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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Versos cantados no aprendizado



Há algumas semanas atrás cheguei a comentar sobre uma palestra que daria enfatizando a percepção dos significados do Evangelho nas letras de Renato Russo. Não tenho como descrever os detalhes nas intenções do post de hoje. A coisa vai para além das palavras. É preciso sentir a vida nas nuances dos versos. Posso adiantar que todos trocamos experiências e fomos capazes de aguçar o sentido das coisas pela mudança radical no nosso pensar. Concluímos que o despertar diante do ocaso da vida se revela a partir de um novo pensar. Penso que Renato Russo viajou bem mais profundo que a nossa leitura de seus versos. Há uma certeza primordial que encharcam seus versos: a de nos sabermos aprendizes na Vida (que pra mim é diferente de ‘vida’ com vê minúsculo, o que seria mera existência biológica). Quem duvidará disso ao escutar Vento no Litoral?


Quem assistiu ao musical “Hair” sabe que é preciso “let the sunshine in”, pois é somente quando os raios do Sol entram é que os desdobramentos de um novo pensar produzem bons frutos de mudança. Não estou dizendo que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, embora, se você parar pra pensar, na verdade, não há outro caminho que desemboque em respeito, justiça e paz. Digo, no entanto, que é imperioso dar-se chance para um novo pensar, um pensar mais aberto, mais cristalino, sem vícios e resistências de qualquer natureza. Mas, é claro, que isso implicaria numa mudança, a nossa, a partir das raízes. Num contraponto com os ensinos do Cristo, debruçamo-nos sobre a constatação de que aquele caminho foi-continua-sendo tão mal compreendido. E tudo isso porque o transformaram no discurso de adesão à religião e aos seus partidos. “Os caras”, os que resistem ao laicismo do Estado, diminuíram a beleza do que é simples em manuais de conduta baseados em leis morais de podes-não-podes. É contra tudo isso que eu mesmo me insurgi há alguns anos atrás. Tornei-me um semeador no meu próprio caminhar. Plantei minhas verdades nos acordes da alma. Colhi seus frutos e ainda os colho na mesma alegria de homem-menino buscador. Um desses frutos é a certeza de que mudanças radicais, aquelas que são capazes de nos elevar em sinfonias impregnadas de nossos cheiros e que podem de fato mudar um caminhar, ocorrem dentro de nós, não nas pedras, nas tábuas ou pelas doutrinas...

A musicalidade na existência só faz sentido quando meus olhos estão afinados aos seus acordes mais verdadeiros, promovendo graciosamente o benefício da liberdade para semear e semear e semear o Bem que eu apenas carrego, mas não possuo. Ele é livre como o vento!

Em meio ao processo de semeadura – e aqui não sistematizo nem o processo em si, mas apenas o identifico como parte integrante de mim como o transpirar, o sorrir e o fabricar versos – vou sentindo de perto os ventos da alma humana. Às vezes, encontro mais que isso. Sinto a fragrância de uma ‘boa notícia’ [literalmente “Evangelho”, ευαγγέλιον no grego], a do amor que embala a vida com ninhos de presença. Falei de Renato Russo, mas também falei de Hebert Vianna, outro que me inspira pelas letras codificadas de bom norte para meu caminhar seguro.


Eu sou mais uma dessas pessoas que chegam e se fincam no Cais de Porto dos versos de "Lanterna dos afogados" como se fossem barquinhos. Aproveitando os versos de Daniel Lobo com quem ontem jantei palavras e me embuchei de versos os mais lindos, compartilho que também “trago no peito meu Porto Seguro, contorno a boca com lápis escuro e brinco, eu quero recolher as âncoras, puxar as cordas, eu quero é navegar por entre as estrelas e tocar o azul da lua e sonhar...”.

Não tenho medo de mim mesmo, ainda que nem me conheça em todas as estações. Estou ocupado no processo frutificador, de olho no sabor da polpa e no pipocar dos brotos no caule do ser que se renovam como esperança e certezas. Mas sou orgulhosamente humano, o que vale dizer, sou flor, sou fruto, mas também sou caule, sou quebradiço, sou incerto, sou barquinho no meio dos mares... dos mares-de-mim... dos mares... É por isso que não corro atrás de elogios; aliás, não tenho alma ameninada pra isso. Sou um homem inteiramente homem, pleno de defeitos e limites como diz "Ao coração", outra canção que me inspira e me seduz ao aprendizado:

“Nem sempre sei fazer o bem que eu desejo
e, às vezes, eu me vejo me enganando sempre mais
não que eu não queira acertar, mas nem sempre é possível

