1º momento – o início da noite de ontem
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Observações em dois momentos
1º momento – o início da noite de ontem
sábado, 5 de junho de 2010
Embalos [da madrugada] de sábado à noite
Noitinha fria pede passagem e assenta-se, fazendo-me companhia. Somos eu e ela próximos. O mar anda meio duvidoso, rugindo seus cantos de ressaca, irrequieto com o barulho dos ventos. A natureza tem dessas coisas, a gente não controla. Aliás, o que a gente controla? A lágrima? A saudade? A perda? A ausência? O tempo? A vida? A morte? O presente? O futuro? O quê?
Não temos controle sobre quase coisa alguma. No máximo, quando queremos, a palavra não sai. O texto não sai. O beijo não sai. E tantas outras coisas também não saem...
As coisas parecem ser passageiras? – alguém pode perguntar. Talvez. Depende do que se espera e por quanto tempo se espera. Depende, portanto, de quem espera, não das coisas em si.
Ontem, comemorando o aniversário de um amigo na Lapa, sucumbi a vários momentos sobre os quais não tenho controle. A princípio, não estava disposto o suficiente. Fazia frio e havia muito cansaço sobre a pele que me veste o corpo. A hora também não me soava interessante, pois qualquer evento que inicie após às 22h já me força o [des]controle com as coisas que costumo controlar. No entanto, fui. Algumas coisas não podemos controlar. O momento seguinte é uma delas. O fato é que acabei encontrando amigos outros que não imaginava, gente com quem não falava – sequer por e-mail, carta, telegrama, nada! – desde meados de 2008! Amigos de perto ficaram felizes com minha presença, pois sabem que não sou das viradas da noite, o que aumentava mais ainda a contagiante alegria pelo ineditismo da ocasião. Entre rostos conhecidos e outros nem tanto, fui apresentado a quem não conhecia. Conversei com todos e todas, essas coisas naturais do convívio social dos seres humanos. Emocionei-me com as cores daquelas alegrias e sobretudo com as músicas cantadas ao vivo. “Como nossos pais” me retirou das mãos os aplausos antes tímidos. Há quem canta e quem interpreta. Vi quem faz os dois verbos se tornarem um só pela conjunção carnal.
Entre sorrisos e palavras, gargalhadas e conselhos dados, alegrei-me com a oportunidade do encontro e com a dádiva da vida sobre quem aniversariava. Quando tudo, enfim, preencheu seu lugar no baú das memórias vividas naquela madrugada, despedi-me sob a intensidade das cores daquelas alegrias. Tudo tinha valido a pena até então. E como tudo concorre para lições que aprendemos no incontrolável das coisas, saí a passos gratos daquele bar. Do lado de fora, o friozinho ainda dava o ar de graça. Mas não estava sozinho com minha própria companhia. Um ventinho na consciência me sussurrava a certeza de que ainda havia um pedacinho de noite pra me consolar sob o edredon...
Já que falei em lições que aprendemos, uma delas é que o fluxo da vida não pode ser controlado. É necessário que não consigamos controlá-lo! E assim é com o que não depende de nós. No meu caso, pra quem não estava muito a fim sequer de sair, o cansaço emudeceu diante da emoção do que não esperava. É bom demais não me sentir deus em momento algum. Meus embalos se afirmam no chão do que me estabelece. No baú das memórias, bom mesmo é a essência da simplicidade nas coisas. Como aprendi com meus pais. Sem pretensão alguma, não é que os ecos da canção de Belchior foram comigo para o edredon?! É, bons ecos! E como me ensinam mesmo depois do amanhecer!...
“É por isso que não quero falar das coisas que aprendi nos discos... quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo. Viver é melhor que sonhar e eu sei que o amor é uma coisa boa, mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa...”
domingo, 30 de maio de 2010
Notinhas do ainda-acontecendo final de semana
Entre um e outro dia neste final de semana, ainda arranjei tempo, numa tarde dessas qualquer, ao lado de uma amiga, para cumprir cabalmente minha Missão junto aos idosos de uma instituição asilar. Tudo, diga-se, movido pelo inconfundível prazer de fazer o que me faz bem. Pra mim o amor também carrega esses apelidos, o de fazer o bem sem esperar algo em troca.
