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terça-feira, 6 de abril de 2010

Rabiscos de mim


Eu não sou pra fazer média. Eu não sou pra tecer juízos. Eu não sou pra estabelecer parâmetros. Eu não sou de muitas pretensões. Tenho tão pouco, mas o que tenho e sou é somente meu. Não houve furto, cópia ou imitação...

Eu não sou imediatista. Eu não sou exclamativo. Eu não sou de poucas horas. Eu não sou pra ocupar meros instantes. Eu não sou de rompantes. Eu não sou de casuísmos. Eu não sou de não-me-toques. Eu não sou das meia-verdades. Só a minha que me veste sob medida!

Eu não sou das noitadas sem sentido. Eu não sou superlativo ou absoluto. Eu não sou das histórias ditas mirabolantes. Eu não sou dos caminhos que os outros seguem, vão-com-os-outros. O que não sou, não sou. É fácil. Não há mistério. É só vir e ver.

Eu não sou o que esperam. Eu não sou amante dos extremos. Eu não sou solitário. Eu não sou pra casar. Eu também não sou pra ficar. Como se vê, não sou clichê! Considero tudo isso metódico e formatado, um reducionismo pobre que não me serve. Eu sou o que sou pra mim e para os campos...

Quer saber? Eu não sou pra-qualquer-coisa, só sei amar. E porque amo, não maltrato. Não faço da vida ou dos humanos meus rascunhos descartáveis. Gosto de papéis, rabiscos e rascunhos. Mas sei distingui-los das pessoas e de suas importâncias...

Eu não sou simplista, mas apenas simples. E tenho história. Começo, meio e um dia o recomeço. Não o fim, porque sei amar. O amor jamais acaba. Nem ele, nem seus promovedores...

Eu sou apenas assim. E nessa constatação prossigo. Procuro um campo fértil. Não qualquer um! Que seja de idéias e sentimentos profundos. Minha vocação é [ser]mear...

* * *

A nota de rodapé é para o caos provocado pela chuva...



Chove sem parar neste Rio de Janeiro. Chove todo tipo de chuva. É água, e não pouca. É sangue. É choro. É homem. É mulher. É criança e velho também. A chuva cai e molha o caos pela cidade. Vidas se foram água abaixo, que desolação!

De tanto que chove, é enchente engolindo as ruas, é desmoronamento amassando as histórias, é grito que a terra encobriu, é de luto que muitas casas se vestem... É tanta coisa, mas não preciso ligar a TV pra ver. Por aqui também chove sem parar. Eu falo do lado de fora da tela. Falo e me molho com a solidariedade comovente...

Não farei perguntas retóricas. Não questionarei as autoridades civis. Estupefação pelos que constroem casas nas encostas? Indignação por conta da população que teima em lançar garrafas pet, papéis e sacos plásticos os mais variados nos rios e nos bueiros? Estranheza pela inabilidade – ou omissão! – das políticas públicas de prevenção? Numa mata em chamas, ou antes, submersa nas águas de abril, salvemos os pássaros e todos os animais. Sejam os racionais, os irracionais e também os incompetentes. Depois, quando a chuva parar, aos sermões – para aqueles que o queiram – e às reivindicações necessárias.

São 22 horas. Ainda estou encharcado, triste e comovido.


terça-feira, 2 de março de 2010

O Rio de Janeiro continua...



[] Ontem o Rio de Janeiro completou 445 anos de fundação com maravilhoso motivo para [eu] comemorar: a boa sensação térmica com a queda nas [altas] temperaturas.

[] ...pra quem andou postando sobre o excessivo calor nada mais justo que informar sobre o decréscimo nas temperaturas. Sinto-me honradamente quite comigo mesmo!

[] Minha única preocupação é com o excesso de chuva de ontem para hoje. Não digo por mim mesmo, mas pensando no perigo das [muitas] encostas que abraçam cantos, morros e altos de vielas nesta cidade. Deus nos livre de [mais] catástrofes! Já nos chega a ignorância, o [grande] mal que assola o mundo e desmorona o progresso do ser e o do próprio desenvolvimento...

[] As imagens a seguir são uma justa homenagem aos excluídos desta cidade cartão postal, captadas por excelentes profissionais da fotografia e premiadas em diversas organizações. Eis por que o Rio de Janeiro continua lindo: há vida em movimento! No calçadão de Copacabana, nas quadras do Mercadão de Madureira, ao redor do Campo de São Cristovão, nas calçadas do Leblon, nas penhas do Arpoador, nas vielas da Mangueira, nas passarelas da Avenida Brasil, nos arbustos da Gávea, nas várzeas de Marechal Hermes, no paisagismo do Flamengo, enfim, em cada canto onde se cante o amor!

Favela de Manguinhos - Ratão Diniz

Favela da Rocinha - Ling Ling Ang


Morro do Alemão - Ratão Diniz

Lajes na Favela da Maré - AF Rodrigues

Favela Nova Holanda - Ratão Diniz


[] Parabéns, pela ordem: ontem, ao Rio de Janeiro que continua lindo; ao Johnny, meu amigo e vizinho farmacêutico super gente boa; hoje, à Deborah, que acompanhei desde a gestação; amanhã, ao Mauricio, meu amigo e irmão primogênito!