Humano eu sou assim: virtudes e limites
se agora me permites eu pretendo ser feliz
sem prender-me ao que não fiz,
mas olhando o que é possível”

Nesses últimos dias andei falando por e-mail sobre acordes, sinfonias e sobretudo sons. Gosto de me ouvir, mas fato é que deveria gostar mais. Talvez acordasse para todas as possibilidades que me são oferecidas. Distraído que sou, sobretudo em algumas áreas, nem sempre percebo o que diante de mim está. Os sons na vida são os acordes que, literalmente, dão sentido nas notas mais particulares que carrego. Estes sons, juntinhos, se transformam num conjunto de notas a-FIM-nadas e outras apenas iniciadas, inexperientes, em profundo estado de gerundismo latente. A minha sinfonia é assim, nem simples nem complicada. É alguma coisa muito parecida comigo.

Em meio a tudo isso, não tenho do que reclamar. E por que reclamaria? Bobagem pensar assim. Onze horas da noite e eu assistindo tevê. Zapeando por um e outro canal, ouço "Tocando em frente" nos versos de Almir Sater. De repente, os sons invadem o ar e se achegam pra dentro das minhas janelas. Há um silêncio no meu peito que se desmorona em sentimentos devocionais. A musicalidade que me habita faz orquestra nos córregos da emoção. A música tem pra mim essa capacidade de me apontar o Belo na vida na linguagem mais simples. Entro nas juntas mais profundas dos acordes e avisto minha história musicada. As notas seguem com essa percepção e valseiam entrelaçadas às minhas verdades mais íntimas...




Sussurrando a canção [na letra inserida na imagem acima], descubro-me na percepção dos versos tecendo meu sentir-viver-sonhar. Literalmente, ando devagar porque já tive pressa. Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei. E nada sei para além de mim mesmo, um ser humano inacabado. Hoje sorrio com ‘ene’ possibilidades diante das minhas janelas. Quero-as pra mim. Todas elas, cada uma a seu tempo. Eu as convido pro meu regaço, vem!


Notas de rodapé: Tava com saudades de vir aqui, abraçar as palavras e fazer amor com seus significados. Ando ultimamente precisando ouvir mais sons, abrir as janelas, fecundar terrenos férteis, essas coisas...

Pela ordem, as imagens são de minha autoria e seguem com referências a versos cantados: excetuando-se a primeira, a segunda imagem possui versos de Renato Russo em “Ventos no Litoral” e créditos de imagem para André Bernardo em “Oh Fascination”; a terceira imagem possui versos de Hebert Vianna em “Lanterna dos afogados” e a última imagem possui versos de Almir Sater em “Tocando em frente”.

No dia em que se celebra, além da Inconfidência Mineira, a grata lembrança de um movimento iluminista porém acovardado pelos seus cabeças, à exceção do alferes Joaquim José da Silva Xavier, faço dos versos extraídos do poeta Virgílio (“Libertas Quæ Sera Tamen”), até hoje expostos na bandeira mineira, meu canto de aprendizado para o dia a dia. E não apenas isso, mas também parabenizo os 50 anos de Brasília e, como não poderia deixar de ser, homenageio a cidade com beijos enviados aos três sobrinhos nascidos por lá, Tiaguinho, Felipinho e Rodriguinho!


sábado, 27 de março de 2010

Lembro-me como se fosse ontem...

Sua composição poética me fascinava na adolescência. Não que não me fascine mais, mas naquela época tudo tinha um outro sabor. O sentido tão forte envolto nas palavras, seus significados como leituras da nossa alma, o tom que ele emprestava a cada em-TOM-nação, tudo isso me compunha um misto de admiração e perplexidade. Era assim que me sentia ao ser absorvido pelas canções de Renato Russo. Hoje, exatamente hoje, no dia que o teatro e o circo festejam a data em suas comemorações, nosso poeta rock n’ roll completa 50 anos. Sim, diante dele o verbo faz sentido é no presente! Ele completa – e não completaria – cinquentinha porque antes de qualquer coisa não morreu, sequer foi enterrado ou cremado, como queiram os exigentes com suas canções!

Sua mensagem se entrelaça a história de uma geração ao estilo ‘coca-cola’, como ele dizia. Anos oitenta, muita coisa estava em [re]construção. “Diretas Já”, por exemplo, tinha ocorrido há menos de um ano quando nasceu o primeiro álbum da “Legião Urbana”. O cenário social era o de muitos questionamentos. A vontade era a de explodir uma revolução, mas não de armas, e sim de ideologias re-VITAL-izadas. “Que país é este?”, a gente cantava e se perguntava. “Tempo perdido” era mais um dos muitos questionamentos que nos fazíamos. E assim correram os versos de sua poesia pra dentro daqueles anos que me construiram a adolescência...

"Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto" foi outro exemplo de como me fez bem saber que havia luz naquilo que cantava. Aprendia como um bom pupilo os versos que me ensinavam, aconselhando: “Lembra e vê que o caminho é um só”. Sim, eu me debruçava sobre a letra devorando cada verso com a atenção devotada a uma prece. Chorei ao cantá-la muitas vezes. “Meninos e meninas” me fascinou de cara, pois me surpreendia saber que havia gente neste mundo cantando suavemente seus segredos mais íntimos sem se importar. Ca#&*lho! Sem se importar! Era o que queria pra mim: não me importar.

Mas eu ainda me importava com muita coisa, nem tinha maturidade suficiente pra bancar o preço de nada – ou quase nada. Verdade é que, não poucas vezes, eu me sentia um refém trancado pelo lado de dentro. Não havia em mim naqueles anos um desbravamento épico o suficiente pra realizar o gesto mais simples e mais extraordinário, que era me abrir para a vida. A minha própria, sem intervenções de qualquer natureza. No meu caso, como se não bastassem as corriqueiras no universo adolescente, o fardo da carga religiosa. Mas eu chorei muitas vezes com outras canções, como, aliás, ainda espero chorar ao som de muitas outras. Sou fiel à minha natureza deliciosamente humana. Fiel e feliz, diga-se.

“Hoje eu já sei que sou tudo que preciso ser, não preciso me desculpar e nem te convencer”, era o que diria hoje para aquele jovem iniciante, puro e sonhador que fui.

Na faculdade, em meio aos livros da biblioteca [naquele tempo a internet era artigo de luxo, o jeito era pesquisar nos livros!], arranhava um italiano insosso porém coberto de prazer para meu paladar musical. “Strani Amore” e “La Solitudine” iam e voltavam comigo, dentro do ônibus. Nariz grudado no vidro da janela, olhava absorto o ‘nada’. Em meio ao movimento do ônibus, cantava as canções de “Equilíbrio Distante”. Eu mergulhava no mais profundo dos meus sentimentos. Era delicioso [me] saber que ali naquelas canções eu encontrava mais sentido [pra não dizer Evangelho] sobre a vida do que nas mensagens que ouvia dos púlpitos.

Era um estudante cheio de sonhos quando ele partiu pra eternizar seus ricos versos em nós. Foi cremado no cemitério pertinho de minha casa. Eu não quis me despedir porque acreditava que um profeta jamais morreria. Ele era um dos meus profetas prediletos. Minha devocional neste início de sábado é a lição inspirada no capítulo 13 da primeira carta aos Coríntios, escrita em grego no 1º século, cantada em versos de Renato Russo nos muitos outros séculos à frente:

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos,
sem amor eu nada seria.
É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal.
Não sente inveja ou se envaidece.
O amor é o fogo que arde sem se ver.
É ferida que dói e não se sente.
É um contentamento descontente.
É dor que desatina sem doer.
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos,
sem amor eu nada seria.
É um não querer mais que bem querer.
É solitário andar por entre a gente.
É um não contentar-se de contente.
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade.
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem
todos dormem todos dormem.
Agora vejo em parte.
Mas então veremos face a face.
É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua do anjos,
sem amor eu nada seria
.

Parabéns, Renato, profeta renascido dos versos que me construíram homem, humano, cidadão, poeta, proseador, sonhador e alguém de fé na vida! “Olho pra trás, lembro-me como se fosse ontem. Não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo. Temos todo o tempo do mundo...”.

Não repare nas minhas lágrimas, mas é exatamente nisso que penso-rezo-oro-acredito! Axé, shalom, amém e amém!


Notas de rodapé:

[+] Marcinho Retamero, meu amigo de caminhada, como foi lindo e surpreendente ver [mais uma vez!] que temos a mesma sin-TOM-nia. Sem nos confessarmos nada, escrevemos sobre o mesmo profeta com muitas impressões semelhantes! Seu artigo me emocionou!

[+] Fiquei mais saudosista de ontem pra cá. Sei lá, recordar me dá este sentimento revisitante dos meus baús. Piorou um pouco depois de ter assistido às maravilhosas Nathália Thimberg e Rosamaria Murtinho em "Sopros de Vida", no teatro CCBB.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Sons de carnaval e...


Carnaval está passando? Sim, ainda. Tem muita água pra rolar (sem trocadilhos com a transpiração desse calor saariano). Essa época é multicolorida por várias razões. Gosto da tonalidade do verão, mas sobretudo a do carnaval. Há sinais de vida nas cores. A bem da verdade, os mais próximos de mim sabem que me refiro às cores que brotam de dentro pra fora.