Como se vê, meu final de semana
Após o debate de ontem à noite [
Por falar em côrte, o Viula e meu amigo chileno Jorgito ainda insistem na tese de doutorado de que estoy solo por mi própio deseo. Era o que diziam no coquetel pós-debate de ontem. Eles sabem que discordo disso. Considerando que os meses têm passado tão rapidamente [
Bom, tô de saía pra mais uma aulinha no projeto Betel. Domingo ainda promete... É isso, ao menos por agora. Bom domingo a todos!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
[Im]possibilidades reais de uma noite de domingo
Pois, bem. Ao chegar em casa, um telefonema. Aliás, dois. Perdão, três. O segundo deles foi uma espécie de “S.O.S.” alertado por outro casal de amigos. Me informaram que estavam se dirigindo na companhia de outra amiga à Baixada Fluminense, lá pelas tantas da noite, pois a mãe de uma amiga em comum [e que eu conheço desde a adolescência], tinha acabado de expulsar a filha de casa pelo fato de ser lésbica. Segundo as informações, ela [a filha] foi agredida de todas as formas. Tinha lesões sobre a pele e outras na alma que só o tempo ajudará a cicatrizar.
- O que vocês vão fazer na Baixada Fluminense a esta hora? – perguntei.
- “Vamos levar a L_______ na casa da namorada dela, em São João de Meriti. Mas não se preocupe, a gente tá cuidando dela, tá aqui ao nosso lado.” - respondeu um dos meus amigos no celular, tentando me tranquilizar.
Sentei na minha cama e me perguntei: alegrias e dores na mesma noite. Como tudo isso [ainda] é possível!?
[...]
Lembrei-me que em agosto do ano passado um casal de amigos [A_____, 19; R_____, 21] teve que fugir de suas respectivas casas, pois os pais – ambos líderes evangélicos – descobriram o romance dos filhos. Na minha modesta opinião, os pais fizeram tudo o que pais não poderiam ter feito. Resultado: saíram da cidade, fugiram para o Rio de Janeiro. Encontrei-me com eles assim que desembarcaram na Rodoviária. Eu e um grupo de amigos os ajudamos, de início. Hoje estão bem, já conseguiram restabelecer a amizade dos pais e [...] bastante felizes [...] certos que “o amor é mais forte que a morte”, parafraseando um texto bíblico.
[...]
Preciso ligar para L______, saber como está, se precisa de [...], essas coisas que amigos demonstram quando se faz necessário...
sábado, 8 de agosto de 2009
No encontro, eis-nos achados
Há um preço que poucos pagam, nem tanto pelo valor em si mas muitas vezes porque o que é caro requer um esforço muito grande pra se conquistar. Penso exatamente na liberdade. Não a vejo como mera palavra, mas um estado de ser o qual é visto pelas lentes da autoconsciência. Quem se sabe livre deseja ardentemente liberdade pra si e para os outros. Não existe espaço algum para manifestações egoísticas do ser. Quem se sabe livre, enche-se de indignação quando assiste alguém escravo. É tal aquele que se sabe perdoado. Invariavelmente, derramará perdão (pois a autoconsciência do prazer que causa é algo pra ser compartilhado). Tudo o mais é assim quando o ser não é egoísta...
Pensando um pouco no que o ser da gente é capaz de promover quando sabe compartilhar a alegria de um encontro, lembro-me da história muito antiga de uma dona de casa extremamente pobre que, certo dia, resolveu fazer uma faxina daquelas com o propósito de encontrar o que lhe era caro. No caso dela, uma moeda perdida e o significado emprestado a ela (a moeda). Tratava-se de seu tesouro pessoal. Era-lhe como tábua de salvação para, quem sabe, muitos apuros de ordem material. Não era qualquer coisa. Não era sequer “coisa”, uma “res” (do latim). Nada disso. Era um pedaço significativo da costura de muitos sonhos. Os sonhos daquela pobre mulher. O barato da história é que termina com o encontro da dona de casa com seu tesouro. Mais que isso, a alegria dela ao celebrar o tal encontro. Dizem que chamou a vizinhança da comunidade onde morava e os seus amigos discerniram que os sonhos daquela mulher não seriam sonhos em vão. Ali todos se viam nivelados pela necessidade e também pela alegria. Tanto foi que a alegria de uma foi a alegria da galera toda. O prazer de uma acabou contagiando a muitos.