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Apontamentos em pleno carnaval II


Terça-feira de carnaval selou o início do fim dos festejos (não da alegria!) dos foliões. Num dia pra lá de quente, com temperatura em 41,8ºC, mais de cem blocos de rua saculejaram todos os cantos desta cidade. Entre sorrisos estampados e marchinhas na ponta da língua, multidões deram às caras, superando as estatísticas de público nos anos anteriores. Na Avenida Atlântica, altura de Ipanema, não se via o asfalto tamanha a concentração de gente. Aqui, diferentemente das outras cidades, a maior parte dos foliões fica trajado em sungas e biquínis. Afinal, não nos esqueçamos: somos uma cidade praiana e saariana! Combinação perfeita para a menor quantidade de roupa possível...

Lamentavelmente, em que pese a necessária alegria que constrói sorrisos durante o carnaval [fazendo dele o que é!], sempre surgem uns e outros tentando ganhar vantagem – infelizmente, pela violência brutal – sobre a boa vontade dos foliões. Alertado por um amigo, testemunhei o episódio de um rapaz que tinha acabado de ser atacado por ladrões durante o trajeto da Banda de Ipanema, levando-lhe o celular. Nada de anormal num relato tipicamente urbano se não fosse o fato de ter sido atingido na jugular, importante veia que faz drenagem ao cérebro. Como em todas as vezes que testemunho situações de risco contra a vida – já foram umas quatro ocasiões – instintivamente corri na direção do ferido para socorrê-lo. Não adiantaram os gritos preocupados de alguns amigos, que pediam em vão para não me aproximar daquele cenário. Tentei acalmar as pessoas que, nervosas, gritavam pedindo socorro a esmo. Enquanto isso, o rapaz esvaía em sangue diante de mim dizendo a quem o ouvia: “- Me ajudem!”. Em questão de segundos, a viatura da polícia militar se aproximou e levou o ferido banhado em sangue para o pronto-socorro. Preocupado, fiquei o final de semana sem saber notícias daquele jovem. Hoje, meu amigo Carlos Savil é que me indicou a reportagem do G1. Graças a Deus, li que o rapaz saiu do estado grave e permanece internado em franca recuperação.

A união realmente fez a força naquele episódio. Salvou não apenas um sorriso, mas a riqueza de uma vida!

Como a alegria não pode parar, lembrei agora que entramos na quarta-feira de cinzas! “O que fazer?” é apenas uma retoricazinha pra relaxar e organizar algumas tarefas domésticas.

O que sei é que logo mais o Rio de Janeiro – e o Brasil – só falará no resultado da apuração do desfile das escolas de samba do grupo especial. Enquanto isso, vou separando os e-mails para responder. Tenho, ainda, algumas obras que enfileirei para iniciar a leitura. Preciso retomar os rabiscos das minhas crônicas [segredo!]. Xi, a lista de atividades apenas começa a tomar forma antes que o cotidiano volte amanhã reivindicando seus direitos maritais...

Que ele – o cotidiano – fique na sua, quero dizer, na dele. Ainda se pode descansar mais um pouquinho por hoje. Com sorrisos nos últimos dias do horário de verão...


domingo, 14 de fevereiro de 2010

Apontamentos em pleno carnaval



Pleno domingo de carnaval. Cidade do Rio de Janeiro, berço do samba. Marchinhas nas avenidas. Blocos arrastando multidões. Ontem, eu mesmo acompanhei a histórica Banda de Ipanema no seu 46º aniversário. Foliões não faltaram. Vestidos de todos os trajes possíveis. As drag queens fizeram enorme sucesso. Os heróis das histórias em quadrinho também. A Farme de Amoedo, badalada rua de Ipanema, virou uma private rave party depois que a famosa Banda passou. Eram milhares de pessoas aglomeradas – pra não dizer comprimidas! – por toda a rua. Muita gente bonita e perfeitinha por metro quadrado. Como tudo por ali parecia uma vitrine de personas estereotipadas demais pra mim, saí daquela aparente perfeição estética para ver rostos comuns e sobretudo abraçar a brisa salgada do mar. Caminhei até a praia e me encantei ao encontrá-la superlotada quase perto das 23h. Descalço na areia, assisti a uma partida de beach volleyball. Depois, como me disse um amigo auto-intitulado filho de Iemanjá, fui lavar os pés nas águas da rainha do mar. Reis e rainhas à parte, pra mim, o carnaval converge para o maior espetáculo que é assistir a alegria no sorriso dos foliões. A alegria é contagiante e nos reimprime boas lembranças. Gosto disso tanto quanto gosto de me banhar nas ondas da esperança. Voltei pra casa num metrô que quase saiu do trilho tamanha a fanfarra dos passageiros cantando (e tocando) todas as marchinhas conhecidas. Na estação da Praça Onze, ao lado da Marquês de Sapucaí, o indivíduo que não estivesse fantasiado era a exceção. Eu, que já sinto-me exceção por natureza, mais excetuado me tornei. Ao menos, naquele contexto. Não havia fantasias em mim. Nunca houve senão as do coração. “Um dia, se Deus quiser, eu vou... eu terei... eu...”, essas coisas dos baús da psiquê humana. Sob a cortina de céu estrelado adormeci horas depois que cheguei em casa. Ao acordar, a luz coriscante deste verão saariano me pôs de pé num segundo. Ao longo de toda a semana, não se vê uma nuvem esquecida no firmamento. Céu de brigadeiro, dizem os mais antigos. Não é diferente nesta manhã de domingo. São as cores do cenário deste carnaval. Céu azul. Rostos bronzeados de alegria. Clima de paz. Tudo parece democraticamente colorido, sem puxar a tonalidade para nenhuma tribo. Como tem que ser quando se abrem as alas para todos passarem! Bom carnaval a todos!