Além das cores do verão agora temos os sons da musicalidade da alma humana. O sorrir é uma nota. O abraçar é outra. Mas nem só de verbos a oração é feita, por isso o tapinha camarada nas costas também é capaz de belos ritmos no sentir de dentro. O que dizer do beijo? Ah, o beijo faz si bemol nas notas mais pessoais. Olhar, dependendo de quem o dá (ou o recebe), também faz si bemol. Os arrepios na pele. Os suspiros do coração. A vontade de quero mais. Tudo é uma espécie de preanúncio da sinfonia existente na gente. A musicalidade nasce na espontaneidade dos sentimentos, na expressão do viver... Há sons e há cores. Quais são as nossas?

Que cada um discirna a si mesmo!...

Eu demorei muito a perceber os meus. Havia outros barulhos em mim. O pior de tudo é que não me dava conta. Tudo é um aprendizado, sempre repito (porque, de fato, creio que é assim).

Hoje, no entanto, quero aprender a me ouvir mais. Nada de barulhos. Convido os sons de minha alma a desvendar cada passo dado. Não apenas convido, mas também me inclino a me ouvir com cautela e verdade. Nada é desperdiçável, mas, convenhamos, há sons que nos elevam.

Os sons mais verdadeiros em mim são os que eu degusto na minha história. Gosto deles por formarem em mim notas simples e conectadas com meu compromisso pelo Bem (tanto o meu quanto o de quem estiver próximo). Tudo bem, isso é meu ponto de vista - o meu olhar - sobre as coisas.

Sei que há muita gente fabricando sons egoístas – selfish sounds, não se importando com mais nada, menos ainda com o Bem do próximo. Mas não posso me perder em meio a sons que não são meus – nem pra mim! -, pois a vida é uma sinfonia imperdível (e “irrepetível”). Se alguns chamarão isso de filosofia de vida ou simplesmente interpretação, não me importo. Há tempos deixei de silenciar meus sons para oferecer meus ouvidos apenas ao que irão pensar acerca disso ou daquilo. Essa ditadura de generosidade (?) não mais se imporá em mim com sonoridades de cartilha bem feita. A liberdade é um dom precioso à disposição de quem quer elevar sua própria musicalidade...



Notas de rodapé: Por hoje é o bastante. Nos sons pra fora da gente a cidade aqui inicia a noite com o segundo dia de folia tanto no palco das marchinhas e blocos de rua [sim, o Rio de Janeiro ainda tem seu público fiel e cativo, que se reúne na Avenida Rio Branco e na Cinelândia, no Centro] quanto na hollywoodiana Marquês de Sapucaí, explodindo em artes, carros abre-alas gigantescos, efervescência de luzes, pessoas anônimas e muitas, muitas famosas, das constelações do entertainment à política, de Elza Soares a Madonna, de Paris Hilton a presidenciável Dilma Roussef.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Apontamentos em pleno carnaval



Pleno domingo de carnaval. Cidade do Rio de Janeiro, berço do samba. Marchinhas nas avenidas. Blocos arrastando multidões. Ontem, eu mesmo acompanhei a histórica Banda de Ipanema no seu 46º aniversário. Foliões não faltaram. Vestidos de todos os trajes possíveis. As drag queens fizeram enorme sucesso. Os heróis das histórias em quadrinho também. A Farme de Amoedo, badalada rua de Ipanema, virou uma private rave party depois que a famosa Banda passou. Eram milhares de pessoas aglomeradas – pra não dizer comprimidas! – por toda a rua. Muita gente bonita e perfeitinha por metro quadrado. Como tudo por ali parecia uma vitrine de personas estereotipadas demais pra mim, saí daquela aparente perfeição estética para ver rostos comuns e sobretudo abraçar a brisa salgada do mar. Caminhei até a praia e me encantei ao encontrá-la superlotada quase perto das 23h. Descalço na areia, assisti a uma partida de beach volleyball. Depois, como me disse um amigo auto-intitulado filho de Iemanjá, fui lavar os pés nas águas da rainha do mar. Reis e rainhas à parte, pra mim, o carnaval converge para o maior espetáculo que é assistir a alegria no sorriso dos foliões. A alegria é contagiante e nos reimprime boas lembranças. Gosto disso tanto quanto gosto de me banhar nas ondas da esperança. Voltei pra casa num metrô que quase saiu do trilho tamanha a fanfarra dos passageiros cantando (e tocando) todas as marchinhas conhecidas. Na estação da Praça Onze, ao lado da Marquês de Sapucaí, o indivíduo que não estivesse fantasiado era a exceção. Eu, que já sinto-me exceção por natureza, mais excetuado me tornei. Ao menos, naquele contexto. Não havia fantasias em mim. Nunca houve senão as do coração. “Um dia, se Deus quiser, eu vou... eu terei... eu...”, essas coisas dos baús da psiquê humana. Sob a cortina de céu estrelado adormeci horas depois que cheguei em casa. Ao acordar, a luz coriscante deste verão saariano me pôs de pé num segundo. Ao longo de toda a semana, não se vê uma nuvem esquecida no firmamento. Céu de brigadeiro, dizem os mais antigos. Não é diferente nesta manhã de domingo. São as cores do cenário deste carnaval. Céu azul. Rostos bronzeados de alegria. Clima de paz. Tudo parece democraticamente colorido, sem puxar a tonalidade para nenhuma tribo. Como tem que ser quando se abrem as alas para todos passarem! Bom carnaval a todos!