Fico pensando na liberdade quando veste o ser humano de esperança e fé. Aqui, por favor, não me leiam com significados vinculados a qualquer religiosidade. É a fé que impulsiona a crer na possibilidade, no potencial que existe em nós. Pois, então, quando o ser humano se liberta impossível que mudanças não sejam acarretadas pelo processo. Quando são visivelmente boas, muitos compartilham da realidade de tais mudanças (até quem nunca gostou da gente). Afinal, não se esconde a candeia debaixo do alqueire. O que é luz sempre iluminará pelo simples e ao mesmo tempo majestoso exercício de viver.Penso que o maior legado que a gente pode oferecer pra nós mesmos é a própria liberdade. Liberdade pra ser. Liberdade pra promover a construção de uma casa alicerçada na verdade. A maior de todas, creio, a verdade do ser.
A verdade quando inserida num ambiente de acolhimento pelo outro se torna uma ferramenta de Graça que promove a comum-UNIÃO. E a coisa não ficou só entre nós, houve um ajuntamento de lembranças acerca de muitos outros seres humanos, os quais foram lembrados. Falou-se das necessidades do país, a sede de justiça e de conscientização política. Falou-se dos que não caminham na verdade e se dissolvem sendo muitos ‘eus’. Solidarizamo-nos com os agentes do Bem neste mundo, independente do que sejam, do que tenham ou no que creiam. Lembramo-nos do Gabriel Buchmann, brasileiro que buscou conhecer o mundo a partir da miséria para melhor servir como gestor, porém foi encontrado morto nesta semana, no Malawi. Foram momentos muito enriquecedores pra mim. Como disse na ocasião, aprendemos uns com os outros no encontro, mesmo no silêncio que tal encontro algumas vezes provoca. Silêncio, todavia, não silencia os ecos da alegria.
Olhando fixamente nos olhos dos que ali estavam presentes, percebi que todos éramos os donos e as donas de casa daquela velha história contada por Jesus nos Evangelhos. Ali, cada qual havia se achado em algum momento na trajetória da vida. Cada qual havia discernido mudanças significativas em si e a partir de si no encontro. Penso que sejam valores imensuráveis frutos dessa tal liberdade igualmente imensurável! Que tesouro!
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Aos amigos com carinho
Por conjugarem o amor de uma maneira fraterna, amigos acabam entendendo as nossas intempéries. Ao jeito deles, mas entendem. A importância que assumimos uns para com os outros torna o essencial absolutamente compreensível, mesmo que os contornos adjacentes de nossas escolhas nem sempre se encaixem no que se espera. Quem se importa, em se tratando de amigos? É no silêncio eloqüente da presença que a gente mais faz bem uns aos outros. Amigos sabem muito bem que isto não depende de concordar ou não concordar. Essas outras “questões” nem nos importam. O saber que se está presente, que podemos contar, isso sim é o que dá sentido ao que a gente sente quando sabe que se tem amigos nos capítulos de nossa história... isso faz toda a diferença!
E antes que termine o baile com as palavras do texto, válido reafirmar que um dos benefícios da contemporaneidade é saber-se que há, além dos amigos reais, os reconhecidamente virtuais. Embora não seja a regra, sou testemunha ocular da premissa que grandes amizades iniciaram a partir dos teclados. Portanto, a estes e àqueles, a todos, enfim: abraços rendidos em afeto neste dia do amigo!
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
O alimento de nossas histórias: sonhos materializados de domingo
Hoje foram três pessoas que saíram de sua própria história para a minha. A cada uma, porém, a singularidade de páginas recém-começadas ou de obras com muitos e bons capítulos. Destas, duas são chamadas por mim como "Serginho". Ambas especiais na sua “arte”. Todas elas, contudo, profundamente acometidas pela delícia de ser amigas, cada uma a seu tempo.