Notas de rodapé: Créditos para as imagens captadas na máquina do Rodrigo Soldon. [*][*][*]Assim que der, durante o carnaval responderei aos e-mails dos queridos.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O Saara, a praia e um casamento feliz


Prometo que não mais falarei do excesso de calor. Sobre o verão ainda direi coisas oportunas. É uma bela estação, nada contra (lembrando que não falarei mais sobre o “excesso de calor”). Os cariocas amam. Ontem, à noite, o Arpoador estava abarrotado de gente. Onze horas da noite. Centenas e centenas de pessoas mergulhando nas águas, fazendo amor com o mar. Nas areias, rodas de samba e até bossa nova ao som de sax. Du Moscovis, o morenão global, tava por lá curtindo o banho de mar. Cissa Guimarães, a garota que quebra o côco mas não arrebenta a sapucaia, também. Quase meia-noite. Banhista algum parecia querer abandonar a praia. A iluminação especial que a Prefeitura colocou só veio a colaborar com o espírito carioca de ser...

Foi lendo uma reportagem no G1 que me estimulei a reafirmar o que vinha dizendo por aqui. Não, volto a dizer, não é do excesso de calor que falarei, mas tão somente sobre o verão carioca. O calor do Rio ultrapassou o do deserto do Saara neste verão! Como dizia a reportagem, “nem os camelos estão sofrendo tanto quanto os cariocas”. A segunda maior sensação térmica do planeta foi registrada nesta quarta-feira, no bairro de Jacarepaguá (pertinho do hollywoodiano Projac). 43,9ºC era o que registravam os termômetros. Disso, ninguém duvida. Ontem fui, na companhia de duas amigas, visitar uma idosa a quem “adotamos” num lar geriátrico. Cheguei transpirando em bicas. No termômetro em frente, do outro lado da calçada, víamos 40ºC. A sensação térmica, no entanto, era superior aos 45ºC!

- “Tome pelo menos quatro garrafinhas de água, dessas de 500ml, por dia!” – foi a recomendação de um amigo médico. Estou seguindo à risca. Não tem como não beber água em meio a tanta transpiração – leia-se perda de líquido!


Talvez por isso os cariocas estamos preferindo as praias sob o luar. Você encontra de tudo que encontraria durante o dia, do calor a gente esculpida pela natureza, dos surfistas aos camelôs. Só não encontra o sol. Faz diferença? Nem toda, a considerar a insalubridade de um sol pra lá de Saariano. O entardecer e o luar na praia realizaram um excelente casamento. Testemunhas não faltam pra confirmar o que to dizendo. Parece que a idéia se espalhou pela cidade. Casamento feliz, já reza a lenda, não consegue ser segredo pra ninguém...


Nota de rodapé: créditos para as lindas imagens de Dyego Rodrigues.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Picos deste verão


42ºC. Picos de 44ºC. Picos de ensolação. Picos de sudorese. Picos de calor saariano. Firmamento que não se firma, ao contrário, esquenta sobre nós. Olhar turvo. Pele oleosa. Calor úmido. Sal e suor na boca. Obsessão por instantes de nudez. Gravata que esmaga o pescoço. Sombra que te quero sombra. Sorvete que se colhe na lanchonete. Mais sede assim que a sede passa. Água de côco no camelô da esquina. Papéis encharcados e, portanto, ilegíveis no bolso do blusão. Lenço que segura a transpiração. Ao menos, tenta. Relógios digitais em complô pelas esquinas da cidade: 44ºC durante o dia, 34ºC durante a madrugada. O pico não passou? Tudo é tão excessivo, já não entendo por qual razão. Salve, Rio de Janeiro! Salve, corpo bronzeado! Muitos picos virão! Ainda estamos na primeira semana de fevereiro... Transpiremos com um “barulho” desses!...



...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Me pergunto “pra quê?” de vez em quando



Andar de terno e gravata pelas ruas do Rio nesses dias, putz, “ninguém merece”, diriam alguns. Dia desses saí do Fórum e me deparei com um relógio digital que informava 48ºC. Não pirei, era fato. Sentia na pele, literalmente. Estava completamente ensopado de suor. Um horror! Minutos depois, conferi num outro relógio, a caminho de outro bairro: 44ºC. Confirmado: o calor tá "over" neste ano! "É fruto do aquecimento global, coisa de nossa irresponsabilidade!", sentenciou uma amiga que estava ao meu lado.


Tudo bem. Calor até que é bom, dá um ar menos carrancudo às estações, mas alto lá: 40ºC em diante!? Pra quê?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Sendo-me – Parte I

Há quanto tempo não correspondia ao desejo de tanta gente ao vir aqui! Passados dois meses ausente [absurdamente ausente diria uns três ou quatro amigos mais chegados], retornei. Não sei dizer se mais blasé do que antes, talvez, quem sabe. Maiorzinho que antes, estou certo. Nem tanto para fora das janelas. O crescimento a que me refiro se alarga das janelas pra dentro desta casa-ser. Não sei medir, foge-me ao pensamento. Apenas olho pra trás e vejo o quão distante fiquei do ponto de partida, o “status quo” de todos os revezes.

