que durmo tarde, uma mania que ma fascina porque o silêncio da noite me inspira. O pior é acordar cedo ciente que a noite não me deixou dormir o sono dos justos...

Pensando sobre o que já deixei poderia escrever uma lista enorme. Já deixei de ser menino, muito tímido, inseguro, esquisito, afobado, ingênuo, intolerante, cínico, babaca, arrogante, pegajoso, medroso, religioso, irrequieto, preocupado com o ter, descrente, desmedido, contradizente, cruel, homofóbico (sim, tive homofobia internalizada por anos!) y otras cositas más... Pensando sobre o que já me deixou, a lista também não seria curta. Pra começo de conversa, o afortunado dinheiro. Já dizia o mestre Paulinho da viola, dinheiro é vendaval quando está na mão. O que dizer dos sonhos? Alguns se foram com a maturidade; outros fui vendo que era melhor transformá-los em realidade. Pessoas são as mais doídas quando nos deixam. Não falo só de esquecimento ou decisão de partida; neste caso, incluo também a morte e a própria ausência (injustificada ou não). Já fui deixado por quem amei. Pensamentos, pessoas e muitas coisas (dentro e fora de nós) podem nos deixar a qualquer momento. Se nos deixaram, seguiram seu caminho. Foram-se como grãos de areia que a gente solta quando quer regá-los na praia. Não é assim o fluxo natural da vida? Farão como o verão, que sempre volta? Creio que não!

Nem todas as coisas merecem voltar...

Nem todas as pessoas farão em nós uma estada permanente...

Nem todas as perdas são derrotas, nem todas as ausências, vazios...

A vida é feita de escolhas, mas também de incertezas. É, eu tô sabendo disso aos poucos. Deixar por deixar, vou ‘me’ deixar quieto por enquanto...



22/03. Só pra não deixar de lado. Só pra não deixar de lembrar do que nos é vital.

Que não sejamos deixados à margem dos rios, dos lagos, dos mares, dos oceanos, enfim... Não se trata simplesmente de vir com aquele papo [que não deixa de ser super sério!] sobre meio-ambiente e tal. É uma questão vital, a gente sabe [ou não deveria deixar de saber!]. Quando a gente não cuida do que é nosso, nós é que nos deixamos à margem. Tenho aprendido que isso vale pra tudo. Se a água não for racionalmente usada, não será a mencionada água que nos deixará. Nós é que nos deixaremos de lado. Uma existência assim não é vida, mas sobrevida. Um caos que não precisa acontecer. Depende de nós! Eu me recuso a viver à margem de qualquer coisa, de qualquer pessoa, de qualquer circunstância! Eu e muitos de nós! Quanto a mim, estou certo. Quanto aos demais, eu acho. Quanto à água, sou convicto e ponto final!

terça-feira, 16 de março de 2010

Impressões do retorno

Silêncio rompido



Para a cultura ocidental o silêncio nem sempre é valorizado. Silenciar é se fechar. Silenciar chega a ser incomodar. Mas eu gosto do silêncio pelas muitos benefícios, sobretudo quando o que mais quero é me ouvir. Ouvir-se é um exercício e tanto. Nos barulhos pra fora de nós pouca gente reconhece os que carrega dentro de si. Mas não é sobre o silêncio propriamente que vou semear palavras nestas linhas. É apenas pra afirmar que meu silêncio não impediu de voltar aqui pra marcar uma das minhas mais prazerosas necessidades: escrever sobre meus sons e sobre minhas impressões do dia a dia.

Que falta que faz


Acreditem se quiser, mas desde domingo estava sem energia elétrica em casa. 48h. Este foi o decurso de todo o calvário. É f%#@! É absolutamente tedioso não conseguir realizar várias – milhares! – de tarefas em casa, sequer carregar o celular pra voltar a ter comunicação com seres do planeta Terra ou, ainda, me inteirar dos meus e-mails e do que rolava no mundo em que habito. Um saco! Culpa de quem? Ah, sei lá! Fujo um pouco desses clichês caça-às-bruxas. Prefiro falar em ‘responsabilidade’. Mas não agora. Não por este canal.

O que queria era apenas mostrar como a ausência é mais instigante que o silêncio. Ausentar-me do mundo, pela [ir]responsabilidade dos que detêm os direitos sobre serviços e concessão desses serviços, é mais complicado que o silêncio em meio ao mundo barulhento. Horrível é a sensação de desconexão com os apelos da existência.

Sobrevivendo como E.T.


Tudo bem, sei que pareço divagar sobre uma prancha de surf em meio ao nada. Mas é que eu tenho pensado bastante ultimamente na minha ‘extraterrestrialidade’. Foi exatamente assim que me senti ao ler um artigo de um blogueiro falando sobre aqueles que na sua opinião eram ‘otários’. Pior, os comentários ecoavam um coro gregoriano de ‘sins’ (porque um ‘sim’ apenas é para os otários), concordando com tudo o que o texto dizia. Obviamente a minha impressão é apenas reflexo do meu olhar sobre aquele texto, por isso não irei apontá-lo indo ao encontro do que abomino, a síndrome da caça-às-bruxas. Cada um tem a liberdade de pensar o que quiser, penso. Posso não concordar – e cá estou pra isso! - , mas respeito.

Meu último post falava sobre outro tema controverso e acerca do qual é duro o exercício do respeito, mesmo em meio à divergência. Homofobia. Costumo dizer sempre que o que mais desejo é o respeito, e não necessariamente a concordância. Creio assim porque me aninho no pensamento de que todos têm o mesmo direito que eu de opinar como fruto do livre pensamento. Mas a minha opinião é apenas minha, não pode servir de verdade pra mais ninguém. Ao menos, não de forma goela abaixo... Lincando o que digo com o que abordei no parágrafo lá em cima, minha ‘extraterrestrialidade’ me apontou que talvez eu seja um otário de verdade. Sei lá, não sigo o fluxo do que chamam naturalidade.