Notas de rodapé: Créditos para as imagens captadas na máquina do Rodrigo Soldon. [*][*][*]Assim que der, durante o carnaval responderei aos e-mails dos queridos.


sábado, 10 de janeiro de 2009

Algumas palavras neste reinício




Primeiro pergaminho:

Os dias são os minutos pra mim. Mal virei a página, cessaram os fatos de 2008. Eis um novo ano numa nova página: 2009. Mais estranho ainda será acostumar-me com a extinção dos pingüins até o próximo ano. O que restará não me perguntem, gostava tanto do trema... Nem mesmo eu sei de todas as coisas no depois de agora. Saberia alguma? Sim, a mais inexata: que a vida continuará. Já me dou por satisfeito...


Segundo pergaminho:

Estou de férias neste verão. Sei que novas regras gramaticais já estão valendo. Fato é que o tempo está a meu serviço quando o assunto é cuidar de alguns acentos cá de dentro. Até o final do mês retornarei com sumos atualizados das palavras-frutas arrancadas do pé (maduras, espero). É porque sempre acho que uma árvore se enraíza como uma expressão cotidiana e inesperada. O meu retorno será assim. Marcado por raízes e pela gratidão no instante cotidiano.


Terceiro pergaminho:

Quero aproveitar e dizer que as mensagens enviadas no final de ano, todas elas, ajudaram uma enorme cadeia alimentar no meu ego. A do meu gosto e revide. Breve pincelarei gratidão em cores cintilantes como os lírios do campo das metáforas neotestamentárias. Até lá, no entanto, um suspiro e um sorriso no canto molhado da boca pra instigar o desejo na volta. Eis o meu revide!

Daqui do pôr-do-sol só trago as saudades. Se é pra plantá-las, que seja num bom coração de quem me ame. Por enquanto, a paisagem deste início de muita coisa falará por si. Até!

Um abraço com céu de anil pra fazer bonito quando as estrelas surgirem!




P.S.: Quando retornar será nas reticências que pegarei carona! Por enquanto, uma saudadezinha tipicamente carioca na voz de Maysa. “Eu sei que vou te amar”. Coisas de verão. Aguardem. Veremos!


Maysa - Eu sei que vou te amar



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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Bilhetes na geladeira





Pra inspirar as novas reflexões de 2009...
Pra digerir verdades como o que deve ter sentido.
Um ponto. Um til. Um quê. Tudo tem o devido sentido.
O que não se sabe também. Só não se sabe, mas tem. A vida teima e prossegue.


E...


O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma
flor


O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor




_______ Nando Reis, in “Relicário”


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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Pardais, profetas e bons olhos


Enquanto os principais da religião dividem, separando os despojos do que imaginam lhes pertencer, sonho orações de paz, salgando meus próprios universos com sentido. Pago um real pelo algodão doce azul e o devoro como quem agradece a Deus pelo preço de ser como os pardais.

Desde as primeiras redações lá na fase do primário, na escola, dizia pra mim mesmo que os pardais são a melhor expressão de liberdade. Pardais morrem quando engaiolados. Simplesmente não sabem sobreviver pra fora da liberdade. Os anos passaram como folhas. Cresci, mas continuo pensando a mesma coisa.

Diante do Santuário da Existência, celebro a Vida, relembrando as lições do profeta da Selva, Chico Mendes, que tanto amou o meio-ambiente que se doou por inteiro. Ontem, vinte anos se passaram desde que o profeta se foi pra voltar e permanecer. Ontem, apenas um sindicalista em favor dos nativos, da mata e dos seringais. Um “perturbador da ordem”, diziam os algozes. Hoje, lição no livro da escola, tema de redação para a Universidade, reserva do Governo Federal, nome do maior projeto articulado de reflorestamento, entre tantos outros frutos que se dão mundo afora.