Roberto Carlos empolgou o público carioca neste final de semana pondo o Maracanã numa espera de meio-século pelo auge de sua carreira. Queria ter ido, acabei me deleitando com o teatro. Tudo é arte, mas cada qual com suas cores próprias. Por falar em Roberto, lembrei de alguns versos muito próximos deste sentir que me enche os olhos ao olhar pra trás. “Se chorei ou se sorri o importante é que emoções eu vivi!”. Um hino que só se pode entoar quando a gente esbarra no limite. O nosso próprio. seja com a dor mais profunda, seja com a alegria mais festiva e que não se iguala a nada mais.

Obviamente meus olhos se voltam para o presente e não deixam órfãos estes nossos dias do presente. Não há horizontes próximos, ou seja, a caminhada nem chegou ao clímax. A vida [ainda] mostrará grandes surpresas. Este é o fiozinho de esperança que move o coração dos seres-vivos-mesmo. O fator surpresa que apimente o “logo depois” que somente a Deus pertence (pois somente Ele-é desde sempre). Quanto a mim, sigo cantando e seguindo a canção. Chato seria saber do fim sem qualquer trabalho no existir...


Notinhas de rodapé:

[1] Prometo ler e responder cada recadinho deixado nestes dois meses ausente. Aguarde(m)-me.

[2] Dois meses fora acabaram me deixando por dentro de uma série de peças maravilhosas a que assisti no teatro. Desde o empolgante “O homem do princípio ao fim”, de Millôr, até o encantador Machado de Assis em “O homem célebre”. E poderia citar “Isaurinha Garcia”, “Zoológico de Vidro”, entre outras. Assim que desarrumar as malas e retornar à labuta, pouco a pouco, me insurgirei com mais detalhes.

[3] Muita coisa acontecendo no circuito cultural do Rio. O centenário do Theatro Municipal foi simplesmente mágico! Coro, orquestra e Corpo de Baile numa apresentação digna da mais preciosa pérola da coroa desta cidade, como disse Olavo Bilac no discurso de inauguração em 1909. Ainda: “Anima Mundi”, “Os Russos”, e uma dezena de exposições em tudo quanto é canto da cidade. Eba eba! Farei comentários em breve.

[4] Ô saudades disso daqui!...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Divulgações a pedido

Falava de alguns eventos comemorativos neste mês de maio. Lembrei-me dos pedidos de amigos para incentivar a divulgação de algumas datas importantes no contexto de pluralidade, diversidade cultural e cidadania participativa. Por achar que o “post” ficaria longo se colocasse todos os anúncios e cartazes, preferi salientar apenas alguns.




Quintas no BNDES (temporada 2009)



Nota: Marcinho, amigo de caminhada, fica aqui o registro do evento logo mais à noite, no Centro Cultural Silvio Monteiro, na cidade de Nova Iguaçu, para a palestra “Homofobia e Religião”, a qual, desde já, segue com meu agradecimento pela oportunidade de te ver e ouvir!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Os minutos, os sons e as cores de domingo




Olhando o relógio, um ímpeto enaltece a vontade só pra soltar as horas. Fico imaginando como os ponteiros se comportariam na liberdade. Tantos anos engessados, de início, suponho que se recusariam a saltar rumo ao ‘kayrós’, o tempo sem dicotomias ou quaisquer frações cronológicas. O engessamento faz parte das rotinas. Não apenas a dos ponteiros. Vou vendo que nem todo o começo (ou recomeço) é fácil. Cambaleantes, tanto eles quanto nós ainda insistimos no caminhar trôpego. As coisas parecem rodar, rodar. É o desacerto procurando ritmo pra acertar. Os joelhos vacilam. Do nada, põem-se de pé. O despertar é assim mesmo. Um pouco preguiçoso. Sem muitos sonhos pra estimular. Há uma epiderme sobre os ossos que nos belisca e nos faz crer que essa vida anda. Sente. Segue. Tal como os dias. Um após o outro. Cada um singular como tem que ser. As horas, já soltas, também dão contam do recado. Sinto este mistério se desvendando. A coisa em si reveste-se em significado e em importância. Saber que em qualquer um de nós as coisas caminham rumo ao que nos propomos é um sabor a mais na degustação do prazer. Que mais importaria? Se sonhos, que sigam com asas pra chegar mais rápido. Se realidade daquela tipicamente nua, que siga plantada com chance de enraizamento.

