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sábado, 23 de janeiro de 2010

Sobre a tragédia no Haiti




O viver ainda que


“Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver”.



Cora Coralina in “Assim eu vejo a vida”



O olhar a partir de mim


Creio tanto na vida que me impossível deixar de ver luz ainda que todos só enxerguem o caos. Olhar a vida com bons olhos é interpretar o mundo a partir de mim...



A imagem


Redjeson Hausteen Claude, a criança de dois aninhos salva em meio aos destroços provocados pelo terremoto no Haiti, uma das piores tragédias mundiais nos últimos cem anos. O detalhe é que o emocionante resgate se deu dias após a tragédia quando as chances de encontrar-se sobrevivente diminui a menos de 20%... um milagre!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Significados de Cecília Meirelles


"No mistério do Sem-Fim,

equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,

e, no jardim, um canteiro:

no canteiro, urna violeta,

e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o Sem-Fim,

a asa de urna borboleta.



(...)somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim"

Cecília Meirelles

...



1ª Nota: Ontem, gratidão, amigos, ligações nutritivas e sentimentos afins. Comemorar-se o natal é sempre rico de qualquer coisa, até das que não esperamos. Falo acerca do meu natal. Hoje, “day after”, um calor em gotas serelepes brincando de escorrega pela minha fronte. Terno e gravata será que combinam com este clima abaixo do Equador? Numa sala fria e tão sublime o tom grave de um Tribunal. Eu, o cliente e três policiais militares. Uma condenação.


2ª Nota: De lá, uma viagem até um novo mundo. Encantei-me com aquele universo; na verdade, um oceano de oportunidades. Um orfanato. Para minha surpresa, dia de festa. Crianças, muitas delas. Palhaço. Brincadeiras. Eu, dentro de uma gravata, nadava pela observação pra dentro dos meus mergulhos. Dona Sidnay, a diretora, e dona Márcia, assistente social, pessoas com coração na mão. Amei conhecer a instituição “Solar Bezerra de Menezes” e o que fazem com tantas crianças carentes [ou, segundo me disseram, “em risco social”]. A razão de parar ali? Boa pergunta e duas rápidas respostas: a tangível tinha a ver com a entrega de um ofício a mando de uma juíza criminal; a intangível tinha a ver com a Providência. Uma questão de necessidade para os meus olhos, posso afirmar [pois só eu sei quais são minhas necessidades vitais]. Luz espalhada na ponta dos dedos, quiçá em todo o coração. Um desejo simples que fiz àquelas mulheres. Amei aquele lugar de oceano!


3ª Nota: 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ao falar em comemoração, não olho para governantes nem para países. Olho para pessoas, a começar pelo olhar de minha contribuição própria... O que faço, estou fazendo, irei fazer, é preciso fazer? Penso na resposta. Depois da lavoura trabalhada, retornarei com o arado. Estou ocupado na messe...


4ª Nota: Genial a evolução do texto e as sacadas com o interstício temporal em “Capitu”, mini-série para TV baseada na obra de Machado de Assis.




terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

O crescer e o pensar em meio às marés


Cresci numa colônia de pescadores encravada na baía de Guanabara, bem no ponto onde vieram a construir a Ponte Rio-Niterói na década de 70. Quando moleque me esbaldei. Tive a companhia de elementos lúdicos e me assustei com a visceralidade vagabunda dos meus colegas de rua. Trepei em árvore, roubei fruta, pulei de muro ao fugir de cachorro bravo, tocava a campainha e corria, pulava sobre os barcos, prendia pé nas redes, fugia da ira dos donos dos barcos, suava por todos os poros pedindo mais liberdade, brigava e apanhava, chegava em tarde tarde, levava bronca e surra, muitas vezes, até dos irmãos mais velhos. Sou o do meio. Até os 14 anos não era apaixonado pelos estudos, mas o fazia por não me ter escolha inteligente. Era isso ou porrada (rs...). Após sim é que passei a me aventurar nessa paixão. Não larguei mais. Tinha orgulho – às vezes até prepotente – em ser um dos mais dedicados alunos. Entrei pra Universidade Federal do Rio de Janeiro com excelentes notas. E lá dentro não fugi à (minha) própria regra.

Naqueles idos já era catequista aos finais de semana. Foram tantos anos dedicados – e tão dedicados – que deixei de aproveitar muita coisa que qualquer rapaz sadiamente urbano viveria. Nunca entrei em boate. Nunca fiquei bêbado. E segue uma lista interessante...

Sempre fui questionador. Paradoxalmente, porém, não questionava quase nada do “campo da fé”. Isso não me fazia bem. Não questionava. Um dia qualquer me deparei com as palavras de São Paulo, o apóstolo intelectualizado, instigando seus ouvintes a uma mente ativa e participativa no processo de captação do que cria. Dizia ele: “observai todas as coisas e retende o que for bom”. Numa outra oportunidade parecia me esganar a quietude e eriçar todos os levantes do pensar com o seu “transformai-vos pela renovação da vossa mente”. Filosoficamente suas dicas permeavam as variantes do pensar “observação” e do pensar “transformação”. É na observação que se questiona e é na transformação que se usufrui do exercício questionador. Muito distante de me levar a escapar da fé acabei me aproximando. Fé pensante. Fé com gratidão pela liberdade de questionar e crer. Não parei mais. De questionar, você pode perguntar. Também. Refiro-me a amar Deus questionando todas as coisas. O barato de tudo é saber que Seu prazer é justamente me ver “ser-sendo” enquanto me transformo Nele a cada pensar.

O que sou hoje? Um ser consciente de mim, que sabe quem é, que caminha feliz na estrada-vida e que faz de todas as coisas escolhas diárias. O “observar” está em todas as coisas e o “transformar” está em mim. Meu problema questionador nunca foi com Deus, mas sim com seus supostos “donos”. Que fique claro. Não é papo de pescador, mas de alguém que conhece um pouco da alma dos homens do mar. Afinal, nasci e cresci em meio às vagas e as marés.

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