Por exemplo: poderia estar descrevendo aqui – como é comum a muitos, e isso não é crítica – fatos relacionados a fins de semana incrivelmente calientes, gozados – sem duplo sentido! – em meio à ferveção e a tudo o que qualquer corpitcho equilibrado e são gostaria: diversão, azaração e curtição (com ou sem ‘finalmentes’). Talvez um dia, quem sabe, ainda descreva. (rs) Meus últimos três finais de semana, por exemplo, não foram o que se poderia chamar ‘diversão’ ou menos ainda ‘azaração’. Ao lado de uma amiga, visitei idosos em asilo (sem que nenhum deles fosse meus parentes), brinquei, sorri e sobretudo ouvi suas histórias de épocas que não vivi. Levei biscoitinhos e fui chamado de ‘lindinho’ e ‘anjinho’ pelas minhas fãs octogenárias e nonagenárias. Sei que meu risco é ser taxado de E.T. Afinal, convenhamos, quem se proporia a largar tardes de três sábados consecutivos pra cutrir um programa desses? Tudo bem, eu assumo que sou um desses! No último final de semana, por exemplo, depois das visitinhas de praxe no asilo, corri para pegar um debate sobre esquizofrenia e exclusão social. Fui ao debate (que foi precedido pela apresentação do filme “O Solista”) não porque sofra de esquizofrenia, mas porque o tema ‘exclusão’ sempre me aguça a participação. Noutro dia foi a prefeitura de Maricá, cidade próxima a Região dos Lagos, que me contactou para participar de um debate sobre “Diversidade e inclusão". Pois bem, embora tendo chegado atrasado ao filme, só deu mesmo pra rever amigos e me espantar com a participação fervorosa das pessoas que tiveram a mesma idéia e compareceram naquele lugar. Conheci algumas para as quais fui apresentado, troquei idéias e impressões, bebi com amigos e voltei pra casa. Exausto.

Em casa, não consegui dormir porque a Dona In-sônia teima em querer conjunção carnal comigo todas as vezes que me deito após uma jornada cansativa na cama (ou no sofá). Nota explicativa: eu não faço amor com Dona In-sônia, mas sim com Seu-ups-meu-sono. Com a Dona In-sônia é conjunção carnal fria e mecânica mesmo! Mas isto é um outro assunto que resolvo com música e chá de camomila. Remédios, não! Detesto! Apesar dos pesares, a tal insônia me levou a escrever pensamentos. Um a um fui encerrando laudas na imaginação. Como é sobreviver em meio à minha ‘extraterrestrialidade’?... Entre um ponto e outro, teci uma listinha de manias e ‘coisas que nunca fiz’ que qualquer um terráqueo se apavoraria de se aproximar de mim ao saber que elas existem e me formam.

Mas é aquela velha história, cada qual sobrevive com as manias, os desejos e as vontades que tem. Eu só fico bolado quando leio um marciano fazendo sua verdade prevalecer sobre a opinião alheia – seja a de terráqueos, como a maioria; seja a de E.Ts, como eu! -, tal como ocorreu quando li um blogueiro falando asneiras do tipo “preocupar-se com os outros, pra quê?”, “ser fiel ao parceiro é uma otarice”, “quero mais é aproveitar porque a vida é uma só, essa história de se guardar para o amor é coisa de otário”, “o que vale na vida é a felicidade do momento, dane-se o dia seguinte”. Ficarei por aqui. Tenho ainda alguns pensamentos pra concatenar, coisas pra compartilhar depois com terráqueos incríveis como vocês!

Antes de me despedir...



Parabenizo o Grupo Arco-íris pelo brilhantismo da campanha sobre o respeito às diferenças [vídeo abaixo]. Parabenizo o pessoal da cidade norte-americana de Washington D.C., capital dos EUA, pela árdua trajetória rumo à legalização dos casamentos. Em especial, parabéns à Darlene Garner e à sua companheira, Candy Holmes [foto ao lado], teólogas e militantes dos direitos humanos, que semanas atrás jantaram na Casa Branca ao lado do presidente Obama [hum...] estarão conosco em maio num encontro aqui no Rio de Janeiro.

Ufa! Quantas impressões neste retorno!



terça-feira, 2 de março de 2010

O Rio de Janeiro continua...



[] Ontem o Rio de Janeiro completou 445 anos de fundação com maravilhoso motivo para [eu] comemorar: a boa sensação térmica com a queda nas [altas] temperaturas.

[] ...pra quem andou postando sobre o excessivo calor nada mais justo que informar sobre o decréscimo nas temperaturas. Sinto-me honradamente quite comigo mesmo!

[] Minha única preocupação é com o excesso de chuva de ontem para hoje. Não digo por mim mesmo, mas pensando no perigo das [muitas] encostas que abraçam cantos, morros e altos de vielas nesta cidade. Deus nos livre de [mais] catástrofes! Já nos chega a ignorância, o [grande] mal que assola o mundo e desmorona o progresso do ser e o do próprio desenvolvimento...

[] As imagens a seguir são uma justa homenagem aos excluídos desta cidade cartão postal, captadas por excelentes profissionais da fotografia e premiadas em diversas organizações. Eis por que o Rio de Janeiro continua lindo: há vida em movimento! No calçadão de Copacabana, nas quadras do Mercadão de Madureira, ao redor do Campo de São Cristovão, nas calçadas do Leblon, nas penhas do Arpoador, nas vielas da Mangueira, nas passarelas da Avenida Brasil, nos arbustos da Gávea, nas várzeas de Marechal Hermes, no paisagismo do Flamengo, enfim, em cada canto onde se cante o amor!