Em meio ao desabrochar dos minutos em total cumplicidade com a existência, uma breve permissão para um vôo abaixo da epiderme. A dimensão em profunda metamorfose de realidade para sonho. Levei-me pra ver a mostra de arte contemporânea “Vertigem” com OSGEMEOS. Aqueles personagens amarelos me protagonizaram minutos ao lado das fábulas mágicas que denunciam o mundo de tristezas e alegrias. Tudo isto, diga-se, através de um olhar primoroso de transparência e ingenuidade. Dei-me de presente algumas cores para as paredes do meu coração. Voltei menos incomodado. Bem, até certo ponto. Já que tinha me proposto mergulhar pra dentro das águas oníricas, nada melhor que encerrar as horas assistindo O fabuloso destino de Amelie Poulin. Pra quê! Extravasei meus ecos aprisionados entupindo os poros antes abertos com lágrimas avulsas. Não poucas porque o momento – ah, este momento! – me seduz com acenos de “live and let it go!”. Queria ser daqueles que constroem frases raras e, portanto, perfeitamente sadias – como falou Henry Thoreau num de seus poemas – só pra sinalizar que aquele final acabou levando todo o meu estoque de projeções pessoais. Não sei porque acabei citando o poeta pacifista Thoreau. Talvez porque meus dias andam na certeza de “uma vida de cada vez” ou, como gosto, de um minuto sem pressa das horas...

Manhã de domingo. Dia de feira livre. Gosto daqueles vaivéns de olhares, ora furtivos, ora atentos, sobre as frutas, sobre os legumes e sobre as tabelinhas riscadas de giz e cifrões. As cores estão por toda a parte. Os meus olhos se distraem com tantos retalhos de detalhes. Eles formam uma colcha multicolorida de gente, de corpos, de folhas, de talos, de cheiros e de um céu de anil estirado sobre nós. Que cenário! Crianças nos carrinhos de bebês. Senhoras apressadas e tagarelas. Senhores com gravidade e ares de circunspecção. Gente que deu bom dia ao dia. Gente que mal acordou. Gente solta de si mesma. Gente acorrentada pelas horas. A cada aproximação, ‘bom dias’ pra plural nenhum botar defeito. Mais uma vez voltei pra casa com mãos impregnadas de odores e bolsos fartos de sons.

Pausa para o almoço. Em seguida, antes que os odores desapareçam, corro pra rabiscar algumas linhas. Uma necessidade de liberdade como a que vi nas ruas da feira me sacode pra pingar cores no texto. Lembrei-me das cores que ganhei pela manhã. Tudo de graça como são o sorriso franco e o aperto de mão dos cavalheiros. Uma idéia de última hora resolve aparecer antes do ponto final. Pego pequenos objetos. Um par de óculos escuros e uma câmera pra ser mais preciso. Corro pra rua e faço sinal para o táxi. Salto ao lado do Copacabana Palace. Os lábios já sentem o sabor do mar. Atravesso o calçadão e me disponho na direção do maior divã do mundo. Por descuido – ou mera intuição, sei lá! – olho para o relógio e não vejo os ponteiros por lá. Sorrio por dentro imaginando que eles também devam estar em bom lugar. Livres do tempo.


O abraço da brisa me torna cúmplice da paisagem, me lança pra dentro do cenário. Aceito-o de bom grado. A esta altura os passos não me pedem nada. Seguem com as horas. A tarde de domingo fala por meio de tantos detalhes. Cachorrinhos. Carrinhos de bebês. Cadeiras de rodas. Estátua viva. Corredores apressados. Ciclistas concentrados. Mulheres bonitas. Homens, igualmente. Casais apaixonados. Vendedores hippies. Policiais atentos. Um grupo de MPB cantando Ana Carolina. Um salva-vidas. Um surfista abaixando o zíper do traje. Um casal de garis varrendo as marcas pretas e brancas do calçadão. Turistas como as areias da praia. Muitos idiomas. Muitos dedos em riste para cada canto. Garotos exibindo seu futebol de areia. Rapazes em saques e defesas espetaculares nas redes de vôlei. Assisto a uma partida sem qualquer necessidade senão a de não ter necessidades. Capturo imagens, qualquer uma que venha emprestar significado. De um instante a outro já estou no meio dos pescadores junto à colônia de pesca de Copacabana. Idosos conversam libertando o passado. Assento-me num daqueles bancos bem ao lado do Forte. Uma roda gigante bem ao fundo saúda a campanha para os jogos olímpicos na cidade. Mais uma vez, algumas capturas com a câmera. Olho gente me olhando. Escuto os sons dos outros. Uma orquestra empresta e recolhe sons. Tudo acaba em troca. Passo na porta da Paróquia da Ressurreição. Da rua avisto que uma missa prossegue, mas são as pessoas com caras felizes que me chamam a atenção. Mais à frente, o Arpoador. A dimensão das coisas torna-se tão enaltecida que me comove. É o entardecer fazendo solos com assovios das brisas e rabiscando de dourado o firmamento. Aquilo, pra mim, me encanta como canto de sereias. Flashes e mais flashes. Muitos casais. Eles são casais, não importando se héteros ou gays. São muitos corações trocando segredos em meio àquelas pedras. Pulando de pedra em pedra, atinjo o topo. Muitos olhares fitos para o espetáculo do entardecer. Quase todos assentados nas poltronas imaginárias. Refestelo-me numa das pedras e também troco segredos de liquidificador. Eu comigo mesmo. Eu com os céus sobre mim e os céus dentro de mim. Fiz as minhas preces sem pedidos, questão de costume. Olhei a espuma do mar tomando banho nas ondas. Sorri mais uma vez por dentro com tanta gente serenada ao redor de mim. Fiquei por ali enamorando o firmamento até que Alguém apagou a luz da tarde pra acender estrelas...
...

