sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

'50-tinha' pra Bossa Nova


Como diria Tom Jobim, “bossa nova é folia controlada”. E será neste clima que os bossanovistas iremos comemorar o aniversário da cidade do Rio de Janeiro e os 50 anos de bossa nova neste sábado, 1º de março. Curioso notar que o início da bossa, por assim dizer, se deu a partir de uma canção "Chega de Saudades". Letra de Tom e Vinicius, é considerado o marco inicial da Bossa Nova, e completa os seus cinqüentinhas de composição. Pra comemorar em grande estilo, show na Praia de Ipanema, berço de muita coisa, não apenas da “girl from Ipanema”. Ipanema é algo mágico, uma sunset boulevard dos trópicos com os melhores pores-de-sol que já vi. Local de encontros e inspirações de Vinícius, Tom, Roberto, Wanda, Oscar Castro, João Donato, Leny Andrade, Joyce, tantos e tantos outros. Faço planos de ir conferir, cantar baixinho, ouvir violão em tom suave e etcétera. Às 19h. Vamos? [Saiba +]

Imagem: "Expositor", por Ian Rangel.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Coisas pra gostar

"Viabilidades". By Cardo. All rights reserved

01. Gosto é de gente. Abraços, sorrisos, a bem-querência e todas as feições que puder ver olho a olho. Gosto tanto de gente que passei mais de 10 anos de minha vida atuando paralelamente em ONGs e Associações que reivindicam direitos e exercício da cidadania nas mais diferentes áreas sociais. Pastoral da Criança, Associação de Moradores, Projeto Farmácia Comunitária, Projeto Médicos Voluntários, Núcleo Comunitário de Direitos do Consumidor, Assistência Jurídica a Colônias de Pescadores, Biblioteca, Pré-vestibular comunitário, etc e tal.

02. Gosto de devorar livros e saberes. Gosto de ensinar a pensar. Fazia isso desde os idos de catequista. Cada um tem seu modo de pensar. Pra que formatarmos o pensamento?

03. Ainda acredito na bondade da alma humana. Sei que os “luzeiros” estão acesos pelas ruas e esquinas da vida. Basta ter olhos pra vê-los. Quando fecho meus olhos, abro muitos outros poesia a fora. Quem disse que a vida é somente prosa?

04. Amo a natureza. Passeio pelos recantos da cidade. O Rio é tão privilegiado! A Urca, as pedras do Arpoador, o calçadão de Copa, o Caminho Cláudio Coutinho, o Forte do Leme, o friozinho do clima ameno no Jardim Botânico, nas Paineiras, na Gávea. O Centro Histórico. A Quinta da Boa Vista. Os museus, os centros culturais, tudo o que tem ar de cultura. Bom pra se ir. Bom pra se fotografar. E por aí vai...

05. A boa companhia. Tenha o nome que for. Eu me perco em boas companhias. Tem vezes que é melhor até esquecer o caminho de volta...

Coisas, apenas coisas, que não curto

"Sem conteúdo". By Cardo. All rights reserved

01. O medo, a pressão, a fala negativa nos discursos feitos e também ouvidos. Como faz bem ser feliz! Como perde quem não faz do bem sua força motriz!

02. Gente coisificada. Um "isso". Alguma coisa que se esvai, se perde. Empobrece pra ser apenas - comerciavelmente - “prazer”, “aparência”, "incoerência". Quando muito, apenas um sufixo: “desejável”, “cobiçável”. Que morfema lamentável! Isso pra mim é que é inumano! E alguns seguem o fluxo sem nem se aperceber...

03. Balas de café. Chá com açúcar. Acordar cedo. Fofoca. Noitadas e suas variantes pela “night” afora... Me desculpem, é que meus dias são melhores servidos ao sol.

04. Verdades impostas. Mentiras. Gírias de gueto. Roupas extravagantes. Brincos. Trincos. Fumaça de cigarro. O próprio cigarro. Desrespeito a mim, a ti, a quem for.

05. A superficialidade. A falta de compromisso. O “desromance”. O pagar com a mesma moeda. A falta de atitude. Nossa, sou atípico!