É como numa das lições de Jesus: “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto” [Jo 12,24].

Olho pelo vidro da janela, não vejo o caos. Há cores, muitas e variadas. Apresso-me a abrir a janela, sinto as oportunidades. Há muitos pardais contando histórias para quem está atento. Há muitos profetas em atividade.

Pra quem ergue o dedo com o peso dos anéis de sinete, não vendo nada de bom exceto os inimigos a destruir, eis uma oração cantada por um desses muitos pardais que insistem na beleza: Nando Reis. Se, ainda assim, após a leitura, o coração continuar a perder o romance na vida, resta a lição narrada por São Lucas: “Repara, pois, que a luz que há em ti não sejam trevas” [Lc 11,35].



Nando Reis - espatódea






Que tenhamos bons olhos na vida porque a vida é breve, mesmo na eternidade!

Feliz Natal a todos!

Que haja sempre lugar
pra mais um!




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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

No dia nacional do samba


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Porque meus tons se unem às notas, choram na cuíca e suspiram com o dia que passou. Hoje, aprendiz-de-mim, peço passagem aos bambas da cidade. O meu samba é a evidência de meus próprios pés descalços. Sujos no pó desta terra, porém, meus. Como demorei pra me despir!...


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Maria Rita - Samba Meu

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Promoção musical na Apoteose


Sob o slogan de “o primeiro show do planeta onde o ingresso é lixo” o evento Doe seu lixo por música levará diversos nomes da música brasileira para um show inédito no Sambódromo, dia 21/11, às 20h, aqui no Rio de Janeiro.

Com a promessa de ser o primeiro show pago com lixo reciclável do planeta, entrando para o ranking Brasil e quem sabe para o Guiness Book, o objetivo é incentivar a conscientização das pessoas para a questão sócio-ambiental do lixo. A coleta seletiva pode e deve ser um hábito natural dos cariocas.

Atrações confirmadas: Bangalafumenga, Serjão Loroza, Fernanda Abreu, Toni Garrido, Charlie Brown Jr, Dudu Nobre, Arlindo Cruz, Dona Ivone Lara, Samba na Moral, DJ Marlboro, Mc Marcinho, Mc Sapão, Timbalada, Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Moraes Moreira e Bochecha.

Como fazer para conseguir o ingresso: inicialmente, é preciso se cadastrar no site do evento - apenas os cadastrados participarão da promoção; a seguir, imprimir o comprovante de cadastro e no dia do evento levá-lo com duas sacolas de supermercado com papéis, latinhas ou plásticos. A escolha é sua.


sábado, 11 de outubro de 2008

Cartólico, orgulhosamente!


Hoje, Angenor de Oliveira, nosso “Cartola”, completaria cem anos de vida.

Ao longo de seus 72 anos de vida, Cartola compôs, sozinho ou em parcerias, cerca de quinhentas canções. Seus principais parceiros: Elton Medeiros, Carlos Cachaça, Noel Rosa e Dalmo Castello. Até hoje essas músicas são regravadas por vários intérpretes, tamanha é a grandeza de seus versos e melodias. "O Sol Nascerá" (uma composição do início dos anos 60), por exemplo, já teve mais de seiscentas regravações até o momento. Entre algumas antológicas gravações das músicas de Cartola estão "Alvorada no Morro" (de Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho) na voz de Carlos Cachaça; "Garças Pardas" (parceria dos anos trinta de Cartola e Zé da Zilda), na voz de Clementina de Jesus; "Soldado do Amor" (de Cartola e Nuno Veloso) com Maria Creuza, e "Não Posso Viver Sem Ela" (de Cartola e Bide), com Paulinho da Viola.


Carioca do Catete, mudou-se com os pais para o Morro da Mangueira aos onze anos. Desde criança trabalhou como pintor de paredes, lavador de carros e pedreiro. Vaidoso, ganhou o apelido de Cartola quando passou a usar um chapéu coco para não sujar os cabelos de cimento.

Freqüentava as rodas de samba do morro da Mangueira e estudou somente até a quarta série do ensino fundamental, o que não o impediu de compor melodias inesquecíveis e poesias inspiradas.
Cartola foi um dos fundadores da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, em 1928, e responsável pela escolha das cores verde e rosa como símbolo da escola. Farelos não poderia deixar de homenagear aos cartólicos do Brasil com a lembrança do centenário do Mestre Cartola. [Leia +]


terça-feira, 7 de outubro de 2008

Aos muitos filhos


A pop star Madonna, acusada pelo Vaticano de ter um dos shows mais satânicos da História, surpreendeu os fãs ao dedicar seu hit "Like a Virgin" ao papa, durante um show em Roma.

