Quando falo em silêncio muitos entendem tratar-se de silêncio adequado ao outro, e não a nós mesmos. Pensar assim nos remete à razão (e à realidade, por analogia) de que o outro é sempre meu igual-desigual, ou seja, ele é meu semelhante diferente de mim. Gosto de pensar assim. O que entendo por medo, certamente, não o será para quem tenha uma fobia instaurada nos porões da psique. O que entendo por felicidade, seguindo-se a mesma adequação dos sentidos que as palavras denotam, nem sempre será o que o outro entenderá pra si. É uma questão de estrutura, de solo, de chão, de raiz – minha e dos outros. Não estou falando com as palavras acerca do óbvio relativo. Se tudo é relativo, não sei, o óbvio não me fascina. Gosto do estranho e desigual, do inerte e anacrônico. Falo do que é dinâmico, como as falas e todas as suas terminações verbais e nominais.
Quanta conjugação um corpo produz? Muitas em muitos aspectos. O gesto, o toque, o movimento, o balanço, o descanso, o ir e o vir. Conjugações metódicas. Falas retóricas. E o que dizer das conjugações sublimes, das falas tangíveis: viver, ser e amar? Certo que não serão percebidas com a mesma sonoridade no desatento e no ausente, no egoísta e no descrente. Assim como há muitos olhos, há muitos ouvidos espalhados pelo corpo. Clarice Lispector dizia: “porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil”. E não precisa ser poeta pra dizer que ela não está de todo equivocada. Fernando Pessoa, pelo prisma de suas cores, assegurava que “viver não é necessário. Necessário é criar”.
Eu não dispenso o sublime, nem me perco na incerteza dos transitivos mais indiretos. Amo amar o que me é próprio, viver nem que seja no esboço de um sonho e ser conforme o maior tamanho em mim. Tudo é muito peculiar ao espectro das cores de cada um. Uma orquestra! – eis o que os sentidos formam nos sons do corpo. A cada som uma cor na vida. E quanto mais luz houver mais intensas as cores perante o olhar e mais afinados os sons das falas. Tanto de quem se vê quanto a partir de quem olha (ou escuta).
O silêncio não poderia ser um elo desconectado dos diversos sentires. Há silêncio em toda parte. Percebê-lo já é outra história – a mesma das cores. Depende de “como” se vê. Depende de como se sente a vida. Depende do tal “qual é, neguinho, qual é?” que ouvi na repetição dinâmica do Marcelo D2.
E por que falei tudo isso? Nem curto Marcelo D2. Meu negócio é o silêncio sem repetições. Mas vejo que há razão na argumentação, seja ela em prosa ou verso. A argumentação do corpo do outro. A nossa também.
Tenho procurado alguns silêncios, mas eles não têm o poder de me impedir a nada que queira. Ontem, por exemplo, mostrei a duas amigas o que é o silêncio gargalhento. Fomos assistir “A mulher de meu amigo”. Ríamos tanto que nada nos impedia de manter comunicação. No meu silêncio, como falo! E como canto, e como grito, e como silencio!
Quanta conjugação um corpo produz? Muitas em muitos aspectos. O gesto, o toque, o movimento, o balanço, o descanso, o ir e o vir. Conjugações metódicas. Falas retóricas. E o que dizer das conjugações sublimes, das falas tangíveis: viver, ser e amar? Certo que não serão percebidas com a mesma sonoridade no desatento e no ausente, no egoísta e no descrente. Assim como há muitos olhos, há muitos ouvidos espalhados pelo corpo. Clarice Lispector dizia: “porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil”. E não precisa ser poeta pra dizer que ela não está de todo equivocada. Fernando Pessoa, pelo prisma de suas cores, assegurava que “viver não é necessário. Necessário é criar”.
Eu não dispenso o sublime, nem me perco na incerteza dos transitivos mais indiretos. Amo amar o que me é próprio, viver nem que seja no esboço de um sonho e ser conforme o maior tamanho em mim. Tudo é muito peculiar ao espectro das cores de cada um. Uma orquestra! – eis o que os sentidos formam nos sons do corpo. A cada som uma cor na vida. E quanto mais luz houver mais intensas as cores perante o olhar e mais afinados os sons das falas. Tanto de quem se vê quanto a partir de quem olha (ou escuta).
O silêncio não poderia ser um elo desconectado dos diversos sentires. Há silêncio em toda parte. Percebê-lo já é outra história – a mesma das cores. Depende de “como” se vê. Depende de como se sente a vida. Depende do tal “qual é, neguinho, qual é?” que ouvi na repetição dinâmica do Marcelo D2.
E por que falei tudo isso? Nem curto Marcelo D2. Meu negócio é o silêncio sem repetições. Mas vejo que há razão na argumentação, seja ela em prosa ou verso. A argumentação do corpo do outro. A nossa também.
Tenho procurado alguns silêncios, mas eles não têm o poder de me impedir a nada que queira. Ontem, por exemplo, mostrei a duas amigas o que é o silêncio gargalhento. Fomos assistir “A mulher de meu amigo”. Ríamos tanto que nada nos impedia de manter comunicação. No meu silêncio, como falo! E como canto, e como grito, e como silencio!
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"Amo amar o que me é próprio, viver nem que seja no esboço de um sonho e ser conforme o maior tamanho em mim. Tudo é muito peculiar ao espectro das cores de cada um. Uma orquestra!"
Imagina se conseguiria viver no silêncio sem falar! Não usar a voz até que conseguiria (com certo esforço, concordo), mas não falar? Qual é, neguinho!? Que desperdício! E quem acha que consegue, explique-me como se faz para não tocar e não sentir, pra não dizer as falas mais agudas da orquestra, como amar e ser.