Coisas pra cansar


Hoje é quarta-feira. Lápis apontados. Há muito tempo não usava lápis. Rabiscos soltos. Idéias voláteis. Idéias fixas. Idéias-pensamentos. Pensamentos-idéias. Lendo e relendo “scraps”, esses tais recadinhos cuja variante no inglês invade o nosso bom português-salve-salve! Muita coisa acerca da qual já avisei. Respostas clicadas no “enviar recado”. Um saco ser repetitivo! Por essas e outras que decidi [de novo?] sair do tal orkut. É, devo estar velho demais. Minha paciência vira produto escasso. Pra que a gente tem orkut? Peraí, deixa eu refazer a pergunta: pra que eu tenho orkut? O programa tem suas próprias respostas. Vejamos: contato profissional, namoro, amizade, blá blá blá. Então, o que eu procuro por lá? Não sei. Antes, curiosidade. Idos de 2004. Alguns “amigos” sendo adicionados. Gente aparentemente interessante. Gente aparentemente com gostos em comum. Gente aparentemente... Aparente é o que aparenta, assegura um dos seus conceitos na gramática. A virtualidade é isso. Tudo aparentemente por detrás do monitor do PC. Vai-se aceitando. Vai-se adicionando. Vai-se aumentando o círculo de amizades. Círculo? Que círculo? Não nos vemos. Não nos encontramos. Não tanta-coisa! E todas elas me cansam.

“Como é bom ver tanta gente bem em volta da minha vida...” – canta o Ira! Dessas coisas é que não me canso.

Que canção você é?

Quando era moleque e assistia a desenhos animados (queria de volta o tempo pra isso!), me intrigava uma pergunta que era célebre nos episódios de amnésia. Não importava a cena. Se houvesse amnésia lá vinha ela, a tal perguntinha: “Quem sou eu?”. Aliás, vinha quase sempre com outra não menos conhecida. “Onde estou?”. Parece bobagem, mas a pergunta é pertinente para qualquer um de nós. Acho que todos, alguma vez na vida, deveriam se fazer esta pergunta: quem sou eu? O lance é que muita gente não sabe quem é. São vários os fatores pra que isso ocorra. Nada de detalhes. O processo de “desindividuação” acontece quase sempre a partir do estado de consciência. É quando neguinho vai deixando de ser ingênuo, vai crescendo, deixando de lado a primeira infância.

Pensava rapidamente sobre isso enquanto relembrava algumas obras que li. Mario de Andrade dizia que era trezentos, "trezentos-e-cincoenta, mas que um dia afinal se toparia consigo mesmo. O processo de auto-conhecimento é gozado. A gente faz uma viagem alucinante por uma vida toda pra perceber que as maiores raízes em nós estavam na simplicidade dos anos, das coisas, da vida. Muita gente vai concordar comigo quando traduz o que viveu como uma trilha sonora. Que canção poderia expressar nossa mais profunda raiz? Qual canção afinal somos nós? “É preciso saber viver?”, “Como nossos pais?” Não me diga que alguém aqui ousará dizer “Yellow brick road”! A minha canção não é propriamente uma canção concreta, fixa, com identificação. É apenas uma canção. Sons, notas e lembranças da infância. São os sons combinados de briga de pardais me acordando. Sons das maritacas no abacateiro da dona Melita, minha vizinha portuguesa. Sons das canções que minha mãe inventava pra eu adormecer. Sons dos remos das canoas nas águas do cais, bem aqui na antiga Colônia de Pescadores Z-5. Sons dos temporais de granizo nos telhados de zinco da saudosa dona Melinha. Sons dos ventos nas árvores da Escola Comandante Armando Pinna. Foi lá que estudei dos 6 aos 9 anos de idade. Acredito que a combinação deles todos daria minha canção...

Sabe o que tô lendo neste momento? Anotações de uma agenda de 1993. Juro pra vocês que não guardo todas as agendas! (rs...) Falta de espaço. As mais anotadas eu guardei sim. A de 1993 se encaixa neste perfil. E tá registrado em julho um trecho de uma obra que li na época. Velho hábito. Coincidência ou não, estão lá as palavras da velhinha que amei sem conhecer. Catherine Doherty de Hueck, uma poetisa russa e que morou no Canadá por anos a fio. Quem é ligado a movimentos católicos deve conhecê-la por suas obras ou palestras. Sempre achei-lhe muito louca. No bom sentido, diria. De tão louca, profundamente humana. Uma graça! E são exatamente dela as anotações que registrei há 15 anos da obra “Alma da minha vida”: “eu sou uma canção solta no espaço, tão solta que o vento apanha e leva a grande altura! Mesmo que ande no chão, filha da terra, fechada nesta carne do meu corpo, eu sou canção sugada pelo vento e colhida por Deus, na eternidade.” Ela guardou os melhores sons pra se auto-definir. Se fez canção solta ao vento. Isso é que é raiz profunda! Isso é que é um “eu sei quem sou” com tons de encantamento. Boa resposta a de Catherine! E você, que canção te descreve?

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