Ao Leo e ao “primeiro Serginho” quero deixar o registro do finalzinho do abraço – isto porque os abraços iniciam com a vontade, ficam a maior parte do tempo presas no corpo de quem abraçamos, mas há sempre uma pequena parte que cabe na lembrança (esta, por sinal, levada conosco aonde quer que estejamos). Se soletrasse os superlativos que trago no peito, ficariam impublicáveis. A vontade era – e é – que tudo se transformasse em energia para catapultar sonhos maiores ainda em realidades pra alimentar a alma. Quem sabe... Hoje, definitivamente, saí alimentado pela presença. Sim, soletrei fatos e me percebi redescobrindo que a presença constante é necessária, ainda que no pensamento. Diariamente. Claro, discernindo com a razão que o limite é sempre “a vez do outro”. Às vezes, como hoje, o limite foi “estar-com-do-lado-de-dentro”... Sei que é feio, mas enchi a pança das delícias e dos olhares!
Ao “segundo Serginho” quero rabiscar aplausos pela brilhante palestra a que assisti no final da tarde. Suas gargalhadas me inspiraram com a energia dos grandes, não importa no que sejam grandes. Acima delas, porém, sua inteireza e vigor (pra não dizer força) na radicalidade do que significa “ser”. Ótimo saber que Serginho é-sendo. Saí daquele hotel com gratidão e oxigênio nos pulmões. Amei os altos papos tidos no término da palestra, as recordações, as experiências, sobretudo as palavras extremamente sinceras! Abraço de palavra intensa como aquelas gargalhadas!
Eu agradeço a Deus – ou lá o que desejem chamar “Amor-amor-que-é” – pelo valor da liberdade. Ser-se é tão desbravador quanto um vôo com braços abertos. Este domingo, na companhia desses que me são caros, foi assim. Braços abertos!
...
P.S.: Faltou você, Neidinha (pra mim), Neidoca (pro xêro).
P.S.2: Serginho II e Emanuel, vocês são muito gentis. Prazer foi meu ao conhecê-los!
...
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Sintaxe na vida real


Ela, perdida nas dúvidas, procurou-se nos anos seguintes. O melhor de tudo, encontrou-se. A melhor amiga lhe ofereceu o peito. O calor mais puro que a moral. Ela aceitou. Confusa, se confessou. Absolvida pelo desejo, se entregou. À amiga perguntou: somos amigas ou amantes? Entre, vamos conversar. Ela entrou...

Conheceram-se num madrigal. Ele a ouviu cantar. Ela o ouviu declamar. Apaixonaram-se. Naquele jardim tão bem cuidado felicidade crescia. Na estação própria um filho lhes nasceu. O lar sorriu até que ele perdeu o emprego. Não durou muito ela o vitimou. Introspectivo, depois de todas as respostas, emudeceu. Tempos depois, um novo amanhã e um novo emprego. Apenas uma fagulha de sol. Pouco a pouco tudo esfriava. A cama e a poesia não declamavam mais rimas. Sequer gemidos verdadeiros. Sombras noturnas cobriram o jardim. No emprego se firmou. Amizades construiu. Um amigo em especial. Histórias parecidas. Nos diários revelados uma poesia pelo olhar. Versos de tão parecidos, germinados iguais. Sob aquelas folhas, uma camada de tinta original. Feliz, reconstruiu-se por dentro. Por fora, a aparência do mesmo cenário. Aparentemente, nada diferente. O filho, no entanto, o maior tesouro. Do casamento apenas uma folha perdida na gaveta. Poeiras também...