"Eu dedico essa música ao papa porque eu sou uma filha de Deus. Todos vocês também são filhos de Deus", disse a "rainha do pop" de 50 anos de idade aos 60 mil fãs que assistiam ao show da turnê "Sticky & Sweet" no mês passado, na Itália.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Talento nato: ouvi e gostei


Foi neste final de semana que, lendo alguns artigos da imprensa norte-americana, descobri a existência de um adolescente das bandas de lá que me encantou com sua voz, carisma e humildade. Assisti a algumas entrevistas em programas de TV norte-americanos, fiquei mais encantado ainda com o talento deste jovem. Não é à toa que foi garimpado num programa – que, por sinal, a TV brasileira já tratou de enlatar – intitulado American Idol. Por aqui, chama-se Ídolos e é exibido às terças e quartas-feiras pela Record.

Como os vídeos que disponho são, na verdade, entrevistas sem tradução para o português, não seria democrático postar nenhuma delas aqui. Saí à cata de um clip sem imagens em power point (não sou muito fã desse artifício em clips), mas não tive muito sucesso. No primeiro, sua audição na segunda fase do programa. No segundo, a canção que é febre nas rádios de lá. “Crush”. Quero apenas aqui ter a chance de mostrar um pouquinho da voz deste moleque de 16 anos de idade, David Archuleta. Pela voz e pelo carisma que tem, a gente ainda ouvirá falar mais dele.





quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Romeu e Julieta na música

Não só de queijo e goiabada se forma um legítimo Romeu e Julieta na gastronomia brasileira. Prato simples, alguns dizem ser tipicamente mineiro. Não há diferença se for ou não, pois a comidinha mineira é tudo o que se pode imaginar de bom. Romeu e Julieta é qualquer coisa que, juntas, acaba nos satisfazendo o paladar. No meu caso, por ora, o paladar musical.




E foi pensando nos recados que recebi, elogiando o vídeo da diva da música portuguesa, Dulce Pontes, que resolvi bem casá-la ao som de outra diva, mas esta conhecida dos amantes de MPB, Maria Bethânia. Dose dupla como um Romeu e Julieta (ou seriam duas Julietas?). Melhor parar por aqui (risos).




sábado, 30 de agosto de 2008

‘Somos Um’ e raios de luz


Se vocês soubessem como o tempo mudou de ontem para hoje – coisas do clima carioca –, talvez, não poucos se surpreenderiam com a radicalidade da mudança no tempo por aqui. Um sol gostoso no prato principal de sexta-feira converteu-se num dia tipicamente londrino para o nosso apetite de hoje. Cinza escuro e frio. Eis os ingredientes. Será que choverá granizo daqui a pouco? Que nada! Mera coloração plúmbea desde a manhã. A esta altura, já abraçamos a noite. O frio foi chegando timidamente. Chegou e aquietou-se. Frio e chuva neste momento fazem amor pelo ar afora. Há quem se arrepie. Não me incomodo.

Trancafiado no quarto, esboço palavras para aquecer o abraço da noite. De repente, lembranças. Bastou-me a inspiração de dois raiozinhos-amigos. Madrezita e Neidinha. Ambas me iluminam de formas multi-variadas. Ambas me enriquecem páginas e páginas com suas cores. Pus nos ouvidos o fone para ouvir “Somos Um” [vide a imagem da capa acima], projeto de Jorge Camargo. Presente de mi Madrezita. Há quanto tempo não ouvia algo novo de pura qualidade! Canções densamente poéticas, suaves e profundas na simplicidade dos versos. “Fale de amor, se for preciso use palavras” é uma das mais belas do álbum.


