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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O mundo ainda caminha no aprendizado


Depois das indignações a que me permito nesta liberdade que me dou [falo dos posts a seguir], a certeza que ainda aprendemos a lição mais básica ensinada pelo Cristo: o amor, que, a contrário do que muitos pensam, não é plena aceitação do outro; antes, é respeito pelo direito que o outro tem de coexistir, acolhendo-o dentro do que se espera do respeito. E isto, diga-se, ainda que se tenham pontos de vista diferentes. Verdades próprias e acerca das quais não se abra mão. Até aí, a paz prevalece. Entretanto, é quando nossa verdade precisa ser a verdade do outro a qualquer custo que o respeito é ferido. Por mera conseqüência, o conflito elimina a paz, que, por sua vez, estanca o processo de semeadura do amor. Sem sementes de amor o mundo se torna um vasto campo de individualismos se auto-destruindo. Os “ismos” só não podem é contra o amor. A lição ainda faz parte da aula. E assim vamos caminhando...


Nota: imagem colhida dos Out Games, na Dinamarca, 2009.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Libras e uma cultura própria


Dizem que os brasileiros costumam não ter memória dos fatos. Pode ser que muitos não tenham. Muitos se acostumam ao viver presente. Mas presente sem passado não é caminho seguro, firme. Poucos somos os que sabemos de nossos direitos. Poucos têm acesso a muitos direitos. Tudo bem, verdade que não poucos também não se preocupam com suas responsabilidades. Há direitos e deveres a todos, mas também há algo que nos une. A língua. Bem, ao menos deveria nos unir. Poucos brasileiros sabem que o país tem, ao lado da língua portuguesa, um outro idioma oficialmente reconhecido por lei federal. Libras – Língua Brasileira de Sinais – é desde 24 de abril de 2002 o segundo idioma a que todos os cidadãos precisariam conhecer e falar. A lei, sancionada pelo ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, foi regulamentada em 22 de dezembro de 2005 pelo presidente Lula, através de decreto. Portanto, não se trata de uma lei pra não pegar, mas de um idioma pra se aprender. Todos os brasileiros! Milhares de surdos agradecerão!

Você conhece Libras?

Mais de três milhões e meio de brasileiros são surdos, você sabia disso? Uma parcela pequena, bem pequena, dos surdos são considerados oralizados. Surdos que falam Libras e português são chamados bilíngües. Considerando a oralização nos processos de bimodalismo, nada há que se compare à dimensão do universo da língua de sinais. Há muitos sinais em Libras que não tem tradução para o idioma português. Assim como a palavra “saudade” é difícil de se explicar para um estrangeiro, o mesmo acontece com alguns sinais para um ouvinte. Nós, intérpretes de Libras, bem o sabemos!

Os surdos não apenas possuem um idioma natural, possuem também uma cultura própria. Eis a principal razão pela qual os ouvintes nem sempre são pacientes com surdos (e vice-versa). Processos de desconhecimento de suas respectivas culturas (a surda e a ouvintista). Empresas e quaisquer instituições que pretendam se abrir para oferecer oportunidades a surdos ou mesmo para atendimento ao público em geral (escolas, delegacias, bancos, cartórios, hospitais, postos de saúde, balcões de emprego, INSS e muitos outros serviços) precisam conhecer a dita cultura surda. Aí é que está o xiz da questão. Quando aprendem o idioma, esquecem-se da "cultura" desses "brasileiros estrangeiros". Lidar com a língua de um povo é também mergulhar no seu universo particular representado pela riqueza de sua cultura.

Mas, hoje, ficarei apenas com a dica para que alguns se despertem a conhecer o idioma. Numa outra oportunidade falarei sobre meu trabalho com cegos (de maio de 1997 a dezembro de 2000).

Nota: Na imagem acima, Filipe Machado, para quem seguem os créditos.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A reforma ortográfica já começou e não começou




O fim do trema está decretado desde dezembro. Os dois pontos que ficam em cima da letra u sobrevivem no corredor da morte à espera de seus algozes. Enquanto isso, continuam fazendo dos desatentos suas vítimas, que se esquecem de colocá-los em palavras como freqüente e lingüiça e, assim, perdem pontos em provas e concursos.

O Brasil vem se preparando para a mudança ortográfica que, além do trema, acabou com os acentos de vôo, lêem, heróico e muitos outros. A nova ortografia também alterou as regras do hífen e incorporou ao alfabeto as letras k, w e y. As alterações foram discutidas entre os oito países que usam a língua portuguesa --uma população estimada hoje em 230 milhões-- e têm como objetivo aproximar essas culturas, escreveu Daniela Tófoli (Folha de São Paulo, de 20/08/2007).

Não há um dia marcado para que as mudanças ocorram e sejam sentidas de fato --especialistas estimam que seja necessário um período de dois anos para a sociedade se acostumar. No Brasil, a previsão é que 2008 seja o marco divisor entre a antiga e a atual forma. Portanto, já está em vigor mesmo!

O embaixador Lauro Moreira, representante brasileiro na CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), afirma que, tecnicamente, a nova ortografia já poderia estar em vigor desde o início do ano passado. Isso porque a CPLP definiu que, quando três países ratificassem o acordo, ele já poderia vigorar. O Brasil ratificou em 2004. Cabo Verde, em fevereiro de 2006, e São Tomé e Príncipe, em dezembro do mesmo ano.

Portugal não tem motivos para a resistência, como ainda se vê nos dias de hoje. Fala-se de uma pressão das editoras, que não querem mudar seus arquivos, e de um conservadorismo lingüístico.

Por ora, só vejo que o trema já foi tarde. K, W e Y são sempre bem-vindas. Tem algumas coisas estranhas, mas a gente se acostuma. Difícil escrever "heróico", "assembléia", "paranóia" sem acento, né?

P.S.: Apenas para homenagear a língua, segue um videozinho de uma de minhas cantoras prediletas da música portuguesa. Dulce Pontes interpretando a famosa “Canção do Mar”.

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