Três anos se passaram. Seus versos cada vez mais iguais. Suas camadas de tinta, mais e mais originais. Certo dia, ergueu-se diante da janela do quarto. Abriu as cortinas. Convidou os feixes de luz. Retirou todas as peças de roupa. Ficou apenas com a sua própria. O seu “eu”. Pegou a moto e partiu. Descobriu que continuaria a ser com ou sem casamento. De fato, como sempre o foi, é...
terça-feira, 4 de novembro de 2008
O que nos basta no agora
Dedicado a todos os amigos que me amam e são correspondidos:
“Ai quem me dera ouvir o nunca mais
Vinícius de Moraes
Nota: a imagem acima intitula-se “Heartbeat” (batida do coração). Autoria desconhecida. Um êxtase para quem curte o segundo-eternidade de cada gesto terno e simples.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Diálogo sob o lençol de estrelas
Celeste, nome fictício para uma amiga querida de longa data, gosta muito de me instigar o pensamento daquelas certezas que os bem-aventurados se alimentam: o viver com asas. Ela mesma me sugere que as coisas se agigantam dentro de nós; às vezes, diz, agigantam-se pra baixo, para além do que é visível tal como uma raiz. Estávamos, há um tempo atrás, na porta do Teatro João Caetano, diante da histórica Praça Tiradentes, no Centro do Rio, quando me chama a atenção para algo que não percebia:
- “Olha só como é bela, amigo!”
Não entendi, mas questionei seguro de alguma coisa realmente linda – em se tratando de Celeste, algo embevecido de beleza etérea. O que é belo neste momento?, perguntei.
– “Meu Deus! Você não consegue ver como essas árvores são belas!? Olha só o tamanho da raiz daquela ali! Eu ficaria horas contemplando... sim, gastaria horas perdida num abraço ao redor dela!”.
"o essencial que não se vende, mas se encontra em qualquer lugar pra quem sabe enxergar, e não apenas ver"Não imaginem que seja fantasia porque, à vista do que já testemunhei em mais de uma década de amizade, estou certo que faria sim! Ela é humana demais pra se negar a própria natureza. Um ser humano imune aos conflitos da maioria.
“‘Maioria’? O que eu tenho a ver com a maioria? Dane-se a maioria. Eu quero é o instante de minha própria realidade!”, são palavras do que chamaria discipulado transpirante, algo super natural quando estou ao seu lado. O cenário se iluminava - melhor dizer que se engrandecia - durante o papo que tivemos assentados num banco da parada de ônibus.
E foi ali que filosofamos ares e olhares sobre o significado do viver satisfeito. Que conjunto de palavras desafiadoras! Sob a imensidão de um lençol azul-marinho cheio de estrelas, do outro lado da praça, quase em frente ao Teatro Carlos Gomes, tecemos nossas histórias com sementes que abríamos de sonhos acordados, falando de lutas travadas e felicidade semeada no campo do agora. O resultado nos pareceu um ‘desafio’ desses que se mata como os leões do dia a dia.

– “As pessoas estão perdendo a sensibilidade do que é essencial”, me dizia pra, logo em seguida, completar: “o essencial que não se vende, mas se encontra em qualquer lugar pra quem sabe enxergar, e não apenas ver, meu amigo.”
Embora, talvez, a resposta me parecesse óbvia – porque intimidade, de fato, ‘é uma merda’, como dizia Caetano – quis instigar o profundo daquelas palavras quando perguntei, sulcando a terra: você tem encontrado o essencial?
– “Lógico!”, me respondeu com os olhos arregalados pelo espanto com o peso da simplicidade daquelas palavras. – “Lógico que sim! Glória a Deus! Eu sou uma mulher realizada porque me realizo na essência das coisas que conquisto, meu amigo!”.
E sem que perguntasse, resolveu completar o que parecia um discurso aos céus:
- “Sou realizada como indivíduo, única em todo o universo, na cama, não importa com quem desde que seja aquele a quem eu tenha querido, na minha fé que não é propriamente minha, mas eu a reconheço como Dom porque não sei existir sem o fôlego de Deus!”.