Fale de amor o espelho d´agua de seus olhos
Abra os portais do seu abraço
Se for preciso use palavras.
Fale de amor trocando os sons pelo silêncio
Tornando voz em gesto e ato
Se for preciso use palavras


Conforme me disseram é para ler e ouvir. Refletir e crescer. Recomendo a quem desejar. Fiquei feliz com o presentão. Aliás, sou grato a esses dois seres que clareiam as fortes cores do imenso céu azul da existência. Fazem-no sem se darem conta. Isso é o bastante. Graça na ponta do pincel, acho que deve ser isso. Acho, não. Estou certo. É Graça na ponta do pincel. Eu só tenho a dizer “gracias”. Até que a noite ficou mais encantadora. Elas nem se dão conta como seus raios me atingem em pleno Rio de Janeiro...

domingo, 18 de maio de 2008

III Rio Harp Festival: eu fui

Acabei de chegar. Melhor dizendo, cheguei, atendi a um telefonema, belisquei uns quitutes, provei-os e vim ao PC. Inspirado. Música clássica sempre inspira. Sério. Fechei os olhos no teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil assim que o concerto iniciou. Solista italiana, Gilda Delttori. Platéia lotada. Algumas personalidades do mundo das artes presentes. Viajei pra dentro de mim, aproveitando a carona das notas musicais. Sons das cordas da harpa. Viagens assim, por vezes, a gente se emociona. Faz parte. Depois troquei algumas figurinhas com uma amiga que me acompanhava. Conversamos mais um pouco enquanto visitávamos o salão de chá. Saímos satisfeitos com o programa. Segunda-feira passada (12/05), estive num concerto com violinos e harpa. Esplêndido. Semana que vem me convidarei à Sala Cecília Meirelles para ouvir a OSB (Orquestra Sinfônica Brasileira). Vivo um instante de apaixonamento pela música erudita. É a companhia que decidiu me acalentar os sonhos do futuro neste presente. Não sou de recusar boa companhia, imagine uma dessas...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Choros e chorinhos para quem é feliz

Choro é tipicamente carioca porque nasceu carioca. Homenagem à Pixinguinha, nascido há 111 anos. O estilo musical é um dos meus prediletos. Viajo no som saltitante e lírico das notas de “Carinhoso”, “Rosa”, “Lamentos”, "Delicado", etc. Em dias com tantas demonstrações de desafeto e horror – vide o caso da menina Isabella, em São Paulo –, lembrar-me de choros e chorinhos é realmente pra quem insiste na felicidade.

Abaixo, como revelação da noite carioca da Lapa, o grupo Tira Poeira:



quarta-feira, 9 de abril de 2008

Ensino de música obrigatório? Com a palavra, os músicos


Numa audiência pública realizada ontem na Comissão de Educação, Cultura e Esporte no Senado Federal, vários cantores e músicos estiveram presentes para reforçar o apoio ao Projeto de Lei 330/06 da senadora maranhense Roseana Sarney (PMDB-MA), que trata da obrigatoriedade do ensino de música no ensino fundamental. Logo a seguir, estiveram presentes numa reunião com o ministro da Educação, Fernando Hadad. A pauta era a mesma: o ensino obrigatório de música como uma espécie de despertamento e apreço pela cultura, bem como meio facilitador no desenvolvimento da identidade dos alunos por meio da música no ensino fundamental. Ao que parece, apoios não faltaram. Basta esperar pelo relatório final e – o mais importante – quando será analisado e aprovado na pauta da Câmara (a Comissão do Senado já aprovou).

- “Quando mais música e arte, maior o empenho das crianças em estudar. O benefício social é enorme, pois ocupa um tempo ocioso que é um convite para as drogas e a marginalidade” - disse Gabriel "O pensador".

Os artistas estavam acompanhados do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que é presidente da Comissão de Educação do Senado, que aprovou o projeto em caráter terminativo no ano passado.

O encontro foi bastante descontraído. Daniela Mercury, Frejat, Gabriel e Francis Hime cantaram trechos de músicas com o objetivo de sensibilizar o ministro da Educação. Haddad não resistiu e acabou cantando também, ao final, a música "Vai passar", de Chico Buarque.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

'50-tinha' pra Bossa Nova


Como diria Tom Jobim, “bossa nova é folia controlada”. E será neste clima que os bossanovistas iremos comemorar o aniversário da cidade do Rio de Janeiro e os 50 anos de bossa nova neste sábado, 1º de março. Curioso notar que o início da bossa, por assim dizer, se deu a partir de uma canção "Chega de Saudades". Letra de Tom e Vinicius, é considerado o marco inicial da Bossa Nova, e completa os seus cinqüentinhas de composição. Pra comemorar em grande estilo, show na Praia de Ipanema, berço de muita coisa, não apenas da “girl from Ipanema”. Ipanema é algo mágico, uma sunset boulevard dos trópicos com os melhores pores-de-sol que já vi. Local de encontros e inspirações de Vinícius, Tom, Roberto, Wanda, Oscar Castro, João Donato, Leny Andrade, Joyce, tantos e tantos outros. Faço planos de ir conferir, cantar baixinho, ouvir violão em tom suave e etcétera. Às 19h. Vamos? [Saiba +]

Imagem: "Expositor", por Ian Rangel.

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