Favela de Manguinhos - Ratão Diniz

Favela da Rocinha - Ling Ling Ang


Morro do Alemão - Ratão Diniz

Lajes na Favela da Maré - AF Rodrigues

Favela Nova Holanda - Ratão Diniz


[] Parabéns, pela ordem: ontem, ao Rio de Janeiro que continua lindo; ao Johnny, meu amigo e vizinho farmacêutico super gente boa; hoje, à Deborah, que acompanhei desde a gestação; amanhã, ao Mauricio, meu amigo e irmão primogênito!



quinta-feira, 20 de agosto de 2009

And the honor goes to...


Dois importantes cidadãos americanos foram homenageados na semana passada pelo presidente Barack Obama em cerimônia na Casa Branca. O político Harvey Milk e o tenista Billie Jean King receberam a Medalha Presidencial da Liberdade, maior condecoração oferecida a civis norte-americanos. Entre os homenageados um fato em comum: ativistas gays. No entanto, isto é apenas um detalhe. O fato é que não se pode negar que cada um deles foi um luzeiro naquilo a que se propôs!

O arcebispo Desmond Tutu, cidadão sul-africano, reconhecido não apenas pelo Nobel da Paz mas também pela defesa dos direitos das minorias (étnicas, religiosas e sexuais) também recebeu a homenagem.


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Neste [singular] Dia dos Pais...




Hoje, domingo com céu pra lá de azul. Cores fortes contrastando com algumas pinceladas de muitas lembranças. Todas boas, deixo bem claro. Talvez por isso mesmo, vale salientar que as lembranças que mais permearam o firmamento no azul do [meu] pensamento foram as que meu pai deixou nos anos que desfrutei de sua presença-companhia. Hoje foi mais um daqueles exercícios para revisitar meu baú de [boas] lembranças dele. Senti falta dos sabores dos seus sorrisos e das palavras de gratidão quando lhe dava aquele abraço bastante filial, uma espécie de código sob cuja identificação nos reafirmávamos pelo carinho. O carinho a nosso modo. A aparente austeridade de meu pai revelava na intimidade dos mais chegados uma comicidade ímpar. De tudo fazia piada. Éramos bons amigos. Leais e ainda assim imperfeitos dentro de nossa construção de homens. Confesso, doeu um pouco lembrar tanta coisa. Saudade tem um que dessas coisas. Às vezes, dói, né?! Há quatro meses digo que sim. E muito.

Lembrei-me de meu pai até quando decidi comprar um bouquê de flores azuis um pouquinho antes da hora do almoço. Devocionalmente, ofereci à sua memória. Eu e meus pensamentos celebramos um ritual profundamente particular, tanto que só meu “eu” participou... O primeiro Dia dos Pais sem a presença física do pai a gente nunca esquece. Porém, mesmo sem esquecer, a gente caminha sob inspiração de quem soube ter sido por ele muito amado. Foi a partir daí que lembrei-me do poder da gratidão. É tal como água banhando o sorriso das flores do jardim. Sei o quanto sorriem. Torna-se evidente quando as cores se levantam para o brilho passar. Há um viço nisso tudo. Flores. Cores. Jardins vivos de lembranças. O saldo foi positivo. Toda boa lembrança é sempre positiva.

No decorrer do dia, uma palestra com o advogado Marcelo Turra para a qual tinha me agendado a assistir. Era o final da tarde. À noite, um aniversário. Não era de pessoa, mas de pessoas. Um grupo que milita em prol de um mundo mais justo. Estive em ambos os compromissos. Foi lindo encontrar e reencontrar tanta gente amada. Eram as minhas flores com sorriso de vida. Mais uma vez, percebi viço em tudo aquilo. Flores. Cores. Vidas. Pessoas. Histórias. Aqueles jardins!

Na volta, caminhando para pegar o metrô, meu amigo Pierre aponta o deslumbre com a vista. Olho correspondendo em reverente atenção. No alto do Corcovado, um Cristo cujo coração iluminado destoava na paisagem eternizada como cartão postal desta cidade. A iluminação em homenagem ao Dia dos Pais foi a atração para milhões de pessoas que avistaram o Cristo Redentor na noite deste domingo, 9 de agosto.

Com um azul no manto e um tom diferenciado no rosto, o monumento ganhou também um “coração” de luz. “A ideia era humanizar a estátua”, explicou o idealizador do projeto, Peter Gasper. O barato de tudo era que a luz vermelha simulava artisticamente os batimentos cardíacos. Eis nos detalhes as cores e o viço que compuseram o cenário do meu Dia dos Pais. Um jardim vivo de boas lembranças e com muitos aromas de saudades...





P.S.: O texto, ainda que escrito no domingo, acabou sendo publicado no primeiro minuto desta segunda-feira por alguns problemas técnicos com a internet. Eis a razão pela qual o tempo verbal no decorrer do texto faz menção ao [presente] domingo, o Dia dos Pais.

domingo, 2 de agosto de 2009

Vitórias da democracia – Parte 2




Quem diz que a democracia não se manifesta nas mínimas coisas do dia a dia (falo em conquistas de uma forma geral) é porque não aprendeu a discernir que uma nação se torna mais forte quando reconhece seus feitos. Como brasileiro, orgulha-me ver a brilhante (e histórica) participação do Brasil no Mundial de Natação em Roma.