Nota: apenas para os que ainda não assistiram ao filme ao qual me referi (e para que o mergulho se aproxime do significado das palavras que pari logo acima), trecho do final que me encantou sob os sons de “La Valse d’Amelie”.



quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Promoção musical na Apoteose


Sob o slogan de “o primeiro show do planeta onde o ingresso é lixo” o evento Doe seu lixo por música levará diversos nomes da música brasileira para um show inédito no Sambódromo, dia 21/11, às 20h, aqui no Rio de Janeiro.

Com a promessa de ser o primeiro show pago com lixo reciclável do planeta, entrando para o ranking Brasil e quem sabe para o Guiness Book, o objetivo é incentivar a conscientização das pessoas para a questão sócio-ambiental do lixo. A coleta seletiva pode e deve ser um hábito natural dos cariocas.

Atrações confirmadas: Bangalafumenga, Serjão Loroza, Fernanda Abreu, Toni Garrido, Charlie Brown Jr, Dudu Nobre, Arlindo Cruz, Dona Ivone Lara, Samba na Moral, DJ Marlboro, Mc Marcinho, Mc Sapão, Timbalada, Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Moraes Moreira e Bochecha.

Como fazer para conseguir o ingresso: inicialmente, é preciso se cadastrar no site do evento - apenas os cadastrados participarão da promoção; a seguir, imprimir o comprovante de cadastro e no dia do evento levá-lo com duas sacolas de supermercado com papéis, latinhas ou plásticos. A escolha é sua.


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Prevenção é o melhor remédio


O Cristo Redentor foi iluminado de rosa nesta terça-feira. Uma situação inusitada para os cariocas de todas as cores, acostumados com as cores originais da imagem tida como uma das novas maravilhas do mundo. O fato ocorreu com o propósito de chamar a atenção para a campanha pelo combate ao câncer de mama, doença que atinge uma em cada oito brasileiras e que mata, anualmente, 10 mil mulheres em todo o país.

O colorido diferente também poderá ser visto nesta quarta-feira. A iniciativa faz parte da campanha “Não aceite informações pela metade”, idealizado pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) em parceria com o movimento Outubro Rosa. O objetivo da campanha é incentivar a importância do diagnóstico precoce. Vários monumentos pelo Brasil foram iluminados, entre eles a Pinacoteca do Estado de São Paulo, a Ópera de Arame, em Curitiba e o Memorial JK, em Brasília.

O Outubro Rosa nasceu há 11 anos na Califórnia. Ao longo da década, a iniciativa iluminou monumentos como a Torre de Pisa, na Itália, a Opera House de Sydney, na Austrália, e a Casa Branca, nos Estados Unidos.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Na minha agenda



Dia amanhece com sol cantando “Wave”, de Jobim. Não acreditei, mas é verdade. O sol daqui canta Jobim logo nas primeiras horas... Telefonema me chama, insistindo a levantar da cama. Não atendo, nem vi quem seria. O sol me hipnotiza de tão seguro que está. O dia prossegue com mais gente me chamando. Uma amiga me explica que não poderemos sair juntos. Ela visitará uma ONG que trabalha exclusivamente para atender a pessoas com problemas de surdez. Serão futuras conexões, me explica. Entendo perfeitamente, sei o que é isso. Conexões. Ontem falei de conexões com algumas pessoas. A vida toda formamos conexões.

Pessoas insistem em querer saber em quem votarei no próximo domingo, no segundo turno das eleições municipais. Não tenho dúvidas, mas não costumo revelar meu voto. Sou a favor do bem, mas daquilo que é sempre enraizado. Creio que o que seja para o bem, de fato, há necessidade de raízes! Campanhas bem montadas, porém sem projetos e sem um discurso que esteja coeso com as conexões históricas do candidato, não colam. Um tem história e coerência; o outro, oportunismo político (falava bem mal do presidente até o ano passado, mas, em se tratando das “conexõe$ política$”, mudou o “pensamento”).


Um amigo aqui do Rio me pediu “palavras-presentes” ainda há pouco. Respondi-lhe falando delas, mas pelas raízes. Alguém me pede sorrisos sinceros na hora em que lhe respondia sobre meus sorrisos sinceros. Pura sintonia, nada premeditado. Fico sabendo neste momento que outro amigo esteve hospitalizado, recupera-se bem agora. Irei visitá-lo em breve. Se não fosse o trabalho árduo na preparação das eleições neste sábado e domingo, iria vê-lo neste final de semana. Cheguei de Ipanema ainda há pouco, confesso que pisquei pro mar – aquele marzão – mas não era possível continuar o cortejo. Tive que pegar um documento importante por lá. Horas passam por entre os dedos da gente. Fecho um encontro no escritório de um advogado daqui a algumas horas. Penso se dará para ir ao lançamento de um livro muito interessante na PUC aqui do Rio, às 17h. Acho que não. Preciso remarcar exames de rotina, cuidados preventivos. Preciso ouvir sons de violino. Sou atendido com uma canção de Steven Curtis Chapman. Preciso enviar alguns e-mails. Preciso de sonhos com pés no chão. Preciso largar o PC e correr atrás do almoço. Não posso me atrasar. Só não posso é deixar de precisar.

