Maio atravessa o calendário sem nos fazer alarde. Corre maroto. Sapeca que só, quase alcança o meio do mês. Sorri, dá uns passos pra trás. Sabe que é apenas o quinto dos meses no ano. Brinca, volta pra frente. Pula de dez para onze dias corridos assim que ultrapassa a meia-noite. Hoje são onze, mas ainda há caminho de mais três semanas pela frente.
Num certo sentido bem familiar, maio é um mês com diversas lembranças esculpidas pelas datas natalícias. Ao menos, para minha família. Um dos sobrinhos, festejou aniversário dia quatro. Irmão, dia cinco. Mãe, dia oito. Tia, festejará oitenta no dia doze. Maio é bem peculiar mesmo.
É o mês das noivas para um monte de gente. Mês de todas as mães, as do ventre e as feitas pelos laços profundos do coração. Mês da família, alguns insistem. E quanto aos outros meses? Bom, deixemos pra lá. Maio é o mês dos trabalhadores. É o mês de heróis e heroínas. De Joana D’Arc, capturada pelos franceses e entregue aos ingleses durante a Guerra dos Cem Anos à Ayrton Senna, morto durante o Grande Prêmio de San Marino. O mês tem também cores fortes em nossa História, como a negra. Foi aos treze do mês que, ao menos oficialmente, abolimos a escravatura neste país. Abolimos mesmo? Bom, deixemos por ora. Maio também foi palco de um célebre julgamento, o de Oscar Wilde no início do século passado, condenado aos vinte e sete deste mês à pena de dois anos de prisão pelo crime de “sodomia”. Apesar da enorme crítica da classe literária à época, o famoso escritor inglês teve que cumprir a pena, imposta apenas porque fruto das convenções vitorianas da época.
Maio também é o mês da luta mundial contra a homofobia, especificamente no dia dezessete. A data foi escolhida lembrando da tiragem da homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) da Organização Mundial de Saúde, fato ocorrido em 1990. Se inspirado na data ou não, este é o mês dos lançamentos dos livros escritos por dois queridos amigos: “
Proibido Amor” e “
No caminho do arco-íris”, de Davy Alberto Rodrigues e Léa Carvalho, respectivamente.
Recentemente criado, maio também celebra aos vinte e cinco o dia nacional da adoção. E penso que muitos outros fatos já aconteceram e ainda acontecerão neste mês. Eu mesmo me sinto retornando, de certa forma, às atividades blogueiras. Fiquei duas semanas mergulhado na defesa de um julgamento, coisa de uma outra missão, diria profética, que desempenho profissionalmente.
Enfim, maio está apenas no início. Eu ando ultimamente me sentindo assim, no início. [Re]começando. A obra “Os Lusíadas”, de Camões, utiliza o
“ab initio” para transformá-la
“in media res”, ou seja, a técnica para começar pelo meio, e não necessariamente pelo início. Talvez tenha começado pelo meio. Talvez por isso me sinta agora no início. Há tanta coisa
nova pra mim, mesmo depois dos trintinha! (risos). Bem, são meus talvezes que dialogam comigo. De talvez em talvez, certo mesmo é meu desejo de querer um final feliz ou, quem sabe, um
feliz-acontecendo-sempre. Pra mim e para os mais caros. Neste e nos outros meses também.
Longe de mim ser demagogo, mas eu tenho procurado me
esmerar!...