Parabéns, César Cielo! Olhem para a imagem e, sinceramente, se questionem se é preciso dizer qualquer coisa a mais?!


segunda-feira, 20 de julho de 2009

Aos amigos com carinho


Comemora-se hoje o dia do amigo. A data nunca foi celebrada antes por mim, talvez porque não sinta (sentia) necessidade. Amigos os temos diariamente por perto, ainda que não os vejamos todos os dias. Sabermos que os temos e que estão próximos (apesar das geografias) encurta qualquer distância dentro das lembranças. Amigos de verdade tornam o significado mais robusto de algumas certezas bem pessoais. De tão chegados, vão ficando parecidos com as figuras mais próximas da gente, aquelas parentais.

Por conjugarem o amor de uma maneira fraterna, amigos acabam entendendo as nossas intempéries. Ao jeito deles, mas entendem. A importância que assumimos uns para com os outros torna o essencial absolutamente compreensível, mesmo que os contornos adjacentes de nossas escolhas nem sempre se encaixem no que se espera. Quem se importa, em se tratando de amigos? É no silêncio eloqüente da presença que a gente mais faz bem uns aos outros. Amigos sabem muito bem que isto não depende de concordar ou não concordar. Essas outras “questões” nem nos importam. O saber que se está presente, que podemos contar, isso sim é o que dá sentido ao que a gente sente quando sabe que se tem amigos nos capítulos de nossa história... isso faz toda a diferença!

E antes que termine o baile com as palavras do texto, válido reafirmar que um dos benefícios da contemporaneidade é saber-se que há, além dos amigos reais, os reconhecidamente virtuais. Embora não seja a regra, sou testemunha ocular da premissa que grandes amizades iniciaram a partir dos teclados. Portanto, a estes e àqueles, a todos, enfim: abraços rendidos em afeto neste dia do amigo!

domingo, 12 de abril de 2009

Num domingo de Páscoa tão diferente dos demais


Há muitas gentes nas ruas. Tantos rostos. Tantas histórias. Cada uma delas, porém, um universo particular. Naquele infinito que somente cada um pode desvendar – o chamado “eu” – a dimensão existencial de tudo o que vivemos e recordamos. Lembranças me povoam as constelações que cabem em meu próprio mundo. Explosões se irrompem aqui dentro e, sem nem perceber, rios caudalosos nascem sulcando os poros do rosto até formarem uma foz corrida abaixo. São chuvas, não são apenas águas. Chuvas de lágrimas. Uma e outra lembrança – talvez o conjunto delas – passando como filme aqui dentro. Imagens de meu pai, das nossas conversas, dos instantes de agonia quando queria me ver mas seu olhar se esquivava para outra dimensão bem maior que a minha. Queria ter-lhe contado tantas coisas de mim. Queria ter-lhe mostrado tantas vitórias que estão por vir. Queria ter-lhe compartilhado alguns sonhos, os mais recentes, os de hoje. Por outro lado, se o “crómos” – o nosso tempo multifacetado em horas, minutos, segundos, centésimos, e por aí vai – não convergiu para as oportunidades que delas sinto falta neste instante, sei que o “kayrós” – a dimensão pra lá de quântica, talvez pelas conseqüências de eternidade que somente a Graça pode se autoexplicar – guarda um quê de mistério com ares de certeza, fruto da fé. Um dia nos veremos para continuar o que aqui a limitação das coisas não nos permitiu. Bem, falo por ora. O pensamento engravida a lembrança em dores de parto como as das saudades. Sou um gestante em potencial assim como cada um que produz as mesmas emoções. Gestantes. Grávidos de lembranças. As dores de parto, mais uma vez, se aproximam. É hora de me aquietar por uns instantes e deixar fluir os fluxos caudalosos que me formam cascatas lindas de espontaneidade, amor e saudade de meu pai. Ontem, em meio a dor da perda, sepultei meu pai. Hoje, no domingo de Páscoa, inspiro-me pra ressuscitar todas as lembranças como sementes de afeto, as que mais gosto de semear. Como meu pai fazia. Tal pai, tal filho. Que orgulho!

Sei que há brotos nascendo aqui no meu peito - um processo natural quando se rega tais sementinhas. É por isso mesmo que este "fim" não termina aqui. Até breve!




Nota 1: Como diz a letra de uma canção, “a saudade eterniza a presença de quem se foi”. Perdas Necessárias. Quanta verdade!

Padre Fábio de Melo - Perdas necessárias (Com. Transforme em Jardins!)






Nota 2: aos que não entenderam as razões de meu silêncio, aos que cogitaram mil coisas, aos que souberam e compreenderam, aos que telefonaram pra oferecer o coração, aos que semearam palavrinhas por e-mail e outros recursos, aos que rezaram (tanto em silêncio quanto em letras engravidadas de sentimentos), aos que, mesmo sem entender, foram eloqüentes no silêncio e se mostraram presentes do mesmo modo, um punhado de gratidão espalmado na direção de todos. É dado de coração, ainda que pela mão deste ser saudoso, mas convicto que a paz é o melhor lugar pra se estar.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Significados de Cecília Meirelles


"No mistério do Sem-Fim,

equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,

e, no jardim, um canteiro:

no canteiro, urna violeta,

e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o Sem-Fim,

a asa de urna borboleta.



(...)somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim"

Cecília Meirelles

...



1ª Nota: Ontem, gratidão, amigos, ligações nutritivas e sentimentos afins. Comemorar-se o natal é sempre rico de qualquer coisa, até das que não esperamos. Falo acerca do meu natal. Hoje, “day after”, um calor em gotas serelepes brincando de escorrega pela minha fronte. Terno e gravata será que combinam com este clima abaixo do Equador? Numa sala fria e tão sublime o tom grave de um Tribunal. Eu, o cliente e três policiais militares. Uma condenação.