Sorria com o tom daquelas palavras. Creio também que não seria o único a sorrir diante de tanta revelação. Mal sabia ela que analisava o compasso, a melodia e o acorde daquelas palavras, quase condicionando o discurso para uma convergência ao existencialismo sartriano. Nem sei se ela saberia me falar do “para-si”, de Sartre, mas fato é que a sabedoria daquela mulher me dava certeza da não-necessidade. Pra quê, afinal de contas? Minha reação instintiva, sabe-se lá por qual loucura que me acendeu aquela lucidez toda, só veio a aumentar. E teve uma hora naquele 'campo do agora' que não quis mais sorrir, e pus-me a rir num ímpeto de glória com o brotar daquelas certezas. Ouvi-la parecia um despejar de coraçõezinhos cadentes chuviscando daquele lençol do céu acima de nós.– “Você está rindo do quê? De mim?!”, me questionou tomada de absurdo. Ao que respondi: não, não é de você. É da fartura de sementes!
– “Quais?”, era a sua dúvida.
– As que saíram de sua mão no campo deste ‘agora’, respondi-lhe mergulhando de ponta-cabeça naquela profundidade abissal.
- “Ah, bom! Pensei que você também fosse desses que não sabem enxergar o essencial... que tristeza seria, meu amigo!”
Nota: o nome fictício apenas resguarda alguém a quem não consegui contactar a tempo para autorizar a divulgação no post. Apenas isso.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Meu ontem no dia das crianças
Notas de rodapé:
Pá ti, Patrícia: é a imagem que guardei quando te cliquei no evento há quase dois anos atrás, lá na Casa de Banhos de Dom João VI. Homenagem pelo reencontro! Saudades dos amigos!
Quem pode, pode: aproveite a viagem e os dias em Brasília, Madrezita. Não esqueça daquele roteirinho que sugeri. Déia vai gostar de te conhecer.
Inho-inho: você (**) faz falta, arretado! Apareça!
sábado, 11 de outubro de 2008
Apontamentos com as roupas de sábado
A semana tá quase chegando ao fim. O sábado traz um solzinho típico de primavera do sudeste. Ainda tímido, talvez, chame a chuva pra companhia na parte da tarde. Cliente liga. Nem no sábado [alguns] são capazes de me entender. Tentei explicar que os reajustes de aposentadoria e do salário mínimo se dão por índices e variações diferenciadas, o que explica a defasagem. Corri até a janela. O sol é sempre uma estrela de primeira grandeza. Põe cores e calores na palheta do Planeta. Saí até a varanda pra abraçá-lo. Olhei as horas e acreditei que ainda sobra tempo pra qualquer coisa. Sempre sobre tempo quando se é amigo do tempo. Dormir cedo pra acordar mais cedo tem me ajudado no planejamento do dia. Tanto que teimei em acreditar, não é que é verdade? Preciso sair às compras na floricultura. Uma amiga de longa data ama margaridas. 
Quero presenteá-la com algumas quando estiver no culto em ação de graças que fará por ocasião da recuperação no seu estado de saúde. Amanhã é dia de alguns acontecimentos aqui no Rio. Pra quem curte, a XII Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro 2008 terá largada nesta manhã (de 12/10) pelo belíssimo corredor das Praias do Leblon e Ipanema até o Aterro do Flamengo. À tarde, igualmente, pra quem curte, a 13ª Parada LGBT do Rio pela Avenida Atlântica e, certamente, uma multidão não menos numerosa que a da maratona do Rio. Esqueçamos o domingo. O hoje ainda está vestido com as roupas de sábado. Os minutos pela frente hão de me direcionar às próximas atividades. Espero que o sol possa ajudar no brilho do restante do dia. Se assim o fizer, certamente, o convite que me fiz será uma grande dica para relaxamento: caminhar até o Arpoador. Abandonar as sandálias – o traje tipicamente carioca para qualquer lugar! – e refrescar o pensamento nas espumas das ondas.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Perfeitinha, mas nem tanto
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Meritocracia instalada
Domingo me alimentei de várias formas, não apenas pelo churrasco do qual participei, mas também pelas muitas palavras que ouvi de meu amigo de caminhada, Marcinho Retamero. Não terei pretensão alguma de reproduzir ou testemunhar em letras tudo o que ouvi, mas de uma coisa sei: foi Graça pra meu viver! Primeiro, porque o lecionário litúrgico para o domingo foi justamente a parábola que me representa (a dos trabalhadores na vinha) não apenas num contexto amplo de “metanóia” (o novo pensar a vida, que, já disse uma vez, ocorre em Graça, pondo cores novas no viver), mas sobretudo no meu “infinito particular”; aliás, meu e de Marisa Monte também. Segundo, porque a trajetória de suas palavras foram delineando o que ocorre conosco – todos nós! – desde que nascemos. E eu me senti sendo cortado em pedacinhos dentro de mim mesmo.