Nota: a fim de compartilhar as conexões do meu sentir, "When love takes you in". Steven Curtis Chapman pra quem dele precise.




segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Declaração dos Direitos das Crianças


1. Todas as crianças são iguais e têm os mesmos direitos, não importa a sua cor, raça, sexo, religião, origem social ou nacionalidade.

2. Toda criança deve ser protegida pela família, pela sociedade e pelo Estado, para que possa se desenvolver física e intelectualmente.

3. Toda criança tem direito a um nome e a uma nacionalidade.

4. Toda criança tem direito à alimentação e a atendimento médico antes e depois do seu nascimento. Esse direito também se aplica à mãe.

5. As crianças portadoras de dificuldades especiais, físicas ou mentais, têm direito à educação e a cuidados especiais.

6. Toda criança tem direito ao amor e à compreensão dos pais e da sociedade.

7. Toda criança tem direito à educação gratuita e ao lazer.

8. Toda criança tem direito de ser socorrida em primeiro lugar em caso de acidentes ou catástrofes.

9. Toda criança deve ser protegida contra o abandono e a exploração no trabalho.

10. Toda criança tem direito de crescer em ambiente de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.


Notas de rodapé:

É todo dia: ontem, infelizmente, não consegui tempo pra vir aqui e postar o texto para o dia das crianças. Mas, como se trata de uma declaração cujos princípios foram estabelecidos pela ONU (Organização das Nações Unidas) para o ano todo (por toda a vida), o “hoje” é certamente o melhor momento pra guardar o que é importante.

Favela do Arará:
a imagem com créditos para Ratão Diniz retrata uma das brincadeiras que fizeram parte de meu ritual lúdico na pré-adolescência, o peão. Saudades dos idos nos quais bola de gude, pique-esconde, pelada no Largo da Caixa d'água (e depois no campo de areia da extinta Fábrica Mavilles), pescar no varal dos pescadores, furtar amêndoas no telhado de dona Palmira (e correr quebrando as telhas quando ela nos flagrava!), furtar tamarindos dos pés do "seu Flor" e tomates deliciosos da plantação da família Bottas, fabricar carrinho de rolimã, jogar futebol de botão e fazer campeonato de vôlei de rua no bairro era o sentir-existir de um paraíso que ocorria aqui na Terra. O Arará dista mais ou menos meia hora de minha casa. É lógico que eu, andarilho pelas histórias das comunidades do Rio, tendo nascido numa, conheço muita gente boa por lá.

Morro dos Irmãos: é a imagem captada e compartilhada de um domingo tipicamente carioca pelas comunidades do Rio. A pelada carrega um "isso" de liberdade, uma semente embrionária para o que muitos desconhecem na democracia.

sábado, 11 de outubro de 2008

Apontamentos com as roupas de sábado


A semana tá quase chegando ao fim. O sábado traz um solzinho típico de primavera do sudeste. Ainda tímido, talvez, chame a chuva pra companhia na parte da tarde. Cliente liga. Nem no sábado [alguns] são capazes de me entender. Tentei explicar que os reajustes de aposentadoria e do salário mínimo se dão por índices e variações diferenciadas, o que explica a defasagem. Corri até a janela. O sol é sempre uma estrela de primeira grandeza. Põe cores e calores na palheta do Planeta. Saí até a varanda pra abraçá-lo. Olhei as horas e acreditei que ainda sobra tempo pra qualquer coisa. Sempre sobre tempo quando se é amigo do tempo. Dormir cedo pra acordar mais cedo tem me ajudado no planejamento do dia. Tanto que teimei em acreditar, não é que é verdade? Preciso sair às compras na floricultura. Uma amiga de longa data ama margaridas.
Quero presenteá-la com algumas quando estiver no culto em ação de graças que fará por ocasião da recuperação no seu estado de saúde. Amanhã é dia de alguns acontecimentos aqui no Rio. Pra quem curte, a XII Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro 2008 terá largada nesta manhã (de 12/10) pelo belíssimo corredor das Praias do Leblon e Ipanema até o Aterro do Flamengo. À tarde, igualmente, pra quem curte, a 13ª Parada LGBT do Rio pela Avenida Atlântica e, certamente, uma multidão não menos numerosa que a da maratona do Rio. Esqueçamos o domingo. O hoje ainda está vestido com as roupas de sábado. Os minutos pela frente hão de me direcionar às próximas atividades. Espero que o sol possa ajudar no brilho do restante do dia. Se assim o fizer, certamente, o convite que me fiz será uma grande dica para relaxamento: caminhar até o Arpoador. Abandonar as sandálias – o traje tipicamente carioca para qualquer lugar! – e refrescar o pensamento nas espumas das ondas.


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Lançamento oficial: divulgação


Divulgar é apresentar o que nem todos sabem ou tem. O “produto”, por assim dizer, é a História do Rio de Janeiro em crônicas pelo meu amigo (historiador e professor), Leandro, entre outros colaboradores. Crônicas cariocas e ensino de História. Lançamento oficial pela editora nesta sexta-feira, 26/09, a partir das 19h30min, no Museu da República, no Catete, aqui no Rio de Janeiro.