2ª Nota: De lá, uma viagem até um novo mundo. Encantei-me com aquele universo; na verdade, um oceano de oportunidades. Um orfanato. Para minha surpresa, dia de festa. Crianças, muitas delas. Palhaço. Brincadeiras. Eu, dentro de uma gravata, nadava pela observação pra dentro dos meus mergulhos. Dona Sidnay, a diretora, e dona Márcia, assistente social, pessoas com coração na mão. Amei conhecer a instituição “Solar Bezerra de Menezes” e o que fazem com tantas crianças carentes [ou, segundo me disseram, “em risco social”]. A razão de parar ali? Boa pergunta e duas rápidas respostas: a tangível tinha a ver com a entrega de um ofício a mando de uma juíza criminal; a intangível tinha a ver com a Providência. Uma questão de necessidade para os meus olhos, posso afirmar [pois só eu sei quais são minhas necessidades vitais]. Luz espalhada na ponta dos dedos, quiçá em todo o coração. Um desejo simples que fiz àquelas mulheres. Amei aquele lugar de oceano!


3ª Nota: 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ao falar em comemoração, não olho para governantes nem para países. Olho para pessoas, a começar pelo olhar de minha contribuição própria... O que faço, estou fazendo, irei fazer, é preciso fazer? Penso na resposta. Depois da lavoura trabalhada, retornarei com o arado. Estou ocupado na messe...


4ª Nota: Genial a evolução do texto e as sacadas com o interstício temporal em “Capitu”, mini-série para TV baseada na obra de Machado de Assis.




segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O alimento de nossas histórias: sonhos materializados de domingo




Final de semana com sol trazido no coração, como bem disse esses dias um amigo-mais-que-querido. Domingo, então, sem comentários. Ele despontou por trás dos montes pra cintilar luz nas paisagens que fazem desta cidade maravilhosa duas vezes. Água de côco no Arpoador, caminhadas no calçadão e nas calçadinhas, almoço com estrelas (presença querida também tem esse nome!), presentes trocados, fotos, bons humores disfarçados de “maus humores”, risos-de-nós, risos-desatadores, risos para a vida, toques, tatos, “xêros”, exposição “Nova-arte-nova”, no CCBB, muitas palavras faladas, pensadas, olhadas, até escritas. Nada disso, porém, se comparado ao privilégio de materializar os sonhos em alguns momentos – todos eles eternizados no instante que se foi – ao lado de pessoas a quem estimamos.

Hoje foram três pessoas que saíram de sua própria história para a minha. A cada uma, porém, a singularidade de páginas recém-começadas ou de obras com muitos e bons capítulos. Destas, duas são chamadas por mim como "Serginho". Ambas especiais na sua “arte”. Todas elas, contudo, profundamente acometidas pela delícia de ser amigas, cada uma a seu tempo.

Ao Leo e ao “primeiro Serginho” quero deixar o registro do finalzinho do abraço – isto porque os abraços iniciam com a vontade, ficam a maior parte do tempo presas no corpo de quem abraçamos, mas há sempre uma pequena parte que cabe na lembrança (esta, por sinal, levada conosco aonde quer que estejamos). Se soletrasse os superlativos que trago no peito, ficariam impublicáveis. A vontade era – e é – que tudo se transformasse em energia para catapultar sonhos maiores ainda em realidades pra alimentar a alma. Quem sabe... Hoje, definitivamente, saí alimentado pela presença. Sim, soletrei fatos e me percebi redescobrindo que a presença constante é necessária, ainda que no pensamento. Diariamente. Claro, discernindo com a razão que o limite é sempre “a vez do outro”. Às vezes, como hoje, o limite foi “estar-com-do-lado-de-dentro”... Sei que é feio, mas enchi a pança das delícias e dos olhares!

Ao “segundo Serginho” quero rabiscar aplausos pela brilhante palestra a que assisti no final da tarde. Suas gargalhadas me inspiraram com a energia dos grandes, não importa no que sejam grandes. Acima delas, porém, sua inteireza e vigor (pra não dizer força) na radicalidade do que significa “ser”. Ótimo saber que Serginho é-sendo. Saí daquele hotel com gratidão e oxigênio nos pulmões. Amei os altos papos tidos no término da palestra, as recordações, as experiências, sobretudo as palavras extremamente sinceras! Abraço de palavra intensa como aquelas gargalhadas!

Eu agradeço a Deus – ou lá o que desejem chamar “Amor-amor-que-é” – pelo valor da liberdade. Ser-se é tão desbravador quanto um vôo com braços abertos. Este domingo, na companhia desses que me são caros, foi assim. Braços abertos!



...


P.S.: Faltou você, Neidinha (pra mim), Neidoca (pro xêro).

P.S.2: Serginho II e Emanuel, vocês são muito gentis. Prazer foi meu ao conhecê-los!


...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

No dia nacional do samba


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Porque meus tons se unem às notas, choram na cuíca e suspiram com o dia que passou. Hoje, aprendiz-de-mim, peço passagem aos bambas da cidade. O meu samba é a evidência de meus próprios pés descalços. Sujos no pó desta terra, porém, meus. Como demorei pra me despir!...