Dizia ele que somos altamente meritocráticos em nossos relacionamentos (afetivos, familiares, fraternos e sociais) e conosco também. De fato, o somos. Senão, vejamos. Queremos a troca. Precisamos das carreirinhas de barganha. Satisfazemo-nos em ser recompensados. E assim o é desde os idos de jardim de infância, por exemplo, quando a professorinha promete recompensar o que se comportar e castigar o que fizer bagunça. Passa por toda a adolescência, alcança a juventude e vai se estabelecendo na vida adulta. Mais e mais... Marcinho ainda citou o brilhantismo de Freud que sacou esse “mal” em nós como projeção no outro. E assim vamos vivendo, de méritos em méritos, projetando nossa humanidade adoecida com este “sistema” para quem quer que seja o outro. Tem gente que faz isso até com Deus! A religião - e aqui se diferencia de Graça, pelo amor de Deus! - é expert no catecismo e na práxis deste tema. “Se eu me dedicar à religião, certamente, serei abençoado!”, pensam. "Eu preciso estar na igreja pra que Deus me...". Eis um genoma altamente mercantilista em nosso ser! As bênçãos, portanto, são meritocráticas também. É o tal toma-lá-dá-cá ao qual nos acostumamos e pensamos que Deus também curte. Mas, como disse, Marcinho, “Deus não é homem!”. Ele não cai nessas furadas, nessas esquisitices nossas (aprendidas desde pequenos, é verdade). Projetamos o mesmo comportamento meritocrático nos nossos inter-relacionamentos. “Ah, me dá um beijinho!... Só dou se você me der primeiro...”. “Se ela fez isso, ah, também vou fazer! Isso não vai ficar barato!”. “Me deixou aqui sozinho e foi se divertir? Não perde por esperar!”. “Tenho me esforçado pra agradá-lo e ele não tá nem aí pra mim... vou parar de me esforçar...”. “Quanto que já fiz por ela e o que ganho? Nada. Sou mesmo um otário!”. “Olha quanta gente merece um pouco mais de atenção dele e eu, que o conheço há mais tempo, sou tratado como alguém sem muita importância...”. E assim vivemos. Adoecidos. Meritocráticos. Esperando sempre receber. Viciados nisso, precisando de doses cada vez maiores conforme aumenta a doença em nós. Sem saber amar. Sem saber que amor, quando puro e verdadeiro, dá sem esperar receber. Ama-se por decisão, não por recompensa. Mesmo que a recompensa seja a atenção, o carinho ou a resposta. Quem ama, ama. Quem se sabe amado, sabe-se que é amado. É feeling, vê-se com a vida. Tudo isso faz bem. Exceto o querer em troca, não importa o quê. Graças a Deus porque Ele é Graça, e não impõe “condições” para amar. Graças a Deus por muita gente que aprendeu amar com este Amor...
Nota: “post” dedicado e inspirado nas ricas palavras de meu amigo Marcinho Retamero, pela sua garra, coragem e dedicação no anúncio do amor. Fiquei feliz em saber que ele abriu a Parada de Duque de Caxias com uma oração no alto de um trio elétrico. Isso é, no mínimo, profético! Segue, ainda, a dedicação ao Juninho, amigo que me enviou uma mensagem linda no celular dizendo o quão sensibilizado ficou com as palavras que ele também ouviu do Marcinho no mesmo dia que eu.
Conversa imaginária
- Fala, meu arretado!
- Tudo. Tava aqui de bobeira, sentado nas pedras do Arpoador, pensei: Vou dar uma ligada [...], a primeira ligada, só pra dizer que o pôr de sol é deslumbrantemente lindo, principalmente visto daqui... algo indecifrável.