Sairei tarde do trabalho, mas espero estar lá nem que seja para ser o último livro a receber os autógrafos. Leozito, green-eyed-boy, meu abraço-ergue-pés, como você já conhece! Deus sempre te inspire, amigo-irmão!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Treinamentos & prazeres


6h, de pé. 7h, café. 8h, pois é. Treinamento e mais treinamento nestes dias que antecedem as eleições municipais pelo país afora (exceto no Distrito Federal). O de hoje, dobrado. Manhã e tarde. Almoço? Não houve chance. Apenas um lanchinho porque não dava tempo pra sair. E já que estava na chuva, o jeito foi sorrir. E rir. E abraçar amigos também. E ouvir muitas histórias, tanto as sérias quanto as hilárias que só a Regina, nossa sarcástica chefona, e a Ana Kelly, amiga de anos e anos, poderiam contar. Tudo isso, no entanto, pra dizer que, apesar do prazer que tenho nestes treinamentos pelas bandas do Tribunal Regional Eleitoral, estou fisicamente cansado. Aliás, amigos [e]leitores, votem conscientemente. Voto nulo não é solução de nada. E aos que forem justificar, dirijam-se a qualquer local de votação para preencher o Formulário de Justificativa e levá-lo à seção eleitoral mais próxima para validação. P.S.: Já disse, mas repito: não, não sou presidente ou mesário. Estes treinam, uma vez, apenas quatro horas.

Na imagem acima:
“Sou cidadão”, por Saulo Mohana.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Paisagem pra descansar


Vista do Forte de Copacabana. O mar é inspirador. Há certas paisagens pra fora de nós que são inesquecíveis. Entrar, caminhar e descansar no Forte de Copacabana. Precisaria estar mais próximo de lá. Melhor. Deveria estar lá a esta hora. Não fui porque uma amiga acabou de chegar e conseguiu me persuadir a mudar de planos. Vamos montar um inventário de bens de uma entidade filantrópica aqui do bairro. Estou de saída. Vamos até a tal entidade. No entanto, registre-se aqui o suspiro pela necessidade de descanso bem juntinho de uma companhia agradável. O mar do Rio de Janeiro. Serve qualquer outro mar, desde que haja paisagem como altar.


sábado, 1 de março de 2008

443 abraços para o Rio


Minha terra natal completa neste 1º de março seus 443 anos. Longe de ser o município mais violento do Brasil, como alguns sugerem (não estamos nem na 20ª posição, de acordo com dados recentes da pesquisa do IPEA), continuamos sendo a cidade mais conhecida do Brasil (e sobretudo fora dele). E por que razão? Quase nenhuma, talvez. Alto lá, disse "quase". A Natureza pode explicar com melhores contornos que minhas palavras. Belezas naturais. Montanhas como um abraço em seu redor. Verde em quase todo o canto. Clima tropical. Cores almodovarianas. Brisas com cheiro de marés rasas, enchentes, vazantes e cheias. Mas se o melhor do Brasil é o brasileiro, o melhor da cidade são os cariocas. Eu assino embaixo! Bronzeados estampados por toda a pele, mesmo que não se queira tê-los (!). Cultura pelo dia, pelo sol, pelas roupas leves e pelos chinelos (ou rasteirinhas) pra tudo quanto é programa que se queira ir. Todos usamos, quem se importa? Faz parte da alma carioca ser sacana, bacana, dourado, moderno, alegre e tão sexy, como cantou Adriana Calcanhotto. Isso tudo transcende e cria na cidade a cidade que somos e amamos. Passados 443 anos de fundação por Estácio de Sá, o Rio continua lindo. Alô, Rio de janeiro – aquele abraço! É isso aí, Gil!

Águas de março para uma garotinha


Hoje a cidade acordou mais cedo. Não foi impressão minha. A gente quis assim. Dia de se arrumar e ficar mais bela do que já é. Neste 1º de março a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro completa 443 anos. Chove lá fora desde cedo. Águas de março acordaram o Rio. Os céus também tinham o direito de comemorar. Os confetes caem como gotas intermitentes. Prosseguem às vezes. Há muito tempo atrás, lá na maternidade, Estácio de Sá resolveu batizar a criança com a referência ao santo Sebastião. Os franceses já moravam por aqui há quase uma década quando “nascia oficialmente” por ato dos portugas. Tudo bem, os caras invadiram. Mas os portugueses também eram invasores. Todos forasteiros, exceto os silvícolas. Os tamoios (ou tupinambás, como queiram) foram os cariocas natos. [Saiba +]

Daqueles dias recém-nascidos até os atuais, convenhamos, a menina tá bem conservada. Verdade é que a mata nativa já foi escalpelada quase completamente. Resiste à modernidade, no entanto, a Floresta da Tijuca, a maior floresta em área urbana do mundo. Foi o que restou dos cenários daqueles primeiros anos de infância. Mas a vida tem seus viés. A cidade cresceu, ultrapassou mais de seis milhões de habitantes, foi capital de Reino unido (Portugal, Brasil e Algarves), capital de Reino do Brasil, capital de República, enfim, uma celebridade histórica! Hoje chove. A história assegura que no dia 1º de março de 1565 também chovia quando foi fundada no istmo entre o Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar. Águas de março. Elas sempre se lembram quando é dia de comemoração. Fizeram naqueles idos. Revivem o “remake” 443 anos depois. Que comemoração, heim, Rio de Janeiro! Parabéns, menina!

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