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Maria Rita - Samba Meu

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Encontros e despedida: uma questão lispectoriana




Ontem, dia de finados. O congestionamento fica incalculável pelas ruas nas quais preciso trafegar. A resposta não sobe estranha à razão. Moro no bairro onde se concentram estranhamente quatro cemitérios, o maior do estado, um religioso, um israelita e outro com a pompa de ter sido o primeiro vertical do país. Policiamento ostensivo é reforçado. Camelôs e flores dão brilhos e cores à la Joãozinho Trinta. Mas o dia tem um ar grave pra se respirar diante desses cenários. Prefiro sair daqui, buscar novos ares fora do bairro. Caminhando, vejo no chão um desenho que parte o lúgubre ao meio. Um desenho de amarelinha, a brincadeira que não se vê mais nos pés de ninguém. Sorrio, mas prossigo. Entro no ônibus. Encontro conhecidos até lá. Aceno educadamente. Assento. Viajo. Salto. Caminho. Encontro amigos. Encontro abraços. Encontro uma notícia triste. Alguém que conheci há uns meses atrás veio a falecer. Sepultamento nesta segunda-feira. Trinta e poucos anos de existência. Preocupo-me com as causas. Amigos me respondem. Meningite. Reunimo-nos e fizemos uma prece. Adrielly, o primeiro transexual que conheci de perto. Chamavam-na “dama da cozinha”. Disseram que preparava excelentes quitutes. Nunca deles provei. Pouco conversamos, mas tenho boas recordações. Discreta – o que nunca imaginei encontrar numa “trans” para ignomínia minha –, elegante, temente a Deus e de poucas palavras. Um obliquoso antagonismo no estereótipo homicida que nos habita. Pra muitos juízos de plantão, uma imoral. “Perdida”, no linguajar da religião e de seus adeptos tão cheios de coisa-alguma-pra-deus.

Puxei uma folha qualquer na memória e comecei a rabiscar uma reflexão sobre o que seria imoral no sentir-pensar de nossos dias. Na volta, caminhando pelas ruas do Centro, preferi traduzir as palavras em idéias que não se calam diante de perguntas famintas. No silêncio, pus poesia como degelo nas tristezas. E fiz com que elas se tornassem mensagens pregadas num varal. Não que resolvesse expor minhas palavras, idéias ou, quem sabe, fragilidades masculinas. Não temo por isso. É que decidi interagir comigo mesmo. Publicamente. Tem vezes que penso que tudo se ergue tão transitório à razão. A vida. A idéia. A paixão. Quem chega e quem vai. Nós apenas conjugamos enquanto vivemos.

O verbo existe de per si. "No princípio era o verbo", assevera a epifania no primeiro capítulo do Evangelho de João. Sabedoria antiga que ensina o que a vida traz: o verbo sempre esteve presente... Hoje sou eu quem não estou para muitas palavras, sejam verbos, sujeitos ou predicados.

Em memória de Adrielly


O homem? A mulher? O em-si? O pra-si? O fruto parido? O fruto proibido? A mão na púbis? O pé na bunda? A boca no falo? O descompasso? O lapso? A tortura? O menor salário? Os juros ou as taras? A mordaça ou o fio dental? A interjeição ou o cuspe? A provocação ou a desistência? A sedução ou a fuga covarde? A nudez ou a vergonha não castigada? O homicídio ou o suicídio? A morte em vida ou a vida sem sentido? O abuso ou a omissão? O tapa na cara ou o que se faz antes? E o que não se faz quando deveria tê-lo feito? O que é imoral? Com que olhos se vê o que é moral? Suspiro. Olho as horas. Observo o semáforo. Atento, atravesso a rua. Entre tanta gente que me esbarra não há nada que me espante...

Seguindo pela rua, telepaticamente, a voz e o sotaque de Clarice surgem como chuva de papel picado:


"O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo."

Eu me agacho e cato minha resposta nos pedacinhos em branco que ainda escreverei...

...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Ao poeta com carinho



Numa justa homenagem ao dia do Poeta, 20 de outubro, meus olhos se voltam para as sílabas, piscando intencionalmente como quem pede uma palavra, só uma por inspiração. Assim é que a gente tasca o sentimento na ponta do lápis (ou no teclado, como queiram), espreme o sumo e enche o papel de significados, um a um, versejando na costura das palavras paridas. Há algum tempo atrás rabisquei uns versos-de-mim, que seguem nestas bandas de cá para os amigos me entenderem com mais significado. Seguem, ainda, outros versos não menos importantes pra mim. Todos têm sua própria história na minha História.

Sou um isso.
Meu viço é a vida.
Meu vício é o viver.
Amar até a palavra.
Fecundar significados.
Sem-senões. Exceções. Bemóis.
Qualquer nota desde que em prosa.
Pra cantar paz. Tanto faz. Errante demais.
Clímax humano. Sou verbo e conjugações.
Escrevo. Rio e choro. ‘De Janeiro’ a dezembro.
Semeio planícies. Assopro poeira pra pular até o céu.
Sou-sendo. Individuando. Recomeçando. À espera-ndo.

E pela inspiração, homenagens não faltariam. Escolhi uma pra identificar o que as demais também me causam. Na imagem, versinhos pra fora-de-mim numa parceria pra lá de arretada: imagem e palavras. Sou autor apenas de uma.

sábado, 18 de outubro de 2008

Esperança de Adélia



Exijo a sorte comum das mulheres nos tanques,
das que jamais verão seu nome impresso
e no entanto sustentam os pilares do mundo
(...) Uma tal esperança imploro a Deus



Porque Adélia sempre me chama para um café sentado no banquinho da cozinha, bem assim como em seus textos. Tudo é tão cheio de odores que leio e me estimulo no paladar, sentindo o ronco na boca do estômago.

Embora tenha criado o painel acima no ano passado, a homenagem subiu à mente quando sussurrava pra meus ouvidos contos e preces de esperança. Daqui a pouco vamos adiantar os relógios. "Day light", o nosso horário de verão inicia em plena primavera! Hoje!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Uma lição no dia do mestre



Amanheci com fome de palavras, que só veio a aumentar depois da reflexão que fiz sobre a dinâmica moderna dos relacionamentos. Às vezes acordo com vontade de fazer xixi e de parir palavras; na maioria das vezes, apenas fazer xixi. Hoje foi diferente. Quis os dois.

A vida é um “enter” de muitas coisas – nem sempre boas – que entram rápido demais nos costumes da gente. Por outro lado, infelizmente, a vida e suas novas dinâmicas não deixa de ser um “delete” pra qualquer coisa. Pior, pra qualquer pessoa! Há gente que trata o ser humano como “qualquer coisa” que mereça um “delete” quando preciso for. Trazendo tudo isso para os relacionamentos não é diferente. Também! Não, não posso me assustar.

“Os homens trocam de canais uns com os outros na mesma agilidade – e isto sem terem construído qualquer vínculo!”

O que não posso é concordar. Quando falo de relacionamentos me refiro a qualquer um que tenha o ser humano como agente do que chamaria ‘construção’. Somos todos construtores de relacionamentos: pais e filhos, amigos e irmãos, amantes (no sentido perdido e caído em desuso do que significa), colegas, confrades, vizinhos, etc.

Na vida com suas novas dinâmicas, onde o que prevalece é “o mais” (forte, belo, poderoso, influente, “pegador”, blá-blá-blá), “enter” e “delete” são botões indispensáveis, os quais se usam várias vezes e cada vez em menos tempo. Estou ficando velho demais, por vezes penso. Sinto falta de vínculos e afetos diante da enxurrada de meras companhias que o mundo apresenta. Sim, vivo dias em que o ser humano prefere as companhias aos vínculos. Deve ser mais fácil, não exige trabalho. É, não é apenas o controle remoto e seus botõezinhos que vieram “facilitar” a agilidade com que trocamos de canal. A vida contemporânea tem estimulado o ser humano ao mesmo comportamento entre si! Os homens trocam de canais uns com os outros na mesma agilidade – e isto sem terem construído qualquer vínculo! Quando muito, trata-se meramente de boa companhia. Casais se formam motivados pela companhia que um representa ao outro, mas, passada a surpresa inicial de se saber com quem “está”, resta o “delete”. “Sinto muito, querida, você não é tão dinâmica quanto pensava. Gosto é de mulheres que tenham papo agradável, sejam divertidas, curtam baladas, gostem do visu “super style”, trabalhem, dirijam e estejam sempre sorridentes no dia a dia”. “Não, mil perdões, mas não dá mais, querido. Quando a gente se conheceu pensava outra coisa a seu respeito. Na convivência fui ver que você não é tão positivo (?!), tão flexível e perfeito. Você fala muito de seus problemas, tá sempre cansado, muito diferente daquele cara que conheci no MSN e que me fez perder a cabeça...”. Meras companhias. Corpitchos, como canta Maria Rita no álbum “Samba Meu”. Não há mais tempo para vínculos.

“Seres humanos são como casas (...). A questão não é saber se tem ou não alicerce, mas se este é sólido ou não”

Agora é tempo de “delete” se o “enter” não for mais como “mostrava” no papo do MSN, na troca de scraps do orkut e do Myspace, nos diálogos em viva-voz pelo “Skype”. O carinha e a gatinha dos altos papos na mesinha do bar, da rave, da “pool party” e o caramba a quatro, de repente, como num passe de mágica, é o sapo no conto de “A Bela Adormecida”: ele ou ela roncam demais, não curte muito ficar em casa (ou não curte muito trabalho), só pensa naquilo (desde que aquilo não seja o que constitui investimento nos vínculos, mas qualquer coisa de agrado de um e mero esforço repetitivo para não desagradar por parte de outro), é todo(a) endividado(a) pela irresponsabilidade que lhe constitui o ser, curte putarias “oficiais” (chamando seu par para participar) e “extraoficiais” (quando o par não precisa ficar sabendo, em geral, quando viajam ou estão trabalhando), é um desastre nos seus vínculos parentais e familiares, um poço de preguiça, de individualidade latente ou de futilidade gritantes. Tudo isso, porém, com a maestria de não formar vínculos.

Seres humanos são como casas, aprendo neste dia do mestre com as lições do Mestre Jesus. A questão não é saber se tem ou não alicerce, mas se este é sólido ou não. Vai depender do que cada um está à procura. Pra uns, “corpitchos” e sorrisos. Pra outros, a mera companhia de alguém pra morar junto.

De resto, altos papos de barzinhos são apenas altos papos de barzinhos. Ótimo para aliviar o estresse do dia fatigante. Diferentemente, uma casa leva tempo pra edificar, gasta-se em investimento e preocupação com o material utilizado. O que não se pode esquecer é que o local sobre o qual será edificada (rocha ou areia?) é sobremodo importante. A dinâmica da vida moderna tem subestimado a prudência como valor no ser. Na leitura do Evangelho de São Lucas, Jesus convida à reflexão, comparando o prudente e o investidor do bem “a um homem que, edificando uma casa, cavou, abriu profunda vala e lançou o alicerce sobre a rocha; e, vindo a enchente, arrojou-se o rio contra aquela casa e não a pôde abalar, por ter sido bem construída”.

Esta é uma lição para quem não abre mão de vínculos, o que é muito diferente de investir em meras companhias. Na vida, não importa a dinâmica, todos somos alunos-aprendizes. Fica aqui minha homenagem ao Dia dos Mestres.



P.S.: Parabéns a todos os mestres que conheço, alguns dos quais como escolha profissional: Caio, Marcinho Retamero, Paulinho, Chico, Eulen, Mazinha, Madrezita, Ophelinha, Neidinha, Inho-inho, Iraydes, Leozito, Lea e Luiza, Katinha Moreno, Marcinha, além de muitos outros, tanto os de casa quanto os de qualquer casa!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Declaração dos Direitos das Crianças


1. Todas as crianças são iguais e têm os mesmos direitos, não importa a sua cor, raça, sexo, religião, origem social ou nacionalidade.

2. Toda criança deve ser protegida pela família, pela sociedade e pelo Estado, para que possa se desenvolver física e intelectualmente.

3. Toda criança tem direito a um nome e a uma nacionalidade.

4. Toda criança tem direito à alimentação e a atendimento médico antes e depois do seu nascimento. Esse direito também se aplica à mãe.

5. As crianças portadoras de dificuldades especiais, físicas ou mentais, têm direito à educação e a cuidados especiais.

6. Toda criança tem direito ao amor e à compreensão dos pais e da sociedade.

7. Toda criança tem direito à educação gratuita e ao lazer.

8. Toda criança tem direito de ser socorrida em primeiro lugar em caso de acidentes ou catástrofes.

9. Toda criança deve ser protegida contra o abandono e a exploração no trabalho.

10. Toda criança tem direito de crescer em ambiente de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.


Notas de rodapé:

É todo dia: ontem, infelizmente, não consegui tempo pra vir aqui e postar o texto para o dia das crianças. Mas, como se trata de uma declaração cujos princípios foram estabelecidos pela ONU (Organização das Nações Unidas) para o ano todo (por toda a vida), o “hoje” é certamente o melhor momento pra guardar o que é importante.

Favela do Arará:
a imagem com créditos para Ratão Diniz retrata uma das brincadeiras que fizeram parte de meu ritual lúdico na pré-adolescência, o peão. Saudades dos idos nos quais bola de gude, pique-esconde, pelada no Largo da Caixa d'água (e depois no campo de areia da extinta Fábrica Mavilles), pescar no varal dos pescadores, furtar amêndoas no telhado de dona Palmira (e correr quebrando as telhas quando ela nos flagrava!), furtar tamarindos dos pés do "seu Flor" e tomates deliciosos da plantação da família Bottas, fabricar carrinho de rolimã, jogar futebol de botão e fazer campeonato de vôlei de rua no bairro era o sentir-existir de um paraíso que ocorria aqui na Terra. O Arará dista mais ou menos meia hora de minha casa. É lógico que eu, andarilho pelas histórias das comunidades do Rio, tendo nascido numa, conheço muita gente boa por lá.

Morro dos Irmãos: é a imagem captada e compartilhada de um domingo tipicamente carioca pelas comunidades do Rio. A pelada carrega um "isso" de liberdade, uma semente embrionária para o que muitos desconhecem na democracia.

sábado, 11 de outubro de 2008

Cartólico, orgulhosamente!


Hoje, Angenor de Oliveira, nosso “Cartola”, completaria cem anos de vida.

Ao longo de seus 72 anos de vida, Cartola compôs, sozinho ou em parcerias, cerca de quinhentas canções. Seus principais parceiros: Elton Medeiros, Carlos Cachaça, Noel Rosa e Dalmo Castello. Até hoje essas músicas são regravadas por vários intérpretes, tamanha é a grandeza de seus versos e melodias. "O Sol Nascerá" (uma composição do início dos anos 60), por exemplo, já teve mais de seiscentas regravações até o momento. Entre algumas antológicas gravações das músicas de Cartola estão "Alvorada no Morro" (de Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho) na voz de Carlos Cachaça; "Garças Pardas" (parceria dos anos trinta de Cartola e Zé da Zilda), na voz de Clementina de Jesus; "Soldado do Amor" (de Cartola e Nuno Veloso) com Maria Creuza, e "Não Posso Viver Sem Ela" (de Cartola e Bide), com Paulinho da Viola.


Carioca do Catete, mudou-se com os pais para o Morro da Mangueira aos onze anos. Desde criança trabalhou como pintor de paredes, lavador de carros e pedreiro. Vaidoso, ganhou o apelido de Cartola quando passou a usar um chapéu coco para não sujar os cabelos de cimento.

Freqüentava as rodas de samba do morro da Mangueira e estudou somente até a quarta série do ensino fundamental, o que não o impediu de compor melodias inesquecíveis e poesias inspiradas.
Cartola foi um dos fundadores da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, em 1928, e responsável pela escolha das cores verde e rosa como símbolo da escola. Farelos não poderia deixar de homenagear aos cartólicos do Brasil com a lembrança do centenário do Mestre Cartola. [Leia +]


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Perfeitinha, mas nem tanto


Ontem, 05 de outubro de 2008, um aniversário pouco percebido em meio ao clima de eleições municipais por todo o país. Vinte anos de Constituição, a Lei Suprema de qualquer país. A nossa trouxe tantas inovações, ampliou leques de direitos anteriormente omissos, tornou-se a mais humana de todas as constituições, pondo – pelo menos em tese – todos com os mesmos direitos e deveres, garantindo liberdade de pensamento, de ir e vir, de crença e não-crença. O mais famoso de todos os artigos é, sem dúvida, o artigo 5º, o “artigo da cidadania” em que todos somos iguais em direitos e deveres. Não queria passar em branco uma data tão importante, sobretudo se considerarmos lutas históricas para que esses direitos fossem alcançados. Não pensem as novas gerações que tudo isso caiu de bandeja nos pratos limpos diante de nós. Liberdade e igualdade vieram à custa de muito clamor e não pouco